Fashion Rio – desilusão

Esse mundo da moda é mesmo muito louco. Não porque é fútil e tem loucuras em festas, bla bla bla. Mas porque é um mundo de abstrações x vida real.

Sou jornalista, resolvi brincar de jornalista de moda porque é o que eu mais gosto desde criança (ao lado de cinema) e na atual situação do mercado de comunicação, o ideal é você se “especializar” em uma área. Mas a cada semana de moda que eu vou, resta a dúvida se eu realmente levo jeito pra coisa.

Simplesmente porque minhas opiniões sobre as coisas que eu vejo se diferem muito das opiniões dos outros. Mesmo sem querer, eu vejo o que passa na passarela como leiga mesmo, como compradora, como consumidora. Eu ainda sou a última ponta da cadeia, não aquela parte que influencia esta última ponta. Fashion Rio não trouxe nenhuma inovação? Mas se eu tivesse dinheiro, compraria 2/3 de tudo o que eu vi.

E só pra deixar claro: o que eu escrevo não é uma defesa ao evento e aos desfiles. É apenas uma reflexão sobre o meu intelecto e opiniões, que começo a achar que são muito limitados.

Juízos de valores não passam de abstrações loucas. Anos 70 já apareceu há séculos nos desfiles internacionais, certo? E agora os brasileiros trazem para cá, ao invés de fazer algo inédito. Concordo que ficar de macaquice com estrangeiros é muito resquício de colonialismo.

Mas desde quando alguma coisa na moda é inédito?

Acho que moda é muito mais um reflexo do tempo em que vivemos do que a imposição abstrata de tendências. Até porque as tendências nascem da onde? Do mundo, do cotidiano… E não adianta… pessoas comuns SÓ vão usar o que deixa bonito. A não ser que o senso comum seja tão massacrado que volte a ter distúrbios como o da época da calça baggy (aliás, vi algumas na passarela… só Daiane e Carol e suas silhuetas holocaustianas…).

Anos 70, xadrez, tudo repetido. Mas é uma moda muito mais usável que a excentricidade new wave dos anos 80 que alguns fashionistas de plantão na Marina da Glória insistiam em propagar.

Para o consumidor, essas tendências repetidas nem chegaram! Não compro Chanel, Gaultier, Marc Jacobs… compro o que tem no Brasil e, infelizmente, o que eu via nas passarelas e lojas internacionais (mesmo nas pops tipo Topshop) não apareciam por aqui. Pelo menos eu tenho uma costureira à minha disposição.

Acho que o legal é cada um ter seu estilo, mas é muito difícil comprar roupa quando se tem tendências tão impostas como as de verão. Levei 3 dias para conseguir comprar um vestido. Pessoas vinham reclamar comigo que as roupas estavam todas medonhas. Cores cítricas? Por que inventaram isso?!

E as hot pants? Inovação nas passarelas pra quê? Só Victoria Beckham usou…

Ankle Boots? ANKLE BOOTS? Só vi no pé de gente da moda e com a perna fina.

A moda como arte ainda não chegou no Brasil, infelizmente… moda aqui é pra vender, somos um país pobre, pelo amor de Deus! Como fazer experiências de estilo e gastar os tubos para não vender nada? As marcas aqui sofrem para faturar e manter os empregos. Moda aqui não é abstrata, é concreta como o dinheiro e o salário no bolso de quem está envolvido.

Chega, já desabafei!

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5 opiniões sobre “Fashion Rio – desilusão”

  1. Marcita… é óbvio q vc leva jeito… seus textos são ótimos… não caia na desilusão… !!! Promete?? rsrs

    Hugz

  2. Gostei do texto. Concordo muito com você.
    Eu gosto de acompanhar moda, mas pessoalmente, também prefiro ver o que há nas pessoas nas ruas porque é mais real. Acho que isso, sim, dita nossa moda.
    Parabéns pelos textos sempre interessantes.

