Vivenciando os parangolés

Quando comecei a escrever este post, fiquei pensando numa maneira rica e inteligente, quase acadêmica, de explicar o que é um parangolé. Poderia dizer que são espécies de capas criadas pelo artista plástico Hélio Oiticica, mas seria muito raso, muito óbvio. Mas talvez esta pudesse ser a ideia mais básica que se tem de um parangolé quando vamos à exposição dedicada ao artista em cartaz no Itaú Cultural, aqui em SP.

 Caetano nos anos 60 com um parangolé

Mas, quando vestimos uma das cópias que estão expostas – e sim, você pode vesti-las – descobre-se que não são apenas “capas”. Eles são experimentáveis ou, como o próprio Oiticica denominava, penetráveis. Não sei se os parangolés estão dentro do grupo dos penetráveis – me perdoem a ignorância e às 23h não tenho fonte confiável para tirar esta dúvida. Mas vestir um é uma experiência estranha e curiosa. Ao mesmo tempo que eles tem uma forma definida – são concretos – eles são indefinidos. São vestíveis, mas não condicionam onde entra a cabeça, os braços… você escolhe, você movimenta…

Confesso que fiquei com vergonha dos monitores da exposição enquanto colocava alguns. Eles ficavam olhando, me senti avaliada e não consegui inventar muita coisa com eles. Mas é muito legal porque – se eu tivesse um pra usar assim, seria possível fazer sua performance diária. Experimentar aquela coisa, muito mais que vesti-la!

Não, não se trata daqueles casacos de malha que têm milhões de jeitos de serem amarrados, vestidos, etc. Os parangolés não são um objeto feito em massa, cada um é de um jeito (embora aqueles da exposição fossem cópias), além de comunicarem algo além de “casaco de malha versátil”. O que comunicam? Não sei – hoje o significado pode ter mudado… Não vem ao caso.

De volta à segunda e à rotina chata e massificante, abro meu guarda-roupa e penso: por que não inventar um jeito diferente de vestir minhas roupas, experimentá-las em outra lógica e assim experimentar o mundo com outros olhares, através do que comunico com ela? Ok, CLARO que não pensei em tudo isso no simples ato de escolher a roupa de manhã, mas bem que poderia né?

No entanto, saí com a mesma calça jeans, com a mesma sapatilha e camiseta.

Está na hora de penetrar em alguns parangolés.

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