Me add?

Tem uma coisa que não entendo nesse novo mecanismo do flerte no mundo das redes sociais é o costume de adicionar a pessoa que você acabou de ficar numa festa, num bar, sei lá onde, no seu Facebook. Na minha época, e eu não tenho nem 30 anos, a gente trocava telefone se tivesse sido legal e quisesse manter o contato. Ou não, a troca acontecia apenas para manter as aparências, o cara nunca mais aparecia, você ficava noiadinha por uns dias e: bola pra frente!

Hoje não. Já vi cara dar um beijo numa amiga e perguntar imediatamente o sobrenome dela pra poder achá-la no Facebook. E aí, mesmo que a coisa não dê em nada, você fica com aquela pessoa engrossando sua lista de amigos e enchendo sua página com suas atualizações que, em geral, não lhe dizem respeito.

Eu sei que beijar é bem íntimo, mas eu acho Facebook mais ainda! Sou bizarra? Sou. E olha que eu nem sou muito expositiva na rede social: uso muito e posto muito, mas não falo meus sentimentos, não faço check-in em locais, entre outras intimidades que dificultam quem não convive diretamente comigo saber o que eu faço no dia-a-dia. Também tenho vários grupos que limitam álbuns e tudo o mais. Mas, mesmo assim, por que manter no seu convívio diário – mesmo que virtual – alguém que só vai se ver uma vez?

Ok, mas aí tem o lado positivo, você acha a pessoa bacana por suas atualizações e acaba rolando outras vezes. Aí, como todo mundo faz – mas não tem coragem de admitir – você passa a fuxicar a pessoa e haja sangue de barata para não criar histórias por conta própria com tudo que aparece no Facebook dele.

Além disso, gera aquelas dúvidas de etiqueta nos relacionamentos breves e complicados de hoje em dia: será que ele vai achar que to dando mole d+ se eu curtir os posts dele? Será que pega mal enviar um link com um assunto que comentamos? Fora aquele chat maluco do Facebook, cheio de bugs.

Depois de um tempo, como é o caminho da vida, o rolinho com o bofe acaba não dando em nada e aí, o que fazer? Como lidar? Se não foi nada d+, beleza. Fica lá aquela pessoa que você não vai ter muito contato mais, sabendo das coisas da sua vida, tendo acesso remoto. Se o cara for legal, você até pode curtir um post aqui, comentar outro acolá. Normal!

Mas, se você ficou mordida, pode entrar no ciclo vicioso da fuxicação doentia. Não é algo que te machuca como terminar um namoro, mas também não é algo exatamente positivo, é? Pelo menos desse mal eu não padeço. Sou do tipo que fuxica no durante, mas depois – não dou mais notícias da vida do bofe. Não é despeito, mas acho sadio esse distanciamento, esse desligamento.

Só que… Ai, saudade das trocas de celular. Pelo menos tínhamos menos opções para gerar estresses desnecessários.

Por isso que eu digo: tem gente que demora para se apegar, tem gente que demora pra ir pros finalmentes, tem gente que demora a pegar na mão. Eu prefiro demorar pra adicionar no Facebook. Sou dessas.

Mas que fase! Não está sendo fácil!

PS.: Mais post sobre maluquices do Facebook aqui!

8 opiniões sobre “Me add?”

  1. Engraçado, eu namoro ha um tempo, desde antes do Facebook e Twitter, etc. dessa maneira nao sei mais como funciona a paquera ou depois que se fica com alguem. Acho bem estranho ficar e ja ser adicionada pelo cara. Mas tb tem umas pessoas que me adicionam por meu namorado ser famosinho no meio dele. Tb nao entendo isso.

    Adorei o texto.

    Beijos

    1. ah, tem essa tb, adicionar alguém que nem se conhece por interesse profissional apenas. linkedin taí pra isso hahahahaha

  2. é meio bizarro..muitas vezes ele nem pedem o telefone, adicionam diretamente no facebook. e pra quê? tem vezes que nem rola um papo no chat..haha, só rindo..esses homens tão demais mesmo…

    1. é cara, adicionar pra que? pelo menos trocando telefone, vc ou a pessoa sumia sem deixar rastro na vida um do outro.

  3. Eu tenho 26 anos, casei c/ 20 e nessa época o orkut tinha começado a bombar, mas eu nem tinha. Acho engraçado qdo ouço as amigas falando dessa fuxicação no face. tenho uma irmã pré adolescente e vejo ela e as amigas fuçando as informações… pra onde foi a graça de se conhecer construindo uma relação de amizade?

  4. A cada dia mais me assusto com os rumos que as relações virtuais vem tomando. Vez ou outra me pego pensando pq diabos tal pessoa q eu nem conheço adicionam no face sem mais nem menos. Tipo, posso até ter visto em algum lugar, ter dado um sorriso educado ao chegar perto de um grupo de conhecidos ou vai saber se já até conversou numa fila de cinema e não lembra etc. Não consigo entender os tantos motivos existentes, só sei q pessoas estranhas adicionam outras pessoas estranhas do nada. Nunca fui fã de amizade virtual e tb sou dessas que demoro p adicionar!

    Só sei q não dá nem para generalizar os motivos, mas penso que é somente pra observar a vida alheia! Estilo BBB da vida real. Essa geração criada nas redes sociais nem mais conversa com os antigos fofoqueiros p saber dos outros (como era no meu tempo)! hauhauahuahua! Elas simplesmente vão lá e te adicionam pra saber da sua vida, ou da vida de alguém do seu ciclo. Até o fofoqueiro tá perdendo sua função nos dias de hj… kkkkkk

    Gostei do texto!😀

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