De psicóticas, todas têm um pouco

Fazendo uma pausa na minha correria e no meu intervalo no blog, mais uma das minhas entrevistas fugindo da “linha editorial” do blog que, supostamente, seria de moda.

Gosto de compartilhar com vocês as coisas que gosto na Internet e uma delas é o blog Adorável Psicose, divertidos relatos sobre as arguras amorosas (ou não) da roteirista Natalia Klein. Descobri o blog já tem um tempo e tive um surto (psicótico) porque me identifiquei no primeiro minuto. Teve uma hora que pensei: EI, mas essa menina sou eu! Não me senti tão sozinha no mundo. E ri à beça, o que é melhor ainda!

Por essas e outras, resolvi entrevistar a autora, que em breve vai levar seu blog para o portal do canal GNT, sucesso total!!!! As perguntas da entrevista não têm o menor nexo, são cheias de auto-referências. Ok, sou jornalista, mas este blog não é jornal e faço perguntas do jeito que bem entender. hehehe. Mas, como ando num clima de neo-feminismo, este é, basicamente o tema.

… E as respostas da Natalia são cheias do seu bom humor, portanto, para os leitores mais mal humorados, MELHOR NEM LER! (não posso com gente que se leva a sério de mais). Vamos lá, meninas, porque, de psicóticas, todas nós temos um pouco (ou muito, no meu caso).

                 Natalia no editorial da marca Gotlib Vintage, que falo neste post

Bainha: Aquela historinha famosa – por que começou o blog?
Natalia Klein:
Comecei o blog no mesmo dia em que tive uma conversa via MSN com um peguete. Sabe quando o papo vai ficando mais lento, vocês quase não falam mais nada e ele começa a te responder com emoticons sorrindo? Então tomei a iniciativa e disse “bom, vou indo” e ele respondeu, “vai, vai”. Fiquei indignada. Se não quisesse escrever, que colocasse um emoticon triste então! “Vai vai” foi lamentável. Fiquei pensando nisso a noite toda, então escrevi um texto sobre o assunto e criei o blog.

B: Pelos comentários, algumas pessoas não entendem que algumas partes dos textos são ficcionais. Mas, de certa forma, a exposição das partes “verdadeiras” não te incomoda?
N: Tem um post em que eu aviso: “Este é um blog autobiográfico de ficção. Qualquer semelhança com a realidade terá sido proposital, embora não haja nenhuma garantia sobre a veracidade das informações aqui contidas. Levar esses textos a sério causa impotência sexual.” Escrevi isso depois que um cara com quem eu estava saindo levou ao pé da letra um dos textos que eu havia publicado. Claro que eu escrevo sobre a minha vida, mas não é um relatório fiel, muito pelo contrário. É uma mistura do que eu gostaria que tivesse acontecido com um exagero em torno do que aconteceu. É tudo muito distorcido, daí o nome Adorável Psicose. Claro que a proporção real x inventado não é a mesma em todos os posts. Tem textos em que eu quase não invento nada, mas nem vou contar quais são (rs). Dá um medinho na hora de publicar, não vou mentir, mas acho que a dose de verdade no que eu escrevo é o que faz as pessoas se identificarem, porque me torna crível. No final não interessa se as situações são reais ou fictícias, o que importa é acreditar na personagem. É aquela sensação de que poderia ser você ou alguém que você conhece. 

B: Diante dos surtos psicóticos (sumiços do pretê, tentando entender “por que não comigo?”, espionagem doentia em redes sociais, etc), o que você faz para espairecer? (uma dica pras amigas leitoras hahahahaha)
N:
Pode parecer meio clichê, mas o que eu faço para espairecer é escrever sobre minhas psicoses. O blog é a minha maior válvula de escape, funciona mais do que dez sessões de terapia seguidas ou dez doses de tequila. Ok, esquece a última parte. Não existe nada melhor do que tequila para esquecer os problemas. A contrapartida é que junto com os problemas você também esquece o que fez, quem pegou, a chave de casa e o seu brinco preferido.

B: Antes mulher não podia dar muitos pitacos na própria vida. Conquistaram várias coisas pra nós, mas a coisa continua difícil pro nosso lado e parece que a “revolução sexual” não trouxe mais felicidade e satisfação. Já parou pra pensar sobre isso ou só eu fico encucada? rs
N:
Eu não acredito nessa revolução sexual. Isso é uma farsa para as mulheres acreditarem que estão dominando a situação quando na verdade os homens estão achando ótimo não terem que fazer nada.

