Cópias e inspirações

Ovelha Dolly, apesar de clone, era fofa!

A historinha de hoje pode parecer um pouco de metideza minha, mas o foco não é o que aconteceu comigo – mas isso acabou virando estopim para refletir sobre cópias e inspirações no mundo da moda. Mas, me atropelei – antes vou contar o causo de hoje.

Eu adoro tirar fotos nas horas vagas, de brincadeira. Fotografo minhas viagens teatrais que tenho desde criança, abrir o armário e me montar em personagens, ícones, etc. Ou então fazer plágios e citações de imagens icônicas que eu gosto, como os Beatles atravessando a Abbey Road. Um belo dia, uma amiga sugeriu que eu colocasse as minhas fotos e as originais no Orkut (as que eu citei de propósito e as que pareciam sem querer). A Helena, do Meninas da Chocolate, já tinha até citado a brincadeira neste post.

Esta é uma das brincadeiras que eu fiz no Orkut,

com a personagem Isabelle de The Dreamers, do Bertolucci.

Como meu Orkut é oldschool e não tranco álbuns nem scraps, pessoas que nem me conhecem olham meu perfil (assim como eu também olho os dos outros – mas com a bina desligada porque acho isso meio sem-noção). E foi assim que um dia, por curiosidade, entrei na página de uma pessoa que vivia aparecendo na minha bina entre os dez visitantes. E não é que a pessoa tinha feito uma brincadeira MUITO parecida?

Mostrei para algumas amigas e elas ficaram bravas – mas me surpreendi com a minha reação. Não que a tal brincadeira seja genial, mas achei superlegal alguém se inspirar em mim – sinal que fiz algo de bom. Carência? Sei lá, posso resolver isso com terapia depois, mas achei legal. Mesmo que a cópia (ou influência) não tenha ficado muito boa… Se formos pensar, ela já foi a cópia da cópia, porque a minha brincadeira é justamente sobre “xerox” de ícones.

Refletindo sobre essa questão do original x cópia (quase peguei meu texto mais lido durante a faculdade, A Obra de Arte na Era da Reprodutibilidade Técnica, de Walter Benjamin, mas achei que falar de aura e etc; ficaria muito acadêmico…), levei essa sensação para a moda.

Uma marca criadora se importa de ser copiada por outras? Não acaba sendo um sinal de status? Ela acaba sendo lançadora de novidades (o que pode ser um peso, a responsabilidade de inovar sempre). Guesquière não virou um dos estilistas mais copiados com seus trabalhos na Balenciaga? Qualquer coisa estruturada, hoje em dia, é cópia (quando muito explícito) ou inspirada na marca. Mas acabei vendo semelhança nessa estruturação da roupa e os figurinos dos filmes de Wong Kar Wai, como escrevi neste post. Todo mundo disse que quem levou os lenços étnicos para a moda foi a Balenciaga, mas quem acompanha blogs de streestyle lembra que os lenços árabes já figuravam no pescoço de muitos gringos, antes da marca desfilar (e agora que eu sou uma desempregada com tempo, vou caçar essas fotos até conseguir comprovar esta minha teoria! hehehe).

Cópias, influências, tendências, vontades, inconsciente coletivo, imagens icônicas, arquétipos… Tudo está interligado e fica muito difícil de separar o joio do trigo, não acham? O copiado podia até se sentir lisonjeado (se bem que Margo Channing nem gostou do que Eve fez em A MalvadaAll About Eve, 1950, filme lendário com a diiiiva Bette Davis). E o copiador um pouquinho chateado por não ter conseguido fazer algo legal com coisas da própria cabeça. Mas… não dizem que na vida nada se cria, tudo se transforma? Então, o que é meu, com o jeito alheio, vira outra coisa. Ou não!

Eve e Margo Channing – uma roubou o lugar da outra. Mas, Eve, Bette Davis te despreza!

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11 opiniões sobre “Cópias e inspirações”

  1. Adorei o seu post.
    Em dias de fast fashion, fica até meio dificil, saber quem está criando o que!
    Eu não gosto desse lance de cópias, acho algo meio chato, tanto para marca, como para quem copia, acho uma falta de talento e criatividade.

    Abraços,Verson!

  2. Adorei o post, difícil mesmo saber quem copia quem ou se é tudo um inconsciente coletivo… Bjão

  3. Tem várias categorias né, tipo:
    Esse é original 2nd linha… pode levar custa tlinta e tles leais…
    Copiei mesmo e daí!
    É uma inspiração somente… (uhum)
    Nossa não é que tivemos a mesma idéia…
    Quem me copiou foi vc maldita… hahahiaiahhahia

    Beijos!

  4. pode ser sim uma espécie de homenagem ser copiada, usada como inspiração, mas isso só quando você não queima neurônios e neurônios e trabalha arduamente pra produzir algo criativo e inovador, alguma coisa pra chamar de sua, enfim, e vem alguém fesquinho passa o papel carbono e pronto?! Ná-não!

    Beijocas e adorei o tema.

  5. Honey, você tem um texto tão gostoso e interessante que me peguei lendo todos os posts dessa página.
    Sobre essa onda de cópia, sei lá. Já senti essa mesma coisa que você. Ao ponto de achar legal alguém “te copiar”. Mas depois achei chato denovo. De maneira geral, dá uma infladinha no ego. Mas ainda preciso trabalhar isso melhor.

    AHUSAHu.

  6. eu concordo em parte. marie rucki disse que a última grande inveção da moda foi a mini-sia, e desde então o que a gente vê é repeteco do que já foi feito. mas não é muito mais legal quando a gente vê coisas repetidas, mas acrescidas de visão pessoal de quem re-fez? não é muito mais inteligente acrescentar opinião e personalidade própria, mesmo nas releituras? especialmente na moda, espaço em que a gente precisa taaaanto do novo! o novo, no caso, não precisa ser inédito, mas pode ser novo em leituras, em referências extras, pode estimular a gente a etudar e procurar o que tem de re-lido no que foi feito, no que é apresentado. e, na minh ahumilde opinião, vale pra tudo (em moda): pra roupa, pra proposta de estilo, pra texto, pra blog, pra revista, pra editorial, pra catálogo, pra tudo.
    *
    mais pessoalmente ainda, quanso fico sabendo de textos do oficina copiados, me sinto bem pouco homenageada ou lisonjeada. e fico curiosa pra saber o que, exatamente, quem copiou pensa sobre o que EU escrevi. =)

  7. Copiou se inspirou, d^e o credito.
    Apropricao nada mais e que encobrir falta de talento e sem dar os devidos creditos e falta de talento e roubo

  8. Andei visitando para estudo uns museus e uns acervos de moda em Madrid, Paris, Praga e Lisboa e confesso que tudo já foi feito e há muitos anos..mais anos que imaginamos e sinceramente estamos na época da pouca criatividade e muita reprodutibilidade. Depois da mini-saia nada novo apareceu mesmo, daí que fica sutil a fronteira das cópias. Nenhuma grande marca escapa..resta mesmo é voltarmos os olhos pra civilidade da criatividade.

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