Sobre viver com pouco

Nesta semana, vi nas redes sociais da vida um texto de um cara chamado Graham Hill no New York Times. Hill conta como ele se livrou de toda uma tralha comprada após virar um novo milionário da Internet nos EUA e passou a viver em um pequeno apartamento, apenas com o “essencial”. E, ao final, convida todos a pensarem no assunto e fazer o mesmo: ter menos para viver mais.

Eu comecei lendo o texto achando fosse concordar em gênero, número e grau porque venho sentido que – dentro de um cenário quase utópico – uma boa “solução” para a vida dos nossos tatatataranetos seria uma vida menos cheia de tralhas.

Mas, sei lá, do meio pro final do texto, foi me dando um incômodo que – na correria do tempo cheio de coisas e compromissos – eu não consegui parar e pensar o que era. Mas aí, um amigo me indicou este outro texto que critica a coluna do NYT. Segundo o autor, o problema não é a mensagem (que não precisamos, realmente, de tantas coisas), mas sim o mensageiro. O tal do Graham Hill vive com pouco sim, mas é muito provável que sua conta bancária continue a mesma.

original[Foto do Graham Hill  no seu “humilde” ap de desapegado via Gizmodo/ Vimeo]

Ora, rapaz! Mas que poser!

Daí fica parecendo que o cara só focou o dinheiro dele em outro lugar. As pessoas esquecem que experiências também são uma forma de consumo. Viajar É consumir SIM. Comer bem nessas viagens também. Me deu a impressão que ele continua torrando uma grande quantidade de dinheiro sendo um jet-setter mundial. Cara, cada um gasta o dinheiro do jeito que quiser, mas não venha me falar – pra mim, classe média, pequena burguesa – para comprar menos e sair viajando porque, com o que eu ganho, eu não compro em excesso nem tenho dinheiro para sair viajando pelo mundo.

Não estou pregando nada politicamente, mas muito fácil dizer: “vamos viver com menos COISAS! Mas continuo com mais dinheiro que muita gente no mundo, inclusive muitos de meus leitores”.

Ele é o tipo de cara que, se chegasse aqui em casa (um ap de menos de 40m²), ia rir da minha TV de tubo, do meu notebook de 2008 (não é Apple), do meu ar condicionado velho e do meu sofá capenga de segunda mão.

Impressionante mesmo é o Vincent Moon, o cineasta nômade que comentei neste post. O cara não tem casa, fica na casa de amigos que faz no mundo todo e, nessa palestra que eu fui, ele disse que não tem problema com isso, porque não tem nada. Deve ganhar o suficiente pra se manter nos lugares, pagar suas passagens e equipamentos de trabalho.

Desprendimento e desapego é isso. O outro cara é poser, tipo esses fashionistas que acham mendigos estilosos.

Minha dica pra essa galera é: vai lavar um tanque de roupa suja, vai!

5 opiniões sobre “Sobre viver com pouco”

  1. é… quero ver ele sem carro e pegando ônibus lotado na hora da saída. Gente passando por cima de vc, as paradas bruscas, criança chorando no seu ouvido e o outro lá ouvindo funk altão. Quero ver ele pegando fila na lotérica pra pagar conta de luz, água e iptu na hora do almoço e ter que comer qualquer coisa pq ficou mais tempo na fila do que poderia… enfim, deixa o menino com o “castelinho” dele e a gente com a nossa vida real!

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