Moda em palavras

Não sei se o que digo está correto – mas acho que existem dois tipos de jornalismo de moda: o visual e o escrito. Provavelmente, se algum professor meu da faculdade me lesse agora, me criticaria, mas acredito que na moda exista mesmo esta divisão. Por exemplo: em qual outro campo do jornalismo a editora da revista mais poderosa do mundo na tal área não teria formação alguma em Comunicação – chegando a admitir inclusive que é péssima com as palavras? Mas este é o caso da Anna Wintour na Vogue America. Sua formação é como stylist e foi este passado que a fez reconhecida e tão poderosa.

Os stylists – que às vezes se tornam editores – e os fotógrafos têm a capacidade incrível de construir imagens (mais incríveis ainda) que irão transmitir o conceito de moda que eles querem. No máximo, usam o título e um subtítulo para contextualizar o editorial, mas, em geral, as palavras são pouquíssimas. Hoje, são considerados os profissionais que realmente mandam na moda: o que eles decidem fazer influencia toda a cadeia – tanto em campanhas como editoriais (e mesmo desfiles, já que sempre há um trabalho de styling na escolha dos looks).

Mas, dentro do jornalismo de moda, ainda há espaço para a palavra escrita – mesmo com o advento dos blogs como o meu, em que qualquer Zé mané que nem eu pode dar seu pitaco (equivocado como os meus) sobre esse mundinho curioso. Nesta segunda vertente, o esquema é bem parecido com o jornalismo de outras áreas. E ainda há o espaço para a crítica de moda que, assim como as críticas de teatro, música, cinema, gastronomia, arte – tem um estilo de escrita e regras diferenciadas.

53439700KV002_John_Bartlett                        Nossa amiga Cathy Horyn

menkes_jacobs    Suzy Menkes com seu famoso topete batendo um papinho com Marc Jacobs na época em que ele era nerd e estranho.

Minhas críticas preferidas são a Cathy Horyn do NY Times e a Suzy Menkes do International Herald Tribune (que, na verdade, é o braço internacional do NY Times). Crítica de desfile não é apenas descrição do que se vê nas  passarelas – isso seria redundante e meramente descritivo. Está muito além: pega referências históricas, necessita de um super conhecimento que vai muito além da moda e dentro da própria, da história do estilista, de sua trajetória, da dos outros, do contexto econômico e social de uma época, etc. Toda essa bagagem vai dar a “moral” para expor uma opinião às claras – por isso é uma crítica e não uma matéria.

Eu acho as duas jornalistas acima incríveis – e extremamente ácidas! A Cathy já chegou a ser banida de desfiles por causa de críticas mais severas. Elas não parecem se domar por “amizades”, tão comuns e bem aceitas no meio. Cada texto é uma aula de moda. Acho tão incrível como o talento imagético dos stylists e fotógrafos porque elas pegam esse olho bom que têm, unem com todo o conhecimento do mundinho e do mercado e escrevem textos deliciosos de ler. Pra mim, são um super exemplo e uma inspiração enorme! Sugiro a leitura.

Os textos das duas podem ser encontrados nesta página do NY Times.

3 opiniões sobre “Moda em palavras”

  1. Eu sempre acompanho as críticas pelo style.com, mas tô achando muito fracos os textos. Vou dar uma olhada no NY Times então. E sobre o Jornalismo em si, eu acho interessante essa abertura pras outras áreas. Na moda, a imagem realmente vale mais do que mil palavras.

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