Trilogia: Moda dos Machos – Capítulo 1

Quem disse que homem não liga pra moda?

Como eles não são incentivados a pensar sobre o assunto, alguns são bem inseguros em relação à própria imagem, são cheeeios de dúvidas e às vezes querem ousar mais, mas não tem coragem ou não sabem como. Mas nós mulheres também temos muito o que aprender com eles: praticidade e conforto vem em primeiro lugar, eles preferem adequar algo legal á própria imagem do que querer mudar o corpo para adaptar a um ideal de imagem e são super conscientes na hora de fazer compras.

Por isso, decidi entrevistar dois amigos meus, ambos por fora do mondinho da moda, mas que eu acho que têm noções legais de estilo; para dar a palavra a eles: os bofes.

E, para ter uma voz profissional, entrevistei Ricardo Oliveros, que foi editor de moda da Playboy e onde fez um suuuuper trabalho (além de, claro, ser autor do blog Fora de Moda, que a gente adora, né?).

Para os meninos, confesso que fiz perguntas-pegadinhas, algumas bem clichês, só pra ver o que eles responderiam. Para o Oliveros, eu quase falei mais nas perguntas que ele, hehehehe, mas acabou que ele disse coisas incríveis que a gente deixa passar despercebido (será o terceiro post da série, aguardem).

O primeiro entrevistado é o Felipe, o meu amigo de fé, meu irmão camarada. Nos conhecemos na PUC e no início, além de não sermos amigos, éramos bem breguinhas. Eu ainda era BEM hiponga/grunge, e ele só ia de bermuda e Havaianas (e abada!!!! Ele já foi uma vez de abada! Hahahahaha). Mas o tempo foi um pai pra gente, viramos indies, passamos a ouvir Strokes e ficamos mais bonitões.

O estilo do Felipe é bem mixado. Estou tentando achar definições, mas não encontrei. Ao mesmo tempo que ele tem referências bem praianas, como bermudas, camisas mais confortáveis, tem muita coisa urbanóide também (tênis legais, casacos com design legal). Ele cultiva seu super cabelo black e tem também algumas peças africanas que seu pai deu BEM legais e diferentes.

Querem saber as opiniões do Felipe? (Quem quiser marcar um encontro com ele, também to agendando, hahahahaah). Então leiam aqui (Marquei os pontos que eu achei mais curiosos em roxo, ok?):

Bainha: Você pensa no que vai vestir ou pega a primeira coisa do armário?

Felipe: Em geral, quando tomo banho para sair, já imagino o que vou vestir: penso no clima, conforto (calçados e calças, principalmente) e, às vezes, coloco peças para chamar atenção.
B: Você consegue definir um estilo seu de se vestir ou cabra macho não tem dessas coisas?
F:
Acho que não tenho estilo definido. Misturo peças de surfwear com tênis de skatista, calças caretas e camisetas divertidas. Gostaria de ser mais estiloso, mas nem sempre me sinto à vontade para chamar atenção nas ruas, apesar de ter peças no armário que servem para isso. Contribui, também, que não sou exatamente magro para vestir algumas coisas que acho legais. E os preços proibitivos, claro. Uma vez quase caí duro quando estava procurando uma calça no Shopping Leblon: R$ 1.200,00. Prefiro andar feio por aí.

Trilogia: Moda dos Machos - Capítulo 1
O ícone de estilo do Felipe é o Johnny Depp (concordo!)

