Jornalismo, diploma, moda e algumas questões

Jornalismo, diploma, moda e algumas questões
Suzy, vc tem diploma?

Fiz 4 anos de faculdade e paguei uns… (melhor não calcular o quanto gastei neste tempo)… para o Sr. Gilmar Mendes e Cia. tirarem a obrigatoriedade do diploma para ser jornalista. Mas a verdade é que no Jornalismo de Moda, uns 20% dos profissionais levam esse papel (agora inútil) debaixo do braço.

O debate precisa ou não precisa ser jornalista pra falar de moda… sinceramente, 00:35, não dá pra entrar nessa discussão. Mas gostaria de partilhar algumas questões com vocês, questões que levantamos numa matéria que acabei de ter na pós, Comunicação de Moda, com a Astrid Façanha. Não vou dar minhas opiniões, apenas jogar no vento as questões e ver os pitacos dos leitores.

1) Algumas pessoas podem não saber, mas a editoria de moda é motivo de piadinhas entre os colegas jornalistas. Além do estigma tradicional da futilidade, jornalistas de moda costumam ter práticas comuns no meio, mas estranhos às outras editorias. Por exemplo, jornalista de economia não costuma ser amigo do peito de dono de banco, financista, economista, etc. Será que isso contribui para o estranhamento dos outros coleguinhas? Sempre me lembro de Quase Famosos, “não fique amigo dos caras!”.

2) Não estou agourando amizades, mas será que a proximidade com o meio não prejudica a crítica de desfiles? Como vou fazer alguma ressalva se o cara frequenta a minha casa, se vamos pras baladas juntos…? Amigos, amigos, negócios à parte?

3) Aliás, alguns jornalistas já se auto-chamam de críticos. Mas EXISTE crítica de desfiles? Ou apenas comentários? Críticos de arte são suuuuuuper especializados, críticos literários… falta aprofundar, né não?

4) No mundo dos blogs, twitter, é o cidadão, o seu vizinho do lado, alguém como você que dá a notícia, sem mediação de um veículo – o que pode dar mais veracidade… ou não!!!! Como confiar 100%?

5) Aquela minha aula de ética super chata, e aquelas aulas de técnicas de reportagem e de redação (que eram legais) ensinaram a apurar e checar TU-DO antes de publicar. Já errei e todo mundo já errou, mas acho que era bom os que não tiveram aula disso ficarem sabendo também.

6) Assessorias de imprensa e agências de publicidade poderiam conhecer melhor blogs… focar nos certos, conhecer os novos, saber do que tratam MESMO, não distribuir releases ao vento… Ou então ingnorá-los solenemente, o que é PIOR ainda…

7) Agências, aliás, podiam saber que, mesmo a maioria não sendo profissional de comunicação, nego não é bobo e sabe o que é jabá, matéria comprada, etc; e que isso é feio… E que propor isso pega mal pro cliente…

8) Puxar tapete dos outros é muito feio…

9) Humildade sempre… e acho legal também conhecer gente de outros meios…

10) Se um veículo é grandinho, podia pensar no leitor que não entende lhufas de moda, não é mesmo? Sociedades fechadas acabam definhando… praticam canibalismo e talz.

Bom, era isso.
Beijosdesliga.

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8 opiniões sobre “Jornalismo, diploma, moda e algumas questões”

  1. Adoro uma polêmica hahahaha
    Vamos lá.

    Eu não sou jornalista, e a história do diploma não mudou minha vida. Bem que eu acharia interessante um boato que ouvi sobre uma especialização de 1 ano e meio em jornalismo para quem tivesse outro curso superior.
    Acho que isso surpriria a falta que as aulas de ética, técnicas de reportagem e redação fazem para as pessoas, como moi, que não cursaram jornalismo.

    Mas vou colocar a minha experiência super pessoal aqui… Não sei como que a galerinha que tá saindo das faculdades de jornalismo passa em matérias como estas.
    Mais uma vez… não sou jornalista (eu era daquelas aspirantes a publicitárias que tinha horror a jornalistas). Só que na aula de introdução ao jornalismo, que eu era obrigada a assistir, a professora passou por todos estes tópicos. Sendo isso, a única coisa que sei de fato sobre a profissão de jornalista. E é o que eu mais sinto falta… Será que é só má sorte minha, ou estes jovens realmente andam com preguiça de apurar matérias? E a curiosidade? NOSSA! Curiosidade é qualidade raríssima. Deveria ganhar destaque no currículo, sabe. Ninguém tem vontade de se aprofundar nos assuntos.

    Ontem mesmo, vi um anúncio na revista de um celular japonês super gracinha. Resolvi googar, achei o site e descobri que ele era assinado por uma artista japonesa. Fui pesquisar sobre a artista e encontrei um trabalho incrível todo de bolinhas.

    Eu que tenho uma idéia completamente errada sobre os jornalistas ou era pra eles terem esse tipo de curiosidade? Esta sede de conhecimento, de saber todos os detalhes de um assunto para poder contar com riqueza de detalhes para os leitores, ou simplesmente filtrar as informações de acordo com a relevância daquilo pro veículo?

    E sobre as amizades… O grande problema é que o mercado de moda não tem sua vida pública exposta. Todo mundo tem medo de contar seus segredos… Ah, sei lá. Não sou amiga de ninguém ahhahahaa

    Agora, uma coisa é fato: adoro esse isolamento do Modices. Não gosto de sociabilizar em festinhas da moda… Coisa fundamental na provinciana Rio de Janeiro para você "ser alguém". Quero ser alguém pelos meus méritos e não pela "balada" que vou. Sabe como?

