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Fantasias de Carnaval com ajudinha do Pinterest

Alô povão, agora é sério!

Blog está abandonado, mas o Mestrado e afazeres profissionais me prendem o tempo. Mas voltar a alimentar regularmente o Bainha está em uma das minhas resoluções de 2014! Urra!

Já que o Mestrado está direcionando meu foco, vou juntar o assunto da minha pesquisa com uma paixão minha que nesta época fica mais aflorada: Pinterest + Carmaval! Essa rede social de coleção e troca de imagens pode ser uma boa fonte de ideias para fantasias para curtir a folia e eu tenho até história pra contar. Como quem acompanha o blog sabe e quem não sabe pode ler nos posts que vou deixar linkados no final, eu gosto muito dessa festa e adoro me fantasiar. Sempre procuro inspiração em livros que tenho em casa de história da moda, nas minhas coleções de fotos antigas e, claro, na Internet.

Em 2012, recebi uma foto de uma menininha fantasiada de pavão, numa roupa totalmente Do It Yourself, ou DIY ou, no bom e velho português, Faça Você Mesmo. Me apaixonei e me inspirei naquela saia para criar uma versão adaptada para o verão carioca. A foto era essa:

peacock

Eu, minhas amigas, minha mãe e a mãe de uma delas tivemos um mega trabalho de comprar tecidos e costurar as penas de feltro para fazer a fantasia, mas ficou lin-da! No Carnaval daquele ano, desfilávamos felizes pelo Boitatá quando vimos outro grupo de amigas com a MESMA fantasia. Morremos de rir! Elas pegaram a mesma foto como inspiração. Mas, como cada grupo fez sua releitura, a fantasia ficou relativamente diferente. Não vou colocar foto aqui porque, vocês já sabem, quem copia minhas fantasias leva uma praga imensa nas costas, hein!

Essa história me fez entrar no Pinterest (fonte da foto acima), me apaixonar e fazer dele meu lugar antropológico. Mas continua fonte de ideia carnavalesca também. Ano passado, montei uma fantasia inspirada em banhistas da década de 20, mas bem colorida porque, afinal, é Carnaval.

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Minha versão (foto anti-cópias, só no mistééério):

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*   Para pinçar alguma ideia no Pinterest, pode digitar “costumes” na busca do site. Aconselho sempre a usar o termo em inglês porque cerca de 70% dos seus usuários é dos EUA. Vejam com seus olhos: http://www.pinterest.com/search/pins/?q=costumes.

* Outra tag que tem muitas ocorrências é “halloween costumes”, ó: http://www.pinterest.com/search/pins/?q=halloween%20costumes. Porque eu acho brega brasileiro levar o Halloween pra valer, mas os gringos são bons de inventar fantasia! Só adaptar para nosso clima.

*       Ou então, caso você já tenha algo em mente, digite o que pensou na busca (de preferência traduzido, como eu disse) e vai achar um monte de de ideia legal também. Por exemplo, pavão: http://www.pinterest.com/search/pins/?q=peacock%20costume.

* Também costumo procurar ilustrações ou fotos antigas como para uma fantasia de melindrosa: http://www.pinterest.com/larissalu/20s/.

Mas, se vocês ainda não estão convencidos, peguei algumas imagens inspiradoras, ó:

Mimooous:

mimous

Os Pássaros:

the birds

Twitter:

twitter

E essa, que eu MORRI! Do filme Madeleine:

madeleine

 

**** POSTS SOBRE CARNAVAL:

Coletânea de posts sobre o assunto

Karaokê de marchinhas

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High School em 1969

Uma amiga postou no Facebook um link para imagens da revista norte-americana Life feitas numa escola americana em 1969. Não sei dizer se eram fotos espontâneas ou um editorial de moda porque algumas fotos ou pessoas, como a menina com traços indígenas, me deram a impressão de serem “montadas”, mas enfim, posso estar enganada. Mas, como o próprio texto que a revista coloca em seu site junto com as fotos diz, retrata muito bem uma época em que a moda foi apropriada pela cultura jovem que floresceu nos anos 60, fazendo parte de um conjunto de mudanças culturais que surgiram nessa década. Recomendo a leitura!