B: Dizem que assustamos por sermos altas, ou inteligentes, ou engraçadas, ou porque nosso emprego é mais legal, ou whatever (tudo assuta). O que você acha que falta para a maioria dos homens perderem o medinho?
N:
Fico indignada quando conto que ninguém chegou em mim numa festa e me dizem: “ah, mas também, né, você assusta”. Ok, eu tenho 1,78m, mas também não sou o Godzilla. Essa história de que os homens se assustam com altura, com inteligência, com iniciativa, é muito irritante. Acho isso uma veadagem. Aliás, nem isso. Porque os gays sempre vêm falar comigo, geralmente para elogiar minha altura. Uma vez eu disse num post que 95% dos homens trabalham com a lei do mínimo esforço e os 5% restantes são broxas. Então esse “medinho” na verdade é uma invenção nossa. Mulher que adora dizer que homem tem medo, porque é mais fácil acreditar nisso do que encarar a verdade cruel. Eles não estão com medinho de você ou de mim. É que existe uma terceira garota nessa história que vai dar muito menos trabalho que a gente. Só isso. Ou então ele é broxa.

B: Quando a gente é criança, história do menino é de aventura e de meninda é de romance, já reparou? Já pensou em se tornar roteirista de histórias infantis para meninas crescerem mais preparadas? rs
N:
Olha, você precisa dar uma olhada na seção infantil das livrarias. Os temas estão mudando e estão meio medonhos. Tipo “Papai bebe muito”, essas coisas. Mas nunca pensei em escrever pra crianças não. Uma vez estava esperando meu táxi na portaria e tinham duas meninas de onze anos conversando sobre que idade teriam nas próximas Copas do Mundo. “Em 2014, a gente vai ter quinze anos”, “Em 2018, dezenove”, “Em 2050, cinquenta e um”, “Em 2090…”, aí eu não aguentei e interrompi: “desculpa, mas em 2090 vocês já vão ter morrido.” Enfim, não acho que eu seria uma boa autora de livros infantis. As crianças ficariam meio psicóticas.

B: Ando fazendo posts sobre as referências femininas dos anos 40/50 na moda que retratam um tipo de mulher com personalidade muito forte e independente, apesar de hiper feminilizada. E, por acaso, vc sempre ilustra seus blogs com imagens de pin ups. Por quê? É um estilo que vc gosta?
Adoro todas as referências dos anos 40, a música, a moda, os filmes. Sou viciada no jazz dessa época, nas big bands, nos musicais. Casablanca é um dos meus filmes preferidos. E as pin ups são ícones da mulher desse tempo, elas representam uma malícia ingênua, ao contrário da superexposição das mulheres fruta de hoje em dia. Não que eu seja panfletária. Acho que toda feminista radical deveria ganhar de presente um vibrador. Tenho a impressão de que no dia seguinte elas acordariam mais bem-humoradas.

B: Estou descobrindo que várias pessoas que acho legais foram zuadas no colégio, assim como eu. E eu acho que o humor é o grande culpado para reverter esse quadro – além da repaginada no visual. Rir é mesmo o melhor remédio (além de uma hidratação no cabelo, fazer a sobrancelha, maquiagem, etc)?
N:
Rir de si mesmo é libertador. Mas antes de se autoesculachar, é bom que você esteja mais ou menos bem resolvido. Porque quando você faz piada das coisas que te incomodam, elas podem te dar o troco.

B: E pra terminar, você usa salto? Eu sempre digo que não uso – só em casamentos chiques, etc – porque fico igual destaque de carro alegórico, mas todo mundo me xinga por isso. Queria apenas sua declaração para corroborar a minha. Ou não. HAHAHAHAHA
N: Só uso salto alto em ocasiões extremas. Detesto me sentir Godzilla, desproporcional. Claro que o problema tá muito mais na nossa cabeça do que no mundo real, mas enquanto eu não me resolvo com minha altura, vou continuar usando minhas sapatilhas. Se a Audrey Hepburn podia, eu também posso.

Não é de morrer de rir? Muito sucesso pra Natalia!

12 opiniões sobre “De psicóticas, todas têm um pouco”

  1. A Natália é praticamente amiga de infância, de tanto que me identifico, hahahaha. Fofaquerida mesmo, sucesso pra ela ! Pra você ! Pra nós ! Vamos beber, hahahaha.

  2. Seeeeensacional! Natália é demais. Conheci através de uma dica sua, no twitter acho, e é uma das melhores aquisições minhas internáuticas de todos os tempos!

    AMEI!

    Bjs,
    lets

  3. Máximo!

    Baby, e nem precisa ficar se desculpando. Eu mesma, só acredito no verdadeiro jornalismo se ele estiver fora de todas as suas amarras…

    beijo, menina esperta!

  4. Sempre acompanho o blog da Natália, morro de rir das histórias que além de divertidas dão um puta help pras mulheres(pelo menos pra mim né) hahahah! Adorei d+ a entrevista, show gurias

    Grande Beijo!

  5. Muito booom!
    Me identifico um pouco com cada uma, principalmente na parte do salto alto! haha
    Sempre leio, mas nunca comento, vergonha mesmo. Mas agora tenho blog e a vergonha tem que sumir.
    Continue nos entretendo com tanta qualidade!
    ;*

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