  3. marcia o problema não está em vc o problema esta nos desfiles e produtos que estão nos shoppings do rio.Eu no finalzinho do ano passado não consegui comprar nadaaaaaaaaa, este ano descobri uma coleção fofa de camisetas da carmim. O que as marcas cariocas não entendem é que elas tem que acertar o eixo e fazer “produto” para o Rio, e não tentar ter um estilo próprio, porque o estilo carioca está em quem veste. Ou seja eu acho que uma autentica carioca pode vestir qualquer marac que ela ofusca a marca, e assim todas as marcas estão iguais porque não se dedicam ao principal, ter um produto de qualidade, numa modelagem que tenha um padrão nos tamanhos…. acho por enquanto tudo um kaosssssss
    gostei do desfile do cantão pelas cores, drosófila também no kjmix de estampas , hipie chic… é não é novo
    a marca melk z , prenanbucana, nossa amei a pesquisa e os tecidos inventados associados a borados, apliques etc e tal. E graça otoni também estava linda, mas certamente não para uma carioca né??

  4. volteiiiiii
    marcia acho que as tendencias não morreram, acho só que o trabalho está esquisofrenico nas marcas, se é evidente que o mundo esta passando por uma crise economica que todos nós sentimos, o consumo acontece, primeiro, por necessidade… adoro a campanha o melhor plano de vida é viver… porque no meio disso tudo não dá pra gastar com superfluo, mas a segunda forma que levaria ao consumo seria se o produto conseguisse emocionar… e ai acontece os desfiles, mas se o foco está nos jornalistas e não de fato no consumidor final, tudo fica mesmo alegórico e inútil, e rios de dinheiro que falta no mercado vira pó. Então o trabalho é muito simples, neste moemnto foco no produto+cliente+vida e a percepção do estilo da marca seria consequencia de 1 trabalho com foco. è dificil de explicar, vou te dar um exemplo, 3 marcas que visitei aqui no rio numa entrevista para coordenação de produto ou estilo , eu perguntei qual era o publico e todas responderam quase que da mesma forma, todas a mulheres… ou seja estão loucas!!

  5. querida, achei seu blog meio sem querer, tb sou blogueira, http://www.apenas30anos.blogspot.com
    e, uma baita conscidencia, sou amiga da fran… mas lendo seu texto, te indico uma leitura:
    A MODA E O SEU PAPEL SOCIAL, DE DIANA CRANE, ED SENAC SP.
    Adoro moda, mas namoro de longe, não gosto de fashionistas, nem modismos loucos que fazem a gente gastar fortunes de tempos em tempos, prefiro garimpar preciosidades, primo pela mais qualidade do que pela moda em si, apesar de gostar de algumas tendencias…
    mas acho que a moda tem um valor social bem legal, e a vejo como uma especie de fotografia de um tempo, podemos observar a economia gerada em torno dela, bem como os curtos, os longos, os babados, ou as linhas retas, o culto ao corpo evidenciado na passarela, os silicones valorizados nos decotes cada vez mais fundos, os cabelos lisos, e a beleza europeia se firmando em um pais genuninamente misturado e negro, as afrodescendentes aliasam os “pichains”, fazem limpo nas bundas avantajadas, e colocam silicones nos peitos pequenos…

    é o corpo como valor e a moda evidenciando cada vez mais isso, tendencia de hoje, diferente de anos atras quando o lema era esconder para valorizar, hoje é valorizado quem mostra, e quem mostra o belo (conceito flexivel)…

    mas mesmo assim, uso a moda pra entender o ser humano, as classes sociais e seus valores, assim como o conceito de beleza na contemporaneidade, e por ai vai…

    da mesma forma que religiao, comida tipica, ou música, a moda tb é um atributo cultural…

    leia o livro que vc vai gostar,

    beijos e desculpe o texto enorme

    prazer,

    Hilaine

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