    Ufa.

  2. Carla, suas implicâncias com jornalismo vindas da faculdade até procedem, mas tb não me venha depois defender publicitário ehuehuaehuaheuaeh

    eu acho exagero tirar o diploma. na verdade, eu acho que foi uma estratégia para diminuírem o poder de fogo da imprensa…

    e tb não sei que economista LOUCO vai querer largar a economia pra ser jornalista. que cientista político LOUCO vai largar a carreira acadêmica para virar jornalista político, etc.

    JORNALISMO É ROUBADA, GENTE! HAHAAHAHAHAH

  3. Márcia! Já passei por essa aula da Astrid, hehehe. Muito boa! Ó, eu sou jornalista e fiz pós em moda por que queria trabalhar com jornalismo de moda. Acho que foi a melhor coisa que fiz por mim – a pós me ajudou muito a orientar meus estudos sobre moda e tals.

    Antes, eu era defensora ferrenha do diploma e que pessoas que não fossem jornalistas não deveriam escrever nada. Mas aí eu comecei a prestar atenção em textos da Tati conforme fui ficando amiga dela. E juro, não é puxação de saco, isso me fez muito ficar com a pulga atrás da orelha. Por que ela não é jornalista, mas escreve bem DEMAIS, né?

    Então, não sei bem, os cursos realmente precisam ser reformulados. Quem sabe agora, com essa nova determinação, as faculdades corram atrás de tornar seus cursos verdadeiramente necessários e o negócio se torne positivo…

    Enfim, como a Carla falou, parece que hoje é mais jornalista quem tem esse espírito curioso, 'escritor', dentro de si… e os bons profissionais são sempre bons profissionais – não importando que faculdade fizeram. Eu não seria uma boa jornalista se não tivesse feito faculdade. Talvez seja diferente com outras pessoas.

    Não sei bem ainda organizar meus pensamentos a respeio do assunto ainda, como deve ter dado para perceber nesse textinho, tô aquela coisa, esperando a poeira baixar.

    Mas que dá uma dorzinha no coração essa derrubada, dá, né?

    Adorei o debate!

    : *

    Lets

  4. Essa história do diploma anda me assombrando…

    faço jornalismo…
    e tô total meio abobalhada ainda…
    :/

    acho que tudo isso ainda vai dar mto o que falar!

    Beijão

    by: beta macedo

  5. Oi Márcia!! =)

    Sabe, acho que no caso de jornalismo científico o diploma de jornalista atrapalha.. hehe Preconceitos à parte, sempre prefiro ler divulgação feita por um especialista do que por um jornalista, porque me parece que os jornalistas não têm uma formação sobre coisas de Ciências..
    Acho isso porque já li taaaaanta coisa errada por aí, que dava vontade de chorar, sabe aquelas reações: "como assim? quem é que escreveu esse absurdo?".. Eu acho que seria a coisa mais legal do mundo se o curso de jornalismo mudasse e se especializasse, ou que em cursos especializados (por exemplo biologia, ou física ou química, medicina, moda, sei lá..) tivessem divisões para quem quer seguir como jornalista na área, porque assim toda a informação teria mais fundamento.. Eu sei como é difícil quando te mandam escrever sobre alguma coisa que você não faz a menor idéia, e daí você vai atrás de um especialista, pergunta e tenta juntar as coisas.. Nem sempre dá certo, e acho que nesse caso "ter um diploma" de jornalismo não deve mudar muita coisa..

    Eu acho que na atual situação o curso em si não me parece ser tão fundamental (opinião de quem não entende nada do assunto e fala especificamente sobre reportagens de coisas científicas..), mas acho totalmente errado: acho que se os cursos fossem reformulados de maneira a ser fundamental todo mundo sairia ganhando!

    Bjos!

  6. HUMM… parece que a discursão tá meio quente, mas enfimmmmm. Não há males, que para quem quer que seja venha para bem!

    Com todo meu respeito a Suzy Menkes – que adorooo – acredito na força do diploma, ele estabeleçe a base pra quem não quer aprender tudo na marra, com a vida.
    Como estudante de jornalismo, aspirante a jornalista de moda, defendo que uma base fashion é essencial nisto. Antes do jornalismo era designer, criava e recriava, furava o dedo com agulha e tudo mais. Sei que só ter uma opinião sobre moda não é o bastante, não é sólido. Acho que o jornalista de moda precisa MESMO entender o passo-a-passo da coisa, o processo. Identificar tendências, falar de cores, formas, inspirações e comercialidade é muito bom – mas MODA é arte e como tal representa o processo cultural da civilização.

    Aos coloegas jornalistas que acham isso frivolidade…arte é arte, assim como comércio de moda é comercio, quanto a isso não há questionamentos!

  7. Bem, eu sou estudante de jornalismo, e a favor do diploma. Concordo com o que você disse. Ainda não consigo acreditar que o Gilmar Mendes comparou a necessidade do diploma de jornalismo à necessidade de cozinheiros serem formados em Gastronomia… Mas eu acho que com calma e muita seriedade, quem sabe o diploma pode até voltar.

    Viu? http://www.estadao.com.br/noticias/geral,protocolada-pec-que-restitui-diploma-de-jornalismo,396358,0.htm

    Beijo!

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