Momento desabafo – Mito da magreza

Desde que uma modelo brasileira morreu devido a complicações da anorexia que a discussão sobre a imposição da magreza no mundo da moda veio à tona. E ela existe mesmo – modelo tem que ser magra. Ok, algumas são magras demais, com ossos demais, a pele deixa transparecer (literalmente, porque são brancas e pálidas demais) indícios da doença. Outras são magras, mas com aspecto saudável, como a Giane Albertoni, Isabeli Fontana, etc; como eu pude ver de perto.
Desde que me mudei para o Rio, em 2003, venho emagrecendo porque, como não moro mais na casa dos pais, me alimento mal, não belisco o dia todo, etc. Além de ter uma rotina mais estressante que tinha em Volta Redonda, de ter mais problemas, angústias… Quando estava no terceiro ano, tinha 68 quilos, mais ou menos, e tenho 1,75 de altura. Em algumas lojas, tinha que vestir calça 44.
Hoje, nas fotos daquela época, vejo que era meio cheinha – efeito diminuído pela altura – mas era. E não me preocupava nem um pouco, sempre fui desleixada. Nunca fiz dieta na vida e fiz pouco tempo de atividades físicas, emagreci de um jeito insalubre e devido ao estilo de vida “sacrificado” de sair de casa cedo.
Mas agora, tenho 1,75 e pesando 57 quilos e vejo o quão CHATO é ser magra. As pessoas ENCHEM o seu saco.
Fico pensando, quando se é criança: quem é gordinho sofre muita rejeição, ganha apelidos horríveis e se não for alguém com uma cabeça muito boa, fica traumatizado pro resto da vida. A mesma coisa acontece com o magrelo, principalmente se ele for alto. Quando crescem, geralmente esses gordinhos emagrecem um pouco mais e os magrelos dão uma encorpada. Infelizmente, quem continua gordinho sofre até mais tarde.

Mas o que muita gente não sabe é que magreza só é bem aceita em dois mundos: moda e show business. Já viram a boazuda da Juliana Paes ao vivo? É magérrima. Camila Pitanga? Magérrima. Mas na vida real, magreza não é bonita. Ainda mais no Brasil.

Talvez, com o tempo, o padrão magra de ruim acabe nas ruas do Brasil, mas ainda não chegou. Não entendo porque minhas amigas ficam absolutamente paranóicas com o peso (quando a maioria não tem problemas com ele) se o que toda mulher quer é agradar aos homens e DESDE QUANDO eles gostam de mulher magra?

Eu tenho o biotipo de pêra – sempre fui muito mais magra da cintura pra cima que embaixo. Então, quando emagreci, fiquei mais ossuda onde já era magra. Porque, na verdade, eu não sou TÃO magra. Foi o que bastou para ter que ouvir TODA VEZ que saio de blusa que mostre essa região, os comentários “legais” dos amigos. Tanto que tinha aposentado algumas peças que eu amava (mas agora já uso de novo – to nem aí).

O que eu acho engraçado é que ninguém (com exceção dos mal-educados) vira para uma pessoa que está mais cheinha e fala: ta gordinho, hein? Eu nunca falei isso. Então por que com magro esses comentários pipocam? Ainda ficava mais chateada porque tenho complexo de altura, outro “defeito” meu.

O mais engraçado é que o mundo da moda – o insalubre mundo da moda – me curou das paranóias. Depois de passar duas semanas em Fashion Rio e SPFW, passando por modelos raquíticas e pelas tops lindonas e com salto 10cm, me senti menos alta e magra – ou no meio de iguais. Voltei a usar tomara-que-caia, alcinha e vou comprar sapatos de salto.

Por isso, galera manequim 46, 44, 42, 40, 38, 36, 34 – todo mundo só é lindo que acredita nisso. Alguém realmente acha que o tamanho importa? O que importa é DELICADEZA E AUTO-ESTIMA. Todo mundo fica lindo assim.

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6 opiniões sobre “Momento desabafo – Mito da magreza”

  1. Muito reconfortante o seu post!!! Sei bem do que vc está falando. Tenho um 1.60 cm e peso 48 kg, o maior peso que tive na vida, e sei bem do que você está falando! As pessoas sempre acham que você está doente ou é doida por reclamar da magreza na hora de comprar roupa. E realmente nem todos os homens gostam de mulher magra. Aqui na Holanda, por exemplo, as cheinhas é que fazem sucesso, as propagandas mais sexys por aqui são com elas 😉

  2. Acho que vc escreveu muito bem.
    E também que os comentarios em qualquer forma física vão existir. É muito chato qaundo vc sai na rua e o pedreirão grita “aê gostosa”, ou vc escuta aquele “ssssssssss” no metrô, assim como enche o saco, ouvir q ta gordo ou magro. Se a pessoa é gorda, vão falar da gordura, se a pessoa é magra, da magreza, se a pessoa é gostosa, da gostosura. E assim fica saturado qualquer comentario. É melhor começar a comentar sobre atitudes e comportamentos que serão as verdadeiras criticas contrutivas.

  3. Com certeza me identifiquei muito com o seu relato!
    Sempre fui magra, com uma saúde maravilhosa. Mas sempre tem um anormal que acha que eu tenho algum problema, que eu não como nada, entre outras coisas.
    Na maioria das vezes considero isso inveja, pois eu como tudo oque eu quero, sem dar a minima p as calorias, enquanto boa parte,….rs.
    Beijos!

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