Ainda sobre jornalismo: Gay Talese


Gay Talese, MUITO chique.

Ainda sobre o debate do jornalismo, eu sou a favor do diploma simplesmente porque já é MUITO difícil ser jornalista com diploma, imagina sem. Mas, aconselho aqueles que são formados em outras carreiras a não cometerem a insanidade de virarem jornalistas hahahahaha! Você vai ganhar mal e trabalhar muito pra que, se já deve ter feito uma carreira mais promissora?

Profissional ruim tem em toda profissão… vamos combinar? E olha que alguns profissionais ruins são muito mais nocivos, tipo médico ruim, engenheiro ruim… Jornalista ruim também pode ferrar a vida de alguém, por isso acho que é irresponsabilidade de mais fazer jornalismo descompromissado.

Por isso eu disse: fazer uma matéria não é apenas saber escrever, é saber apurar. Sabiam que antigamente, em alguns jornais, os repórter apenas apuravam e quem escrevia era o redator? O grande problema do jornalismo é a apuração. É aí que temos a diferença entre bom e mau jornalismo. E eu acho que é aí que vamos nos dar mal se continuarmos na linha do eu-jornalista.

Mas vamos ao tema deste post da hora de almoço? Gay Talese chegou em Paraty e eu aqui. Pra quem não sabe, Talese é um dos “fundadores” do New Journalism, ou jornalismo literário. Ele e outros nomes como Tom Wolf transformaram grandes reportagens em literatura de não-ficção , fugindo um pouco do jornalismo “massificado” da pirâmide invertida, lead, etc; modelo de jornalismo inventado pelos americanos e hoje padrão de todos (ou quase todos) veículos.

Ele deu entrevista para a Folha e para o Globo de hoje. Filho de um alfaiate, Talese teve que mudar de pousada para conseguir guardar os 6 ternos que trouxe para o evento (com colete, terno MESMO, não costume), segundo O Globo. Na Folha, ele disse o seguinte:

“E a Internet? E a notícia da morte do cantor, antecipada pelo site TMZ? E o marco do uso do Twitter nos protestos com as últimas eleições do Irã?”, a Folha pergunta. “A imprensa tradicional já é ruim o suficiente. Internet nem vale a pena discutir”, responde.

E daí segue o parágrafo:

“Mas, nos tempos atuais, é possível ser jornalista sem usar a internet? Ele devolve a pergunta. ‘O que é jornalismo atualmente? Nem sabemos. Todos podem ser jornalistas. Antes a profissão era associada a credibilidade, as pessoas estudavam para praticá-la. Há 25 anos, o jornalismo passou a ficar competitivo da forma errada. Virou uma competição por furos. Esse foi o primeiro erro. Tentar ser o primeiro a dar a notícia, acima de tudo. O problema é que você acaba cometendo erros’”.

Com ou sem diploma, a coisa tá feia.

Filme do dia: “Todos os Homens do Presidente” – já virou clichê, mas ainda é a maior aula de apuração que já contaram.

6 opiniões sobre “Ainda sobre jornalismo: Gay Talese”

  1. Hihihihi, a discussão tá cada vez melhor!

    Talese é tudo, tô passada que ele vai estar na Flip e eu não vou poder ir.

    Ameeei as respostas dele para a Folha.

    : *

  2. Pois é, acho que as pessoas estão confundindo cada vez mais informação com publicidade. acho o seguinte: quer divlgar um produto e receber por isso:ok, mas deixe claro que isso foi pago, que é publicidade. tenho andando por vários blog e me perguntado "kd a informaçao que estava aqui". acho essa falta de regra muito perigoso. espero que tenha conseguido explicar.
    acho que debater (e muito) já é um grande começo.
    adoro aqui!
    beijo

  3. Acho que o problema nesse caso é restringir apenas aos jornalistas o direito de escrever sobre assuntos muito específicos como: medicina, ciência, economia e etc.

    Pegando a área de ciência a melhor revista que temos no Brasil hoje é a Scientific American, onde os artigos são escritos por cientistas. Um jornalista jamais conseguiria, por mais que apurasse os fatos, escrever sobre assuntos de pesquisa de ponta com a profundidade de quem dedica sua vida a isso. Sem falar que um leigo tem muito mais chances de escrever bobagens.

  4. claro anônimo, tens razão, mas revistas científicas (de qualquer área) são feitas de artigos acadêmicos!!!! isso não é jornalismo, elas são publicações de trabalhos de pesquisa de cientistas.

    se estes assuntos fossem chegar aos leigos, ele teria que ser escrito por um jornalista que provavelmente é leigo no assunto e, como TODO BOM jornalista, vai entrevista especialisTAS, confrontar informações, tirar dúvidas com quem entende do assunto. Porque o jornalista BOM aprende a passar para seu leitor a informação que ele não tem de um jeito que ele entenda (e correta, claro).

    Se algumas matérias de assuntos mais cabeludos saem erradas é por dois motivos: o especialista pode ser ruim em passar o que ele sabe ou o jornalista é ruim mesmo.

    por isso, muitos lugares já tem assessoria de imprensa. a assessoria vai fazer o media training dos pesquisadores, especialistas e faz a ponte com os jornalistas. muito provavelmente as informações não vao sair erradas.

    a restrição do diploma é paras veículos jornalísticos – só pode EDITAR um jornal quem é jornalista – de acordo com a regra antiga. revistas cientínficas isso nao existe.

    bom, é isso.

  5. po falar em bons jornalistas, fiz vários erros de digitação e concordância no comentário acima HAHAHAHAHHAHAHAHAHAHA

    to com pressa, bjs

  6. Oi Márcia, to gostando muito dessa discussão. Sou recém jornalista (tipo defendi meu trabalho pra banca ontem!) e já sei como é essa dureza de ser jornalismo

    ai eu me pergunto: pq quem não é jornalista quer ser jornalista? na boa, tem tanta coisa mais fácil ne? hehe

    super concordo com a questao levantada no outro post polêmico. muita gente no jornalismo de moda precisa aprender a ser mais profissional, mais imparcial mesmo né?

    *:

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