Os 40 anos de 68

Maio já está no final (eu acho que isso é um verso de música do Kid Abelha, eheh), mas ainda dá tempo de falar dos 40 anos do mês mais agitado de um dos anos mais comentados e estudados do século XX: o famoso Maio de 68.
Movimento hippie, revolução sexual, feminismo, drogas, rock, estudantes parisienses nas ruas, Primavera de Praga, Guerra do Vietnã. Enquanto isso, no Brasil, a ditadura militar daria início ao seu período mais duro com a decretação do AI-5. Com a violência dos militares contra as passeatas estudantis, o movimento contra o regime se dividiu: uns partiram para a luta armada e outros ficaram na revolução cultural. O ano de 68 foi o marco do movimento Tropicalista, que reuniu artistas plásticos como Hélio Oiticica e Lygia Clark, músicos como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Os Mutantes, e outros artistas, como o poeta Torquatto Neto.

Me questiono: só falar de moda quando escrevo sobre um ano que quis muito mais, apesar de ter perdido algumas lutas e muito do que lutaram continuar a mesmo, pode ser meio bobo. Mas, de fato, no campo da cultura e da moda, a revolução aconteceu – e está totalmente assimilada hoje em dia pelo “sistema”, e se isso é bom ou ruim eu não tenho banca para dizer.

A invenção da inglesa Mary Quant ganhou as ruas de vez: se repararem nas fotos das revolucionárias nas ruas, a maioria está de minissaia. A moda começa a ficar mais informal e o jovem ganha força na hora de determinar o que se usa ou não. Alguns estilistas ficam mais atentos a estas mudanças e produzem peças mais ao gosto dos novos formadores de opinião. Yves Saint Laurent e a sua Rive Gauche é um deles. Rive Gauche é margem esquerda do Rio Senna, onde estava a parte menos nobre de Paris e onde se concentravam os jovens, os artistas – o jeito Nouvelle Vague de ser.

A moda masculina mudou radicalmente com a entrada de elementos que antes eram exclusivos das mulheres. Cabelos compridos, peças justas, estampas, cores vivas. Não importa se era no estilo Mod, mais certinho, ou na explosão psicodélica hiponga, mas a partir de 68, tínhamos o novo homem.
No Brasil, a moda começou a ficar mais “brejeira” – talvez pela influência tropicalista de volta às origens, antropofagia modernista, etc. Roupas com mais pele à mostra, mais sensualidades e muito colorido. Alguns dos ícones da época, como os Mutantes, se apresentavam com figurinos irreverentes como, no caso, fantasiados de menestréis medievais.

Para ouvir e entrar no clima: Tropicália ou Panis ET Circenses (Caetano, Gil, Gal, Mutantes e Nara Leão – 3ª foto), e também Os Mutantes (foto abaixo).

Para ver e imitar o figurino: Filmes do Truffaut, Godard e outros cineastas da Nouvelle, e Os Sonhadores, do Bertollucci (atual, mas que fala exatamente de maio de 68); A Insustentável Leveza do Ser (a Primavera de Praga é o cenário para esta história baseada no livro maravilhoso de Milan Kundera).

E tem também os 40 de 68 em dois posts ótimos do Vitor Angelo no Dus****Infernus, dêem uma olhada!

Anúncios

3 opiniões sobre “Os 40 anos de 68”

  1. Márcia, é muito engraçado ver este post e acabar sentindo que fiz parte dessa época. Mesmo tendo apensa 24 anos. Me sinto tão ligada que meu marido é de 68 e completará 40 anos no mês de Junho, e ele me conta de muitas coisas que decorreram após Maio de 68. Adorei o scrap. Acabou me fazendo lembrar dele, que está trabalhando fora de São Paulo e só volta na próxima semana! E não deixa de ser uma história da moda e tanto, hein?!
    Beijinhos e bom domingo!

  2. Márcia, que ótimo repensar maio de 68, foi um exercício incrível de perceber que somos reflexos daquela geração.
    Adorei o link pro dusinfernus!!!!
    Sobre o Orkut, não entendi isso não aceitar gente do Brasil, vou ver o que está acontecendo
    bjs

  3. esperava mais agitação em torno das “comemorações” da data. Não vi muito sendo feito, nada que alcançasse a importância dos feitos, ao menos. Uma pena…

    Beijocas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s