Selecionei algumas imagens:

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Estilo Emma Bovary

Como disse no post passado, li o clássico de Gustave Flaubert, Madame Bovary, para meu curso de mestrado. Eu e a maioria das pessoas tendemos a ficar imaginando como seriam os personagens dos livros que lemos, correto? Para alguém que ama história da indumentária/moda como eu, esse exercício imaginativo se estende às roupas também.

Ainda mais numa história como esta: para quem não sabe, Emma Bovary, uma pequena burguesa nascida no campo, se deslumbra com as possibilidades de coisas que ela pode consumir quando se casa com Charles Bovary, um médico do interior da França. Sua perspectiva idealizada da vida, principalmente quanto ao que ela consumia, usava; acabam levando a um final digno de tragédia grega. Trata-se de uma versão mais trágica e menos besta daquela história da Becky Bloom – para ilustrar BEM mal e porcamente, me perdoe Flaubert!

Não vou me ater muito a essas questões neste post porque não é o objetivo aqui, mas para quem se interessar, além do próprio romance, indico o artigo da minha orientadora, Laura Graziela Gomes, Madame Bovary ou o consumo moderno como drama social, presente no livro Cultura, Consumo e Identidade (Ed. FGV, org. Livia Barbosa e Colin Campbell); e tambémo livro do sociólogo americano Colin Campbell: A Ética Romântica e o Espírito do Consumismo (Ed. Rocco – anda esgotado, mas procurem!).

O que eu queria mesmo fazer é alimentar nossa imaginação pensando como Emma se vestiria, a partir dos meus conhecimentos da indumentária da época do livro. Flaubert quase não descreve suas roupas – que pena! – mas a partir do ano em que o livro foi lançado, podemos ter uma ideia: 1857.

A maioria dos historiadores da Moda que eu estudei (principalmente o James Laver em A Roupa e a Moda) divide o Séc. XVIII nas seguintes épocas: 1800 a 1850 (estilo Império do reinado de Napoleão, depois o período do Romantismo), e entre 1850 e 1900 – com destaque para a Era Vitoriana e a Belle Époque (posso me alongar nisso depois, um dia quem sabe? Aliás, estou dando aulas de História da Moda, aliás!). Vale lembrar que, neste período a moda não mudava TÃO loucamente rápido como agora, ok?

Emma Bovary, portanto, viveu a transição do estilo romântico (mangas presunto imensas, decotes canoa que deixavam os ombros caídos, ar frágil) e a década seguinte, onde o fortalecimento da classe burguesa na Inglaterra e na França levou a uma maior sofisticação na moda e ornamentação na roupa feminina.

Achei muitas imagens, mas travei uma guerra aqui: seriam suas roupas mais escuras (porque austeras e simples) no início e mais claras quanto mais dramática, romantizada sua vida ia ficando? Ou o contrário? Voltei ao livro para procurar pistas e Flaubert cita uma capa de viagem preta e pensando também no lado sombrio do romantismo, então fiquei com a segunda opção. Como Emma, no início da história, é uma mulher mais contida em seus impulsos consumistas, imagino que pudesse usar roupas mais simples, para o dia  (vestidos de 1843 a 1850, do acervo do MET):

1843 met museum 1845-49 MET

1845-50 Met

A partir da década de 50 deste século, como disse a burguesia se destaca e o seu poder de consumo aumenta, mesmo a pequena burguesia. Emma se deslumbra e quer sempre o melhor, almeja as novidades que vêm de Paris. Uma das principais características da moda dessa época é o uso da crinolina: anágua de tecido engomado feito de fibra de pelo de cavalo sobre uma gaiola, que dava um volume imenso à saia. Como ilustra a imagem abaixo, que é de 1860, mas ilustra bem o auge do volume das saias (a mulher foi aprisionada no espartilho e numa jaula – literalmente!)

