High Tech, High Touch

No mesmo dia da apresentação das tendências do WGSN durante o SPFW, a Mindset mostrou seu trabalho em parceria com a Editora Abril que pesquisa o comportamento das mulheres, o Habla. As principais análises do que está acontecendo agora e o que está por vir estão disponíveis no site do projeto, que também explica o que é e como essa pesquisa é feita.

Eu, como protótipo de feminista, achei muito legal a iniciativa de pensar no comportamento da mulher contemporânea e que isso ajude na criação de produtos adequados e mais “humanizados”, enfim – a aplicação prática da pesquisa. Mas o que me inspirou mesmo a escrever este post sobre a palestra do Habla foi uma das tendências de comportamento que eles captaram, “Olho no olho” (um braço dela podemos ver no site, a Blackout).

Inseridas em redes, verdadeiros emaranhados virtuais, algumas mulheres estão tentando escapar um pouco dessas amarras que os gadgets modernos acabam criando e procurando o contato olho no olho. Por isso, mesmo equipadas com as tecnologias mais modernas que aumentam nossa capacidade e velocidade de comunicação, nós ainda queremos e valorizamos os encontros pessoais com amigos, família, pretês.

Me senti quase acolhida nessa apresentação porque essa é uma questão que realmente me assusta (assim como a do excesso de informações e da efemeridade das coisas). Qual questão? A da virtualização das nossas relações.

Foto: Frame do anúncio do Windows Phone 7, que aparentemente faz uma “crítica” ao vício das pessoas pelos smartphones, mas a meu ver, usa aquele discurso da publicidade “estamos sendo críticos, mas compre o nosso?”. Humpf, num me pega!

Não quero ser radical, mas acho que muitas pessoas estão começando a usar as ferramentas móveis de comunicação e acesso à internet de um jeito meio doentio. Nunca estão desconectadas. Adoro a troca de informações, compartilhar descobertas. Postar coisas engraçadinhas e comentar os posts dos amigos. Mas, pelo menos eu, me sinto muito sozinha fazendo isso.

Para entenderem meu incômodo, um breve histórico: nasci e cresci numa cidade do interior do Rio, Volta Redonda. Sou filha de pais mais velhos, com irmãos com mais de 10 anos de diferença de idade. Fui uma criança mais pra sozinha do que pra incluída. Tinha meus amigos, mas nunca fui de ter turmas. Quando ganhei conexão da internet, minha vida mudou. Falava com pessoas pelo mIRC, conheci um monte de gente. As pessoas me achavam legal na web, não era a nerd diferente de todo mundo, como no colégio.

Participei de vários grupos de discussões de coisas que eu era fã e conheci muita gente. Ao vivo! Por causa de amigos que fiz em shows do Los Hermanos, comecei a vida social assim que me mudei pro Rio.

Bom, hoje tenho mais amigos que conheci offline que online, mas ainda passo muito tempo na internet. Pensando bem, daria tudo para ter vivido menos em frente do computador e mais com amigos de verdade quando era adolescente. Viagens com a turma, namoradinhos reais. Neste último sábado, passei o dia no Saara com amigos comprando coisas para o Carnaval, e depois almoçamos na Confeitaria Colombo, e foi ótimo. Ninguém ficou postando no Twitter “Na Colombo com os amigos, hmmm”, porque NÃO PRECISAVA. Se a parada é legal, sua atenção fica ali, no momento. Mas sinto falta de encontrar vários amigos que não vejo há tempos, a gente se diverte tanto no Facebook – mas não é como os chopps, cinemas, cafés que íamos quando estávamos mais próximos.

A internet traz muita, muita coisa incrível. Olha o blog, como eu conseguiria espaço para me expressar e trocar informações com vocês? Teria que gritar nas ruas, discursar em bares, colar manifestos nos postes?

Mas acho que estamos exagerando. Eu tenho nervoso ao ver casais se mandando mensagens no Twitter quando um está do lado do outro no sofá. Ou quando você está conversando com alguém e ela não tira os olhos do iPhone. Vamos prestar atenção nas pessoas!!!!! Durante a apresentação dessa pesquisa, apresentaram este anúncio tailandês que mostra exatamente isso, “disconnect to connect”:

No fundo, no fundo, acho que somos todos grandes carentes. Ficamos postando, compartilhando e comentando coisas o tempo todo porque não temos quem nos ouça, na maior parte do tempo. Válvulas de escape. E porque lidar com pessoas é difícil – na internet e pessoalmente.

Eu ando me esforçando para ficar a maior parte do tempo offline (nem tenho smartphone, só fui comprar celular com internet agora e ela nem funciona hahaha), e fiquei feliz de saber que muitas estão tentando fazer o mesmo.

Equilíbrio é tendência!🙂

5 opiniões sobre “High Tech, High Touch”

  1. Oi Márcia,
    Concordo que temos que buscar um equilíbrio e não perder taaanto tempo na internet enquanto a vida está acontecendo…
    E sobre o video que você falou, acho que é um que meu pai me passou esses dias, ele ama me lembrar que não é pra viver no computador rsrsrs vou te passar por e-mail assim que achar ;D

  2. Deixei o e-mail, mas só depois que mandei vi que não especifiquei qual era o assunto…
    ele foi como algo do tipo “Desconecte para conectar” ;D

  3. Sei exatamente como funciona. Minhas amigas (sabe Lílian Farrish?) vivem me trocando pelo iphone. Me deixam falando sozinha e depois ainda fazem “hã?” porque não ouviram o que eu disse. Enquanto isso, eu continuarei com meu nextel sem tampa na bateria, com o visor quebrado e sem acesso à internet. Quando bate a saudade, eu mando um sms, fazer o que…

  4. de acordo total! hoje tá tudo muito impessoal, massificado…a gentiliza, os bons modos da amizade e da conquista perderam espaço para o impressionismo da tecnologia…
    muito bem colocado!

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