B: Pesquisas mostram que homens são mais racionais na hora de fazer compras de vestuário. Só vão às compras quando precisam de algo. Você é deste time (e dos que odeiam ter que comprar roupa), ou volta e meia compra algo por impulso?
F:
De fato, minhas compras são mais direcionadas e só vou ao shopping em último caso. Se não estiver precisando, dificilmente compro alguma coisa, mas isso não é regra. Agora, a partir do momento que saio para comprar, costumo pegar o que mexe comigo, sem ficar pesquisando preço de loja em loja, o que acho chatíssimo. Se existissem lojas bacanas no meu caminho de casa, talvez eu gastasse mais. Enquanto elas estiverem em shoppings e ruas específicas, meu orçamento agradece.
B: Muitos homens recorrem a mulheres na hora das compras. Ou elas mesmas compram ou acompanham. Você é um deles? (Resposta: sim, minha amiga Márcia me ajuda HAHAHAH)
F:
Sim, sou um deles. Acho que os homens se vestem muito para mulheres. Gosto da companhia feminina na hora da compra, justamente para pedir a opinião delas. De preferência daquelas que conhecem mais sobre moda e se vestem melhor (Você, Márcia! hehehe)
B: Em quem, ou em que você pensa na hora de escolher o look: no que seus amigos vão pensar? No lugar onde você vai? Nas mulheres (para agradá-las)? Ou só quer ficar confortável?
F:
Acho que nessa equação entra de tudo, com menos peso para a opinião dos amigos e mais para a das meninas. Também me visto de acordo com o local para onde vou. Não me preocupo com o que estou vestindo quando desço até a padaria, mas o visual largado tem limites. Agora, churrasco com amigos e amigas é camisa, bermuda e havaianas velhas. (A casa dele no Rio é o cenário dos MELHORES churrascos desde a época da PUC!)
B: Você repara em roupa das pretês? Já deixou de ficar com alguma ou pegou birrinha porque ela tinha um estilo que você não gostava?
F: Olha, acho que pesa, sim. Tenho implicância com tamancos e babados, não me pergunte o por quê! Uma vez, eu cismei com uma menina porque ela usava uma bolsa de velha, nas costas. Fiquei com a imagem de um Cavaleiro do Zodíaco com armadura nas costas durante todo o encontro. (HAHAHAHAHAH!) Se for muito brega, acho que assusta. E o contrário, pra mim, conta muito. Acho uma graça quando a mulher é estilosa e sabe explorar a feminilidade dentro do seu estilo. (Pra falar verdade, ele é chegado numa “diferente”, entenderam?)
B: Você busca informação de moda em algum tipo de veículo de comunicação? Ou, nas revistas ou outros meios que tem costume de ler, e que têm uma parte de moda masculina, você lê?
F: Quando tinha assinatura da Playboy, lia sempre o editorial de moda, olhando com atenção para os lugares de onde vinham as peças que chamavam minha atenção. Hoje, não tem editorial de moda masculina em nenhuma das publicações que leio regularmente. O problema, de novo, é que esses editoriais visam atingir um público, mais independente, com renda mais elevada. Hoje em dia leio Veja, Superinteressante e jornal, todo dia. Além disso, vejo muito site, principalmente o portal da Globo. A revista de domingo do Globo fala de moda só pra mulheres, praticamente. Até tem anúncio de marcas masculinas, mas aquilo não me atinge de jeito nenhum. Acho que tinha que ser uma coisa meio propaganda de cerveja, sabe? Um cara, bem vestido, pegando uma mulher hahahahahaha (Sem querer, ele descreveu o clima de editorial da Playboy e de outras revistas masculinas). De que adianta um maluco magrelo, de camisa aberta??? Acho que as ruas e meus amigos são as melhores referências de moda que tenho.

B: Você acha que o tempo e as viagens que fez à Europa abriram um pouco seus conceitos de moda? (Ele morou na França por um tempo)
F: Com certeza abriu minha cabeça e passei a prestar mais atenção na moda. Acho que o jeito de vestir-se indica um pouco da personalidade. O brasileiro é mais careta em diversos aspectos. O jovem europeu experimenta muito mais com a roupa. Nota-se nas ruas que os jovens, de modo geral, fogem da caretice. Usam não só roupas diferentes, como muitos acessórios. Acho que a grande quantidade de brechós e os preços acessíveis durante as liquidações possibilitam tudo isso para eles.
Entra aí, também, um aspecto sociológico: o olhar julgador é bem menos repressivo que aqui no Brasil. Os mais antigos lidam melhor com a transgressão dos jovens e não dão tanta bola pras maluquices que vêem nas ruas. E, claro, os mais novos estão se lixando para o que eles acham.
Também acho que eles possuem um armário mais variado por conta da maior quantidade de estações por ano. Sobreposições, cachecóis, luvas, gorros, chapéus, diferentes tecidos e tal. Fica difícil brincar com o armário no forno do Rio de Janeiro, não acha?

B: Lembrei! Conta pras leitoras como é o Girl’s Day que vocês promovem (ele e nossos outros amigos fazem compras juntos de vez em quando em shoppings cariocas, e chamam de Girl’s Day):
F:
AHEUAEHAEU. Em geral, fazemos isso uma vez por ano, sempre perto das festas. Tem início quando comentamos, entre a gente – “situação tá crítica, cara. Não tenho uma camisa que preste e tô precisando de roupa pro Ano Novo!”. A gente combina, então, de ir a um shopping e fazer alguma coisa depois. Companhia é sempre boa no shopping, porque senão fica um saco. É bom e super rápido, mesmo que a gente não se vista exatamente no mesmo estilo e compre em lojas diferentes. Temos o costume de perguntar sobre as roupas que gostamos nos amigos pra ter idéia de onde procurar, para perder menos tempo entrando em loja. Então, vamos juntos, fazemos o que tem que ser feito em duas horinhas, e tomamos uma cerva depois, pro dia parecer “mais macho” ehehhehaea.
Bom, joguei o que eu achei interessante no vento. Quando publicar a entrevista do Oliveros, eu faço os comentários finais.
Próximo da parada, o Eduardo, escolhido entre eu e algumas amigas nosso Muso Fashion.
Aguardem.
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4 opiniões sobre “Trilogia: Moda dos Machos – Capítulo 1”

  1. "Mas o tempo foi um pai pra gente, viramos indies, passamos a ouvir Strokes e ficamos mais bonitões."

    Descreveu minha vida!
    hahaha

    Ótimo post XD

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