Conversas sobre Jornalismo de Moda: Simone Esmanhotto

Dando continuidade à série de mini-entrevistas sobre os desafios de escrever sobre moda como profissão. Hoje é a vez de Simone Esmanhotto, que foi editora de texto da Elle e, atualmente, escreve para a Revista A, publicação da Ed. Abril voltada para o público do mercado de luxo. Ela também tem um blog, o C’est Sissi Bon – super legal e onde publica, principalmente, textos muito bons com pesquisas sobre ícones da moda.

Bainha: Qual ou quais formações você acha importante um jornalista de moda ter? O que pesa mais, um curso de jornalismo ou de moda?
Simone Esmanhotto:
Eu tenho os dois diplomas e acho que nenhum pesa mais do que conhecimento, talento, aptidão e curiosidade/vontade de falar do assunto. Jamais se colocar em primeiro plano na história também ajuda. Acredito que jornalistas muito bons – sempre atrás das velhas questões (o que, onde, como e porquê – essas últimas sempre mais bacanas de responder) – e “modeiros” que ultrapassam a superfície do consumo imediato (aquela fatia que não confunde shopping com trabalhar com moda) têm iguais chances de escrever textos mais justos.
B: Além da formação acadêmica, aonde um bom jornalista de moda pode buscar mais informações (só de moda? arte? cultura em geral?)
Simone:
No mundo – no presente, no passado e na futurologia. Moda é comportamento, é parte da história social. Querer tirar do contexto é se preocupar só se “amarelo está na moda? Compro ou não um vestido nessa cor?”. Isso é para consumidor (não que a gente não consuma tabém…). Não para jornalista do métier.
B: Você acha que crítica de desfiles tem espaço apenas em veículos voltados para um público mais especializado ou nos mais abrangentes também?
Simone: Design – moda incluída – e arquitetura são as artes do Século 21. E o espaço que a moda vem conquistando em veículos de info geral, sejam megajornais como o New York Times ou revistinhas de bairro, só mostra a importância do assunto. É claro que o fato de ser uma indústria de 300 bilhões de dólares ajuda neste peso: moda anuncia. Mas o mundo se veste todos os dias quando sai da cama, depois de escovar os dentes. Então o mundo quer saber o que vai vestir amanhã. Aí entram os veículos – eles vão mostrar isso de maneiras diferentes, de acordo com o leitor. O que muda é o nível da informação, a linguagem. Em uma revista de celebridades, por exemplo, não faz sentido se aprofundar em história de moda, em seguir a trajetória de uma marca, a evolução dos últimos desfiles. Basta ver o que as “celebs” usam. A informação não é melhor ou pior – é só focada.
B: Você acha que críticas têm algum tipo de regra de até onde ir, de limite?
Simone: Eu sigo alguns parâmetros, nesta ordem:
– avaliar tecido, corte e costura: sem isso, moda não é moda. Não adianta ter idéia boa e mal realizada
– saber a história de uma marca e como ela vem evoluindo. você avalia um desfile dentro desta linha do tempo da própria marca
– o estilista consegue manter uma linha sem se repetir?; se o estilista se propôs um desafio, ele conseguiu isso?; se ele foi desafiado, como respondeu a isso?
– a marca e o momento: é bom olhar se a proposta da marca faz sentido no mundo atual, se ela aponta para possibilidades novas; como as marcas se conversam?
– conhecer história da moda; ajuda a não achar genial algo que já existe há 40 anos…
De resto, eu não acredito em falar mal, em frases negativas. Acredito que seja possível dizer tudo o que se pensa de maneira delicada e respeitosa. É sempre bom lembrar que – na moda e na vida – tem sempre um esforço que não precisa ser espinafrado (tem que segurar o poder no teclado). É preciso apontar o que não funciona e justificar também, para abrir caminhos e as coisas caminharem para melhor – para o bem dos closets!

Não sei quanto a vocês, mas estou A-DO-RAN-DO tudo o que os profissionais têm respondido. Depois vou comentar melhor.

Próxima entrevista será com Jorge Wakabara, que agora está no portal da Editora Abril.

APÊNDICE DE ÚLTIMA HORA: O Glauco, do Descolex, fez uma entrevista muito legal com a Mercedes Tristão, uma das sócias da namídia, assessoria de imprensa que tem como clientes o evento Casa dos Criadores e Ronaldo Fraga. Ótimo para quem quer saber mais sobre o trabalho de um assessor de imprensa (já que estamos falando de profissões que um jornalista pode exercer, corre lá, pueblo).
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7 opiniões sobre “Conversas sobre Jornalismo de Moda: Simone Esmanhotto”

  1. eu também to MEGA curtindo, de verdade. quanto ensinamento bom, não? quanta coisa pra prestar atenção e tentar absorver – na teoria e especialmente na prática! arrasou na idéia, nas perguntas e na coisa toda! =)

  2. gentemmm,

    que delícia a entrevista, amei a parte da crítica quando ela diz que escrever sem falar, do tecido, do corte e da tendência, nao é moda e p isso deve ter todos estes detalhes e, que achar algo súper bonetinhu hje que na realidade foi reinventado embasando na moda de 40 anos atrás, é uóoo.

    adorei, adorei, adorei….

    leu as entrevistinhas no meu blog? tb falo de crítica de moda lá

    bjusssssssss

  3. Huummmm, muito boa entrevista!!!!
    Ah, tá vindo pra Sampa fazer pós na Santa?! Que tuuuudo em menina. Boa sorte, viu?
    Só não sei poderei te ajudar qto ao emprego pois também estou louca pra conseguir um! Mas muito boa sorte e que a pós seja muito proveitosa,e consiga um lugar legal pra trampar bem rápido (se já não conseguiu!).
    Beijos e boa sorte.

  4. Honey, passando aqui para retribuir tantas visitas ao Descolex e também agradecer a indicação da entrevista da Mercedes! :-))) Super beijo.

  5. Marcia, adoro tua iniciativa! Eu também sou jornalista de moda, escrevo para uma revista em Paris, e por incrível que pareça, estudei com a Simone no colégio e reencontrei minha amiga no teu blog 🙂 Levo 8 anos fora do Brasil, e nao sabia que a Simone e eu somos amigas de profissao!!! Coisas da Web 2.0, esta maravilha. Eu tenho é que voltar a atualizar meu blog, porque ultimamente nao tenho tido tempo para nada. Vergonha total! Sorte com teus projetos.

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