Londres: Exposição sobre Moda e Identidade

Por causa da cotação da Libra, que faz tudo ficar três vezes mais caros para nós, pobre brasileiros, tinha decidido que só iria a atrações turísticas e museus com entrada gratuita. Mas não resisti à exposição que estava em cartaz na GSK Contemporary, braço da Royal Academy of Arts, chamada Aware: Art Fashion Identity, que fica em cartaz até 30 de janeiro (caso alguém esteja ou vá pra Londres por agora).

Me deixei gastar uns 10 pounds (acho que foram 7, na verdade, rs), principalmente por causa dessa descrição que estava no programa: “A exposição examina como artistas e designers usam a roupa como mecanismo para comunicar e revelar elementos da nossa identidade”. No caso, a exposição mostra várias formas de mostrar diversas identidades, dividindo os trabalhos em quatro categorias: Storytelling (“contando história”, numa tradução porca minha), Building (“construindo”), Belonging and Confronting (“Pertencendo e confrontando”) e Performance.

A curadoria que selecionou 30 nomes internacionais da moda, arte e design fez um ótimo trabalho dentro desta divisão proposta. Saí de lá (na verdade fui convidada a sair pelo guarda porque a galeria estava fechando, prática muito comum em Londres, haha) com a sensação de ter aprendido um pouco mais sobre moda e comunicação, porque moda É, acima de tudo, comunicação. E, principalmente, comunicação de sua identidade, de seu pertencimento a um grupo, a uma cultura (ou sua tentativa de se distanciar dele, através da valorização de sua individualidade).

Dos artistas que vi lá, gostei muito da Ynka Shonibare (Little Rich Girls, 2010). Seu trabalho foi feito especialmente pra exposição e são roupas feitas com tecidos com estampas africanas, mas que na verdade foram feitos na Holanda. E os modelos, são roupas de festas para meninas, lindas de morrer!

Outros nomes que também me chamaram a atenção (quem se interessar, pode ler mais e ver fotos dos artistas no site do museu) foram Alicia Framis, Sharif Waked, Gillian Wearing, uma instalação do estilista Hussein Chalayan e, para minha surpresa, Yoko Ono.

O meu desafeto, por ser fã dos Beatles, me surpreendeu com uma performance que ela apresentou no Japão, em 1964 (portanto, antes de jogar sua energia negativa pra cima da banda, uruca! Hahaha). A mostra exibe o filme dessa performance: Yoko ficava sentada no palco de um teatro, usando um vestido bem bonito. Então ela convidava a plateia a cortar pedaços da roupa até deixá-la nua, sem oferecer nenhum tipo de resistência. A obra feminista queria chamar a atenção para como a identidade feminina está ligada à roupa e “pede” mais respeito pelo corpo da mulher. Não sei, me despi (pra usar aí a mesma figura) do preconceito contra Yoko Ono e achei as imagens da performance bem fortes.

Bom, fica aí mais uma dica pra quem estiver na cidade até dia 30 de janeiro e para quem quer pesquisar mais sobre artistas contemporâneos que pensam sobre moda e identidade.

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4 opiniões sobre “Londres: Exposição sobre Moda e Identidade”

  1. Oi Márcia, sempre achei a Yoko genial, alternativa, criativa…talvez por isso john Lenon tenha se interessado por ela!
    Se isso interferiu na banda, foi culpa dele e não dela. Quem fazia parte da banda era êle e não soube administrar as duas coisas.
    um abraço
    helen

    1. hmmm, na verdade, ela é MUITO esperta e percebeu a briga de egos dos beatles e as fraquezas do john lennon, suas inseguranças e etc, e se aproveitou para influencia-lo o máximo. ou ela queria entrar na banda ou queria que ela acabasse para fazer algo com o john e só. pelo menos é isso que todos os biógrafos dos beatles que li dizem (hahaha ninguém gosta dela, é absolutamente tedencioso hahahaha)

      sobre ela ser criativa, tb nao acho muito. depois dessa expo, pesquisei outras coisas e achei apelativas, do tipo “quero ser moderna só pra chocar”. em certa época, isso pode ter tido seu efeito, mas hoje em dia, acho apenas apelativo.

      1. meu deus, gastei 5 minutos falando mal da yoko ono HAHAHAHA. mas enfim, acho ela uó.

  2. Oi Márcia, acho ela moderna mesmo; se for só pra chocar…também tá valendo.
    Como você mesma disse, com guerra de egos, fraquezas etc…a menos culpada de tudo
    foi ela.
    Gosto muito do seu blog.
    um abraço
    Helen

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