Letícia vezes Letuce, quanto que dá?

Why carão? Love carinho!

Só de ler esse “lema” ou “slogan” do Letuce, os defensores ferrenhos da sinceridade de sentimentos – como a dona aqui – já ficam apaixonados. E paixão é mesmo uma palavra boa para classificar a dupla (ou banda, já que se juntam a outros músicos igualmente talentosos) Letícia Novaes e Lucas Vasconcellos (músico do Binário também), namorados inspirados!

 Foto: Ana Alexandrino

A primeira vez eu ouvi falar de Letuce foi no extinto (snif) Agemda, do Fabiano Moreira. A entrevista com os dois era ilustrada com uma série de fotos e, nelas, o olhar carinhoso e de admiração do Lucas para a Letícia deu aquela esperança de que os relacionamentos atuais podem sim ser legais e inspirar coisas tão boas quanto… música! Daquelas pra escutar quietinha… ou de manhã indo pro trabalho… ou fazendo almoço no domingo…

“eu te demoro porque eu quero
não tenho medo do que eu espero
andar de mão dada”

Mas, além de amar o trabalho, reparei na figura exuberante da Letícia. Depois da matéria da Revista do Globo então, virou mais uma ídola das altas magrelas engraçadas. Decidi fazer mais uma das minhas entrevistas birutas sobre a banda, inspirações e tudo mais que sempre quis perguntar. Vem comigo gente!

Bainha – Você tem bandas desde a adolescência, certo? Como foi parar na música?
Letícia – Meu pai tocava violão pr’eu dormir e eu não dormia, achava bonito. A voz, a posição, o instrumento. Meu avô e meus tios avôs são de Cachoeiro de Itapemirim, sempre rolou roda de violão. Me formei na  CAL, mas já então fazia músicas no violão e os amigos imploravam pr’eu cantar nas festas, era divertido, um escapismo, um delírio. Daí fiz minha primeira banda, Letícios.

B – Quais são seus artistas preferidos, aqueles que te inspiram no som do Letuce?
L – Não na ordem de preferência, mas pensei nesses artistas hoje: Pj Harvey, Egon Schiele, Bjork, Alexander Mcqueen, Maradona, Alcione, Alexandre Pires (obs. da Márcia: deem uma olhada nessa versão de Que se chama amor, muito boa!)

B- Reparei que você gosta de cores vivas, de misturas diferentes de tecidos, etc. Você se inspira em que na hora de se vestir?
L – Sempre fui olhada, seja de moletom ou de paetê. Minha altura nunca me permitiu ser discreta, então nunca optei por parecer despercebida, tudo que vibrasse ou estalasse, era o que me fascinava. Cresci assim e assim continuo, tentando garimpar peças em brechós ou em sessões de senhoras das lojas de departamento. Minha inspiração vem de tudo, desde insetos até minha vó Régia.

 
Foto Taina Del Negri (roubada do flickr da Letícia, rs) 

B – Tem algum ícone de estilo?
L – Eu admiro várias mulheres no jeito de se vestir, mas não diria que são meus ícones. Como, por exemplo, a atriz Tilda Swinton; ela é bem mais minimalista que eu, menos colorida também, mas acho linda, interessantíssima.

B- Qual a diferença na hora de escolher a roupa para show?
L- Me sinto um pouco mais livre pra exagerar. Uma vez depois de um show, fui tomar um chopp num outro lugar, uma mulher ficou comentando com a outra, meio impressionadas com a minha chegada. Aí eu brinquei com o garçom: “é que eu fiz um show hoje”. Daí ouvi as moças “ahhhhhhh”.

B- Aquele vestido com objetos colados, foi você que fez? Nunca pensou em trabalhar com moda? É ótima!
L- Sim, passei por uma fase enjoada de brincos, colares. Usei tantos que uma hora travei. No lançamento (do cd) eu queria fazer uma coisa nova, divertida. Sempre guardei meus brinquedos, sou rainha da tralha e minha mãe comentou que estava dando uma geral no meu armário, agora que fico mais na casa do lucas. Aí voltei aos velhos brinquedos e pensei que aquilo poderia ser outra coisa, poderia sair da caixa. Comprei várias bases de broche e fui colando. Tudo virava broche. Eu adoro moda, mas não sei se trabalharia com ela, eu faço por puro prazer solitário, seria diferente ter responsabilidades.

                        
Mais uma Tainá del Negri, dos broches da Letícia

B- Suas tatuagens são super diferentes, lúdicas. De onde saiu a ideia de cada uma delas (uma girafa, uma tartaruga e dois corações num liquidificador)?
L- Tatuagem é um troço mehaultrahipersuper pessoal. Tem gente que acha absurdo ter tartaruga – eu acho absurdo fazer rosto de cachorro, mas ninguém nunca tem razão, todos livres. Eu sempre amei tartaruga, bicho pré histórico, muitos vezes mal interpretado, tem seu tempo, casca grossa, macia por dentro. A girafa nem sempre foi amor, já foi ódio pq era apelido de colégio. Até que um dia eu vi uma girafa e pensei “bicho mais lindo não há”, quis fazer, quis sentir aquilo ali. O liquidficador é minha visão do amor, turbulento, mas vitaminoso, sempre. Tem que agitar, mexer. Tenho ainda um “saravá!” na costela e uma tosquinha que foi minha primeira e penso em fazer algo por cima, nem tinha 18 anos, terrível. Não recomendo.

B – Pra terminar: com que frequência acontece o novo?
L- Acho que o novo acontece na periferia do olhar. Se a gente segue o caminho de ontem e segue automático, deixa escapar os lados, os detalhes. Tem que ser sapo pra perceber a frequência do novo.

Né não gente? Levei pra vida!

Obrigada Letícia, muitas coisas boas pra você!

6 opiniões sobre “Letícia vezes Letuce, quanto que dá?”

  1. marci vc tem esta revista do globo?
    21 fevereiro 2010
    vi a capa no link
    me deu uma vontaaaaaaaade de ler…!
    bjôs

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