Ainda sobre o Fashion Rio…

Ok, de alguém que cobria o Fashion Rio para uma blogueira de moda relapsa que nem fala nada, é um grande buraco. Ok também, o Fashion rio já acabou e agora já começou o SPFW (esse ano nem resolveram dar uma trégua para os fashionistas né?). Mas eu precisava falar!!! hehe

Na última edição do evento, comentei aqui, num post muy indignado, da gongação de alguns profissionais do jornalismo de moda faziam sobre o evento. Reclamei da falta de caso, não com os desfiles em si, mas com bobeiras que não tem nada a ver com moda e que pareciam mais picuinha e implicância do que opiniões concretas de crítica – o papel de quem se presta a ser crítico de alguma coisa.

Pois bem, não sou ninguém e entendo pouquíssimo de moda, eu acredito. Mas esse é o meu espaço e, apesar da minha opinião não valer de nada, vou expressá-la. Gostei de pouquíssimos desfiles que vi, dessa vez, por fotos. Mais do mesmo. Sem contar que, como disse a Ale Farah no excelente texto dela na coluna do IG sobre o FR, parece que os estilistas não sabem pra quem estão fazendo as coleções.
E isso serve também para as marcas da SPFW. Quer saber? A moda brasileira é feita para ela mesma, para revistas, para vestir celebridades. Perguntei a alguns amigos que gostam de moda, mas são “leigos”, digamos assim, e metade não sabia nem que estava tendo as semanas já. Pois é.
Hoje, arrumando meu guarda roupa, reparei que eu, que gosto de moda, estudo moda, escrevo sobre moda e trabalho com moda, não tenho quase nenhuma peça das marcas brasileiras que desfilam. Das internacionais, nem perfume. Que eu me lembre agora, tenho roupas da Espaço Fashion e da Cantão, e uma blusa da Osklen (na época que existiam coisas por menos de R$100 na Osklen…). Sabem por que? Porque eu acho caro. Não acho certo gastar tanto dinheiro em uma roupa quando se tem prioridades mais caras e com efeitos mais duradouros.
Contraditório? Muito! Gosto menos de moda, por causa disso? Acho que não. Não me acho bem vestida, muito menos estilosa e às vezes isso me incomoda. Como toda mulher, também reclamou que não tenho roupa. Mas não vou gastar mais de R$100 numa peça de roupa comum, que é pra “bater”. Tive que abrir essa excessão pro jeans, porque está muito difícil achar um jeans barato. Não cogito, nem quando fui madrinha de casamento, comprar um vestido da Maria Bonita Extra, marca que eu adoro, por aproximadamente R$700. É mais caro que a televisão que eu quero comprar. É mais caro que o sofá que eu quero comprar.
Roupas cobrem nosso corpo, mas duram pouco, ficam batidas, ficam fora de moda. Sofás também ficam fora de moda, mas são bens um pouco mais duráveis. Ou então prefiro comprar tudo isso em livro. Ou ir milhões de vezes ao cinema, ou sair com os amigos e me divertir. Ou viajar…
Não acho, não acho mesmo, que certas peças de roupa realmente custam o que custam. que tem esse valor. E também não me importo de pagar pela marca. Também não julgo quem gaste, cada um faz o que quer com o dinheiro, queria ter muuuito mais dinheiro sobrando pra poder comprar sem achar que poderia comprar algo mais útil e mais valioso. É uma questão de criação, meus pais são muito simples e econômicos. Por isso, hoje, podem me dar tudo que eu preciso, apesar de eu já ganhar meu dinheirinho.
Quando se fala que as coleções estão mais austeras por causa da crise… pera aí? Fico pobre e fico austero? Não! Fico pobre e não compro roupa! Que desculpa mais esfarrapada de vender uma tendência dizendo que é por causa da crise. Uma coisa foi a moda austera de épocas difíceis como da 2ª Guerra. Outra é dizer que se vestir enfeiando-se (porque pra mim esse lance de ombros impensos, calça baggy, etc; é para se enfeiar) seja por causa da crise. ACORDEM, mulher brasileira não gosta disso!

Em tempos de crise, seria melhor tentar despertar o desejo de compra MESMO que você não tenha dinheiro, certo? E em alguns desfiles que eu vi, eu senti esse desejo. Poucos!

Às vezes fico muito iludida com esse mundeeenho todo, não só da moda, mas o do jornalismo também… sinto que é um engodo, mentirinha… tudo fake! Mas sei que, lá no fundo nem é, só não podemos nos levar tão a sério. Assim como vocês também não deveriam levar este post a sério… são só divagações…
PS.: alguém que esteja no SPFW me conta qual Carmen Miranda é homenageada para retratar a identidade brasileira: a Carmen cantora de rádio, de sambas dos melhores intérpretes da época, irreverente e que adorava pular carnaval; ou a Carmen montada por Hollywood, carregada de todos os clichês possíveis que os ianques tem dos latinos?
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4 opiniões sobre “Ainda sobre o Fashion Rio…”

  1. Márcia, concordo com vc.
    Moda tem se tornado cara demais, por isso que as pessoas consideram como algo tão fútil. Não sou de comprar roupas dessas marcas, embora eu adore essas coleções.
    Adoro seu blog, tenho passado muito por aqui!

  2. Me identifico com você, pois adoro moda, mas não tenho cacife pra bancar tudo o que gosto e também fico desanimada com esses desfiles descontextualizados (eu acho). REsta-nos é ter muita criatividade pra nos sentirmos bem vestidas…
    Beijão

  3. Parabéns pelo texto. Concordo com tudo… esse tal “mundinho fashion” precisa acordar!
    Beijos

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