A crise na moda e a moda da crise

Dr. Vitor Angelo disse pra colocar isso aqui no blog, ou no dele, então lá vai! Vamos pra polêmica Brasíu!

A história é a seguinte: ele disse, neste post, que a palavra crise estava aparecendo de mais, que tinha virado moda. Que o Brasil, país pobre de terceiro mundo, sempre conviveu com o que os ricos sofriam agora: desemprego, índices da economia negativos, etc. O post gerou polêmica, muita gente gostou, mas teve gente que perguntou “como assim não existe crise”?

Mas eu entendo o que ele quis dizer. Crise para o povo da moda, principalmente os brasileiros, me parece muito mais uma tendência pra colocar na passarela do que realidade. Por exemplo: quando você está duro, sem dinheiro e sem emprego, você anda de preto? Não, eu ando com as minhas roupas de sempre. Só vou gastar com coisas que não vou morrer sem se eu ficar simplesmente apaixonada por aquilo. Se for muito bonito. E o que as pessoas acham bonito? Acho que a maioria não acha bonito algo do tipo…”fantasia de europeus na época da 2ª Guerra” (a tal “moda austera”).

Esta é a principal influência dos novos auteros. Austeridade é o novo preto. Aliás, o preto também é austero. Por isso que eu acho a moda piriguete muito mais sincera. Queremos ser sensuais e aproveitar as coisas que não são atingidas pela crise – porque sim, ela existe e ameaça o emprego de muita gente. Talvez até o meu. O Brasil sempre ficou meio capenga, mas agora todo cuidado é pouco.

Como disse pro Vitor, será que, mesmo falando de crise toda hora, as marcas irão abaixar os preços surreais de suas peças na próxima coleção? Podem vir me xingar depois se elas abaixarem, porque acho que vai continuar a mesma coisa. Tão fora da realidade da maioria como antes. Sabiam que eu não sou nada contra as “cópias” nas lojas de fast fashion.? Não sou hipócrita, não tenho $ pra investir em novos criadores. Os novos criadores são muito caros (porque é muito caro produzir em pequena escala?). Nem para comprar as tops. Ora minha gente, eu ganho menos de 2.000, é esse o meu mundo de consumo e só assim consigo ser “moderna” dentro dos padrões atuais. Usando as “últimas tendências” da Renner. Na verdade, como eu disse, até teria – se achasse que isso fosse imprecindível pra mim. Às vezes fico me questionando: pra trabalhar com moda tenho que ficar pobre antes, comprando roupa pra aparecer e entrar na roda? Jura que tem?

E podem me xingar: USO VISCOLYCRA SIM E TO NEM AÍ! heuhauehuaheh

Por isso eu gostei muito da entrevista do Ricardo Almeida para a Folha na sexta. Ele disse que, com a alta do dólar, os tecidos de altíssima qualidade que ele produz seus ternos (maravilhosos, todo mundo sabe), ficaram mais caros, portanto ele terá que aumentar o preço dos produtos. E acredita que, mesmo com a crise, quem é seu cliente vai continuar comprando. Porque os milionários de verdade (não os consumistas desenfreados que aparentam riqueza) só vão ter alguns milzinhos descontados com a “crise”. Concordo com Ricardo. Que, aliás, aposta nas cores em sua nova coleção, adorei!

O que eu vejo ser dito em poucos blogs e matérias por aí é que esta crise é a crise do consumo exagerado. É a crise Carrie Bradshaw. A crise do cheque especial, do cartão estourado. Venderam-se tantos sonhos de consumo que virou pesadelo! Outro dia estava lendo uma nota que Sarah Jessica Parker ainda não dá notícias sobre o segundo filme de Sex and the City. Acho super legal, gosto mesmo, como disse Patricia Fields nos extras, é puro e bom entretenimento. Mas acho que estaria mais na moda um entretenimento tipo Friends, na atual conjuntura. Carrie é o exemplo do que a gente poderia ser ontem e não pode mais. Porque a crise taí mesmo. Não dá pra negar. O feio é usar a bancarrota alheia como desculpa pra achar “novidades fashion”.

PS.: NÃO ACEITO comentários anônimos pixando meu blog. Se você discorda, estamos num país livre o suficiente para debater. Se acha meu texto sofrível, então não me contrate quando tiver oportunidade. Não veto o comentário negativo, e sim essa palhaçada de anonimato. E apesar de ser jornalista, meu blog NÃO É de jornalismo de moda. Jornalismo de moda você pode achar no Chic, na Erika, nas revistas, no Alcino. Se não gosta do blog, não venha. Meu objetivo nao é ser o mais visitado nem o mais comentado. Não precisa perder seu tempo comentando coisas sarcásticas no comentário de uma zé-ninguém.
PS 2.: Gente, não estou dizendo que a crise não existe. Existe sim! A crítica é para setores do mundo da moda que usam a desgraça do sistema financeiro como desculpa para criar coleções e conceitos, mas na prática não altera nada. Afinal, nas marcas brasileiras, por exemplo, a maioria dos clientes delas não vai ser afetada. Quem não podia comprar, vai continuar não comprando.
Capiche?

3 opiniões sobre “A crise na moda e a moda da crise”

  1. adoro seu blog, frequentemente vc escreve exatamente o que eu penso. e e especialmente bom ler depois de ver tanta bobagem em outros blogs de moda (e tanto “it-isso”, “it-aquilo”, tem que ter isso, tem que ter aquilo…).
    um beijo

  2. Nossa arrasou!

    Postei há um tepo sobre essa ” crise”. Pra mim é deculpa pra patrão chorar miséria. Eu semrpe vivi sem dinheiro e nunca me queixei de crise internacional.

    bju

  3. seu texto levanta pontos ainda mais interessantes do debate que lancei. vou linkar no meu texto Crise?
    sobre anonimato, acho podre, sempre, gente covarde…

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