crinolina

E uma cage de 1856:

armação

Provavelmente, apesar de não ser muito preocupada com dinheiro, Bovary não tivesse bala na agulha, d’argent, para tamanha extravagância (da primeira foto). Mas podemos pensar em vestidos mais sofisticados para a metade do livro em diante. Investia em tecidos mais nobres como veludo, tafetá, cetim, mousseline, mandava trazer rendas e acessórios:

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Esse seria bem propício para Emma (do comportado ao mais “livre”):

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Já para suas viagens, que tal:

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Completando, o traje de andar de cavalo que também é mencionado:

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Além dos vestidos, fiquei imaginando como traduzir os badós, tradução brasileira para o penteado na moda da época: cabelo dividido ao meio, com volume na região das orelhas e preso em coque. Daí achei essa foto de 1850 que bem poderia ser de Emma:

bados

Todas as imagens de: OMG! That Dress e vestidos dos acevros dos museus MET e V&A

Ebay Loucurinha

Posso chocar algumas pessoas com a informação a seguir, mas é verdade: eu nunca tinha entrado no Ebay até outro dia. Entrei e pirei (no sentido antropológico): que mundo louco de compras online.

Lendo alguns blogs de beleza, vi que as meninas costumam comprar muito lá e por preços baratos, então resolvi dar uma olhada. Com ajuda e indicações de vendedores de vários sites, fiquei conhecendo melhor esse mundo e me choque com uma questão: o Ebay é um grande camelódromo!

As patricinhas que ainda acreditam na qualidade e originalidade das peças carinhas que pagam por aí deveriam dar uma olhada pelas lojas de lá. A impressão que dá é que a produção de diversas marcas (maioria vinda da China) é desviada para esses vendedores, que cobram preços mais bacanas e realmente é tentador comprar por eles. Tentei escrever mil vezes sobre a questão da produção nada politicamente, ecologicamente, tudomente correta da China, mas é uma situação tão complicada essa do mercado de moda que prefiro me abster da discussão de araque aqui no blog, sem argumentos fortes.

Mas o que me chocou muito mesmo nem foram as cópias de roupas e acessórios de grandes marcas, mas sim as maquiagens e cosméticos piratas. Vi vários vendedores oferecendo marcas como Benefit, Urban Decay, Mac por preços justos (nem baixos demais, nem caríssimos). Mas qual foi minha surpresa ao descobrir em muitos grupos e fóruns de discussão sobre Ebay que a maioria desses cosméticos é FALSA. 

E mais: as pessoas sabem que estão comprando cosméticos piratas. Fico pensando como é grande a força da marca, o grande PODER disso tudo porque cosmético não é como a roupa: a diferença entre uma pirata e a original pode até ser em tecidos e etc; mas o fato de ser falsa não altera a função e desempenho da roupa.

Mas um cosmético? Eu pensava, e sou assim, que a principal força de um bom cosmético é a sua eficácia e por isso muitos são tão caros  (ainda mais quando são dermocosméticos). Mas isso acontece com maquiagens também. Por que as sombras da Urban Decay ficaram tão famosas? Porque são muito boas, realmente! Por que a gente investe em perfumes caros? Porque são realmente bons!

Comprar um cosmético falsificado só te dá a garantia do status de ter algum produto supostamente daquela marca, não garante a sua eficácia, seu bom funcionamento e pior: pode ainda dar problemas alérgicos, de pele, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFotos desse blog que mostra as paletas fakes: http://www.theblackpearlblog.com/2012/08/urban-decay-naked-palette-and-ebay-fake.html

Pra mim, esse foi um dos casos mais emblemáticos para mostrar a força das marcas, do branding. To até pensando em mudar um pouco o tema da minha pesquisa de Mestrado, de tão bestificada que eu fiquei.

Mas enfim… maluquices desse mundo do consumo, finalizo dizendo: cuidado quem compra maquiagem no Ebay! Fiquem de olho!

PS.: achei no Google esse post identificando sombras falsas da Mac compradas no Ebay. Esse fórum gringo também faz esse alerta.

