Na moda, nada se cria?

Existe aquele ditado que diz que na vida, nada se cria, tudo se transforma. Infelizmente, para alguns dos nossos profissionais da moda, tudo se transforma, mas não muito.

Quem acompanhou blogs e twitters de jornalistas que estava no Fashion Rio, pode ver os comentários meio chocados sobre a semelhança das coleções de algumas marcas com outras internacionais, como Balenciaga, Balmain, Givenchy e Lanvin. É fato – incentivado principalmente pela mídia – que estas quatro marcas sejam algumas das  grandes influenciadoras do mercado de moda hoje. Ditadoras de tendências – mas, como na vida nada se cria, mas se transforma, uma marca inteligente que queira parecer antenada, vai buscar referências e transformá-las porque este é o processo de criação bem feito dentro de design de moda.

No entanto, muitas marcas brasileiras foram muito literais em suas referências. Se formos pensar que nós, o público (e no meu caso a mídia e público), também queremos parecer as modelos do Sartorialist, as marcas estão certas em querer satisfazer estas vontades do consumidor. Mas o estilista de uma marca que desfila na segunda semana de moda mais importante de um país que quer crescer na influência do mundo da moda não está em seu posto para satisfazer a vontade batida do público. O papel do estilista é despertar uma vontade no consumidor que ele nem sabia que tinha – assim o sistema da moda gira, trazendo uma novidade que irá substituir a moda atual.

Então por que lançar uma coleção calcada em imagens já batidas e excessivamente divulgadas na mídia? Em tempos de internet, em que o desfile do McQueen é transmitido ao vivo para o mundo todo, se calcar em marcas internacionais é uma preguiça imensa e que dispensaria uma equipe de criação treinada e bem resolvida. Não julgo marcas varejistas que atendem a um público que não é formador de opinião em moda por natureza – como uma Renner ou C&A – em se inspirar nas grandes marcas. Mas uma que se propõe a ser criadora e a desfilar para o público formador de opinião? É um tiro no pé.

Critico de forma amigável até porque temos que fazer meaculpas porque a nossa herança de colônia é muito forte nessas horas. Não são apenas as marcas e suas equipes que se moldam muito nas internacionais. Todos nós fazemos isso, principalmente os profissionais de moda e os nossos veículos.

Também entendo que a marca precisa vender para se manter, mas acho que imitar as vontades em vigência não seja o melhor caminho (a não ser que ela seja uma grande rede de varejo), porque o preço dessas roupas é MUITO ALTO para algo que vai passar em 6 meses. Se eu comprar a mesma peça balenciaguista na Renner, ela vai sair de moda pelo menos tempo, mas será mais vantajoso porque é dez vezes mais barata.

Hoje começa – aliás, já começou – o SPFW e espero que vejamos mais a cara das nossas marcas, e não espectros das imagens abaixo:  

               Balenciaga

                Balmain

              Givenchy

                      Lanvin

2 opiniões sobre “Na moda, nada se cria?”

  1. Oi Márcia, sou leitora assídua do seu blog embora quase nunca comente.
    Super concordo com você, não me lembro de uma semana de moda dão descaradamente copiada como esse último FR… não entendo essa necessidade de se “internacionaizar”, essa vontade de usar roupas que não são coerentes com o nosso clima, com o “nossa cara”, com o que é usado na vida real aqui no Brasil. As pessoas aqui são mais caretas, isso é fato.
    Vamos ver o que nos aguarda SPFW, mais uma ouverdose de ombros marcados, saia abaluada, transparência, brilho, ankle boots… dá um sono!!!!!!!!

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