A moda vintage de Débora Gotlib

Os “profetas” das tendências de moda e aqueles que têm o olhar mais atento sobre os desfiles e outras referências já anunciaram que a década de 50 é a próxima época a ser revisitada (over and over). Tendências e modismos à parte, peças que remetem à feminilidade e glamour da época viraram objetos de desejo para muitas meninas e mulheres que gostam de adotar um estilo meio pin up. E, mesmo voltando a uma época em que a mulher ainda sofria com muitos tabus, o estilo vintage de hoje pode passar muita segurança e feminilidade – talvez porque a feminilidade aparentemente fragilizada não tenha nada a ver com submissão do sexo mais fraco, como já refleti neste post.

Por isso me interessei logo pela Débora Gotlib Vintage, marca de acessórios de cabeça (casquetes, carlos, laços, etc) e outras peças como vestidos, inspirados nas décadas de 40 e 50. Além de produtos super bonitos e diferentes, a estilista publica no blog da marca ensaios fotográficos inspirados nas pin ups e divas da época, criados ao lado da sua esposa Paula Maia, diretora artística da marca. A última modelo foi a roteirista Natalia Klein, autora do blog TEM-QUE-LER Adorável Psicose. A ideia de transformar uma menina comum numa bombshell glamurosa inspirou a promoção Make Me a Diva, e a Débora explica como participar neste texto.

A “psicótica” Natalia Klein no seu ensaio

A “equipe Bainha de Fita-Crepe” conversou com Débora sobre suas ideias e inspirações. Quem AMA referências cinquentinhas como eu, vem comigo, rs!

Bainha de Fita-Crepe: Quando a marca foi criada?
Débora: A marca começou há aproximadamente um ano, e o blog há seis meses. Depois de uma temporada de dois anos em Madrid, eu e a Paula decidimos voltar ao Brasil e por as ideias em prática. Eu crio e produzo as peças e ela é a diretora de arte da marca. Sempre trabalhei com moda – como produtora, maquiadora, figurinista, personal stylist e até mesmo como vendedora de grandes marcas, como Dolce e Gabbana, Diesel e Osklen. Este sempre foi meu mundo… Amo o que as roupas dizem a nosso respeito, mas  sentia muita falta de algo mais Vintage, digo, ” Vintage de verdade”, como estilo de vida e não como uma tendência…aliás não gostamos nada de tendências.

Bainha: Suas principais referências são as décadas de 40 e 50, o universo das pin ups, certo? Que elementos dos estilos destas épocas te inspiram mais?
Débora:
Sim, minhas décadas preferidas são as de 40 e 50 e não apenas o universo das pin ups, mas de todas as mulheres da época, das divas de holywood às operárias. Os elementos que me inspiram são a delicadeza, a elegância, as coisas feitas para durar, o vestido maravilhoso da sua mãe que um dia seria seu, o cuidado que se tinha com as roupas, cabelos e maquiagem, a feminilidade e a sensualidade sutil.

Bainha: Por que você acha que este ar vintage faz sucesso hoje? É uma volta à delicadeza, à feminilidade?
Débora: Claro que além de a moda ser cíclica, acredito que o Vintage tem voltado com muita força, (como vimos no último desfile da Loius Vuitton – maravilhoso por sinal!), porque as mulheres perderam sua identidade, vestindo-se quase como os homens, ou com tamanha vulgaridade. Acredito que perdemos mais do que ganhamos com tanta modernidade, talvez por isso as pessoas tenha esta vontade de resgatar não apenas a moda, mas também os valores perdidos. Desculpe, sou uma pessoa realmente antiguada, sei admirar o trabalho artístico dos novos estiistas, como Alexander Mc Queem, que considero um gênio. Mas não me sinto feliz ao caminhar pela rua e ver quase todas as mulheres vestidas iguais, com leggings, ankle boots e blazers de ombro marcado, ou copiando o último modelo da Kate Moss. Atravéz da marca, pretendemos resgatar a feminilidade perdida e a delicadeza das mulheres, …se fizermos isso por algumas já estaremos muito satisfeitas!

E não é, gente? Adoro entrevistar pessoas que justificam minhas próprias teorias mirabolantes sobre moda, hahaha, mas não é isso?

Muitas meninas sentem falta, assim como eu, de ser mais mulherzinhas sem isso significar futilidade, fragilidade e desamparo. Nada contra elementos masculinos na roupa, eu mesmo uso vários, mas é tão bom se emperequetar, não é mesmo? Conquistamos muitas coisas, ainda falta mais um tanto, mas dá pra fazer isso com a ajuda de algumas rendinhas, né? Pra mim, é o novo feminismo!

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6 opiniões sobre “A moda vintage de Débora Gotlib”

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