 

A vaidade e o machismo

Outro dia, fui questionada por me dizer feminista e, ao mesmo tempo, ter estudado moda, gostar de maquiagem, etc. Mas será que o ato de se enfeitar está estritamente ligado à opressão feminina? Ou a forma como isso é visto é que está?

Tenho uma teoria (de boteco, não estou sendo acadêmica nem pesquisadora aqui, pelamooorr) que o que oprime é a falta de escolha e o tolhimento da vontade porque o uso de adornos é tão antigo quanto a própria civilização e não é exclusivo de um gênero (só do homem ou só da mulher), ou de sociedades patriarcais ou matriarcais. Se pintar e se enfeitar é uma manifestação da cultura de diversas sociedades no mundo, por toda a nossa história.

Claro que não podemos esquecer que, em vários grupos, as mulheres são “obrigadas” a usarem artifícios, definir dolorosamente os corpos para se adaptarem a padrões de beleza de suas culturas (argolas no pescoço, pés mínimos, etc). Mas são imposições, não é o ato de se enfeitar em si ou o artefato sozinhos que fazem disso uma imposição machista.

Em diversas épocas e entre diversos povos, os homens já foram os “pavões” da história, sendo eles muito mais enfeitados que as mulheres, por exemplo. Já em outras épocas, homens e mulheres usavam zilhões de acessórios e roupas cheias de regrinhas. Pensem, por exemplo, nos nobres franceses dos séculos 17, 18: tanto homens quanto mulheres usavam roupas suntuosas, perucas, jóias e maquiagem.

henri-gissey-louis-xiv-as-apollo Croqui de roupa de balé representando o Rei Luís XIV, o rei sol. NADA básico, hein?

O que diferencia, e eu aí eu concordo com essa teoria da estrutura da roupa limitar a mulher simbolicamente, é que algumas peças representavam o tolhimento, o MOVIMENTO físico (e isso é muito simbólico, podemos dizer) das mulheres. Espartilhos, crinolina, anquinhas e outras peças não deixavam a mulher (burguesa ou nobre, porque as pobres tinham a roupa mais simples e funcional para o trabalho) se mexer – literalmente. Com o crescimento do poder social da burguesia e da valorização do trabalho, a vestimenta de homens e mulheres se diferenciou drasticamente: homens sóbrios e básicos, mulheres enfeitadas.

51fd77b269bfeb997c88e1013d353cff  Folheto de propaganda de espartilhos – ou objetos de tortura?

E, até hoje – salvo a excentricidade das décadas de 60, 70 e 80, e os rappers americanos – os homens também estão presos nesse conceito de sobriedade. Principalmente os latinos – os brasileiros. Por isso que eu sempre digo, para convencer meus amigos homens a aderirem ao movimento: o homem TAMBÉM é vítima das malices do machismo.

Pink_Floyd_1967 Pink Floyd em 1967. Imaginem o que os fãs chauvinistas iam achar deles hoje em dia, hein?

O que eu acho que configura opressão/liberação são as distinções sociais da roupa/beleza. Traduzindo: as regras e imposições sociais (muitas delas reforçadas principalmente pela publicidade de marcas de cosméticos e moda, infelizmente). Coisas do tipo: a mulher TEM que ser bonita, corpo bonito, concurso de beleza para mulher, etc.

Se eu quero me depilar inteira – ficar que nem índia – ou se sou contra a depilação deve ser uma escolha minha, não? O problema é quando não temos escolhas, quando fazemos coisas arriscadas por causa desse padrão e também quando somos rechaçados por nossas escolhas.

Queimar sutiã foi um ato simbólico, não prático. Eu amo sutiã. Homem pode não saber, mas peito pesa, Brasil! Mesmo quando não é lá muito grande. Por isso, não vou queimar os meus jamais! Aliás, esse quesito sutiã é um preconceito que eu tenho e admito – mas isso é assunto para um post na catiguria humor.

O que eu queria dizer é isso: se vista ou não, se enfeite ou não, se depile ou não se VOCÊ gostar. Faça uso da nossa sociedade ultra-individualista nisso e faça valer sua vontade. O Machismo e outros preconceitos estão na falta de respeito por nossas escolhas.

