Hitchcock e Almodóvar são temas de mostras no Rio

Às vezes o marasmo pode tomar conta da vida cultural de uma cidade justamente quando você está com tempo. Mas às vezes calha do universo conspirar e aparecerem coisas bem legais pra você fazer justamente quando está de folga e precisando ficar fora de casa por causa de uma obra no banheiro e uma alergia galopante.

É o caso de agora: duas mostras de cinema estão dividindo meu coração e atenção aqui no Rio. Uma é dedicada ao mestre máximo do suspense, Alfred Hitchcock; e outra ao meu querido louco, drama king color blocking Pedro Almodóvar.

Cada um em sua época e com seu estilo, são grandes nomes do cinema mundial e ambos estão no meu top 10 de cineastas preferidos. Como este blog ainda é, supostamente, de moda, e como eu amo figurinos, queria falar um pouco do trabalho de ambos nesse quesito.

Sobre a obra de Hitchcock eu já falei em alguns posts aqui, como este e este. Tudo, em seus filmes, servia como elemento para aumentar o suspense. Como gênio que era, ele não colocava o figurino como mero coadjuvante em seus filmes e ele supervisionava o trabalho dos figurinistas com muita atenção e criava junto com eles. Sua principal parceira foi Edith Head, outro grande nome da velha Hollywood.

Quem puder ir à mostra aqui no Rio ou nas outras cidades (veja tudo aqui), preste atenção em como as roupas ajudam a delinear a personalidade dos personagens e contribuem até para o clímax do suspense. Acho que os figurinos que mais contribuem para a trama dos filmes são os de Um Corpo que Cai e Janela Indiscreta.

Kim Novak em Um Corpo que Cai

Já nos filmes de Almodóvar, vejo o figurino como parte da loucura e explosão de cores e elementos kitsch que fazem parte do seu universo. Em quase todos os seus filmes, tudo está a um tom acima e não há espaço para minimalismo e discrição. Até mesmo os homens se vestem de maneira extravagantes, principalmente nos filmes que fez na década de 80.

Acho que o figurino mais famoso de seus filmes é o da personagem Andrea Caracortada, do filme Kika. O estilista Jean-Paul Gaultier criou roupas surrealistas para a jornalista louca que anuncia todas as noites “lo peor del día”.

Mas nem tudo é insanidade e muitas coisas são altamente inspiracionais, para nossa vida mesmo. Eu mesma, gosto muito do estilo da Raimunda, de Volver, bem latinona e condizente com minha personalidad.

Seus filmes também são ótimas fontes para cartelas de cores incríveis e ideias para decoração. O quarto da bailarina de Fale Com Ela, por exemplo, foi meu sonho de adolescência por muito tempo.

Por isso, quem estiver no Rio, faça como eu e se rasgue de dúvida sobre qual mostra ir – só não pode empacar de dúvida e não ir a nenhuma.

Hitchcock –  1º de junho a 14 de julho. CCBB Rio – 3808-2007 (mais infos aqui)

El Deseo: O apaixonante cinema de Pedro Almodóvar – de 7 a 26 de junho. Caixa Cultural Rio – 2544-4080 (mais infos aqui)

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