Beijos.

Outono/Inverno 2013 ou 1300, 1400, 1500…

Que a moda é cíclica, acho que todos já perceberam, mesmo que você seja apenas uma consumidora e admiradora de coisas bonitas. Antigos elementos de roupas passadas volta e meia acabam aparecendo novamente como releituras, com novas aplicações, contextos, elementos “atualizadores”.

Mas, de uns tempos pra cá, venho percebido uma volta mais a fundo nas décadas da história da indumentária humana. Mais precisamente nos períodos da Idade Média e do Renascimento. Antes até mesmo do período Barroco, na crista da onda da moda atualmente. E mais: nas passarelas internacionais, pelo menos, a releitura é quase literal, dando às roupas um ar muito mais alegórico, de fantasia, do que uma ideia próxima de “ready-to-wear”, pronto para usa, para ir para as lojas em formas adaptadas e daí para as ruas.

Na coleção de pre-fall, a Chanel fez uma homenagem à Escócia e a sua antiga e polêmica rainha Mary Stuart, como comentei nesse post. Coleção beeem literal. Já agora, na coleção de outono/inverno, a marca foi mais pé no chão, mas outras “colegas” não seguiram seu exemplo.

Acho curioso esse fenômeno que volta e meia acontece: em tempos de dificuldade econômica, um boom de luxo. Pelo menos dessa vez, na minha parca análise, o luxo ainda divide espaço com marcas mais realistas.

Bom, não é o caso do desfile (que eu achei deslumbrante) da Dolce & Gabbana, por exemplo, com grande inspiração nos mosaicos bizantinos de antigas catedrais. O Bizâncio foi o império romano oriental – explicando brevemente. Como diria uma antiga professora minha: riquííísssssssssssssssssimos! A imperatriz Theodora foi um ícone de elegância e poder. Por isso, muitas referências aos seus imperadores e aos primórdios do catolicismo.

dolceegabbana 2013 I

dolceegabbana 2013 II

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Influência na vestimenta católica também vimos em outra marca italiana, Valentino. Engraçado perceber que o Vaticano influenciou a moda mesmo antes da saída do Papa porque, ora bolas, essas coleções deviam estar sendo feitas já quando sua saída foi anunciada. Esse zeitgeist me intriga demais! Além dos elementos episcopais, também encontramos aqui referências à Idade Média e ao início do Renascimento.

Valentino fall 2013 I Valentino fall 2013 II

tumblr_mb31mnHLKY1qm9v46o1_500 Quadro “Garota com Unicórnio”, de raphael, que representa uma amante do Papa Alexandre VI ou Rodrigo Borgia para os íntimos. Os Bórgias eram mais babado que qualquer Vatileaks de hoje.

Bom, coincidência no mínimo curiosa. Mas esses revivals são a alegria de quem gosta de história da indumentária, então ótimo!

Fotos de desfiles: Style.com

Fashion Film?

Vejam esse vídeo antes de lerem o texto abaixo, por favor:

Um amigo meu mandou e chorei de rir. Muito boa a piada com essa febre dessa linguagem etérea de fada hipster, com voz sussurrante, flores no cabelo tipo Lana Del Rey (pata apática). Ri muito da parte que fala da banda.

fashion film

Não vou falar que dessa água eu nunca bebi. Para terem ideia, em abril de 2010, fiz um post observando que em vários flickrs que eu acompanhava, a galera estava fazendo fotos no meio do mato, deitado no chão, etc. Logo depois, fiz outro cujo tema era, justamente o delicado.

Há uns 2 anos atrás, essa onda quase me pegou pedindo mais amor, por favor. Mas quanto mais se amor a galera pede, menos eu vejo fazer, sentir. Hoje essa “estética” da delicadeza, das coisas etéreas, etc; já deve estar no topo caminhando pro declínio dentro do ciclo de vida de uma “tendença”. Começamos a perceber um novo ciclo vindo aí, acho que um pouco menos sonhador. Mais descrente ou mais realista? Qual cenário futuro vai vingar?

O vestido polêmico de Anne

Comentar looks de celebridades – nas ruas ou em tapetes vermelhos – nunca foi o meu forte, com exceção dos comentários ao vivo no Twitter, já que esses são em tom de deboche total. Mas não posso evitar de fazer esse post porque a história do vestido polêmico da Anne Hathaway no Oscar 2013 me lembrou duas coisas que já passei na vida:

1- Já trabalhei por um breve (graças a Deus) tempo em uma assessoria de imprensa de famosas e tive que arranjar vestidos para as moças usarem em festas de estreias de novelas, filmes, etc. É um Deus nos acuda e eu DEFINITIVAMENTE não nasci pra trabalhar nesse mundo.

Por isso, imagino a odisseia que deve ser para todo o staff por trás de uma estrela de Hollywood na hora de escolher a roupa de uma ocasião tão importante. E como deve ser horrível ter que ouvir as críticas depois. Pode ser, muito provavelmente, que a própria Anne tenha batido o pé e contrariado a orientação de todos. Mas essa história me tocou, já que sei, guardadas as devidas proporções, como a assistente da assistente da assistente possa ter se sentido.

Anne-Hathaway-Prada-Oscar-2013

Miuccia Prada e sua equipe que me perdoem, mas o modelo do vestido de Anne no Oscar era péssimo – pelo menos pra ela e naquele momento. Fora a questão dos mamilos em evidência, ele era reto e sem charme, com umas costas tão polêmicas quanto os mamilos. Parecia um avental esticado. Para quem está MUITO magra como Anne (que teve que ficar esquelética para o papel e parece não ter recuperado o corpo “normal” até agora), o vestido não favoreceu nada e ainda virou inspiração para ótimas piadas no Tumblr Anne Palmitoway

anne palmitoway

Mas o modelo só não era o motivo do desgosto. Vamos à cor:

2- A aaaanos atrás, cobri uma palestra de duas consultoras de imagem americanas para uma revista onde era repórter freela. Fiquei impressionada com uma técnica que elas apresentaram: a Teoria das Estações. Através dessa técnica, os personal stylists podem indicar quais cores ficam melhor no cliente de acordo com uma classificação que foi criada usando como inspiração as estações do ano.

Vou tentar explicar brevemente, mas nesse blog achei uma explicação bacana para quem se interessar. Quem tem tons de pele, olhos e cabelos mais frios é Verão ou Inverno. Quem tem tons mais quentes, Outono ou Primavera. Quem tem cabelos, olhos mais escuros é Inverno ou Outono, e olhos e cabelos mais claros, Verão ou Primavera. Mas, dentro de cada estação, essa classificação ainda recebe 3 níveis: clear, cool e dark (os nomes variam).

Eu e Anne Hathaway temos uma coisa em comum: somos dark ou deep winter. Temos cabelos pretos ou castanhos muito escuros, peles brancas (pode ser levemente rosada), olhos castanhos, azuis ou verdes escuros, acinzentados. Segundo essa teoria, nós ficamos bem em tons com azul na sua base (porque temos cores frias em nós) e bem vívidas.

Não sou estrela de Hollywood, mas sei que tons bebê me deixam apagada. Acho até que para o dia a dia, OK, mas não para uma noite importante onde o meu objetivo é aparecer. Para uma festa importante, nunca escolhi nada parecido. Olha, eu sou a Márcia, não sou famosa, nem rica.

deep winter Explicação do site Cardigan Empire

Me admira que, para uma cerimônia TÃO importante como o Oscar, a personal stylist da Anne não tenha pensado que aquele rosinha apagado fosse levar junto seu brilho. Usando essa teoria, uma breve busca no Google mostra algumas cores que ela poderia ter escolhido pro vestido (além dessas na tabela acima):

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Viram que cores mais claras até aparecem na cartela, mas se você pode usar um vermelhão, um azulão, por que escolher uma fuen? WHY WHY WHY?

A própria atriz já usou várias delas em outras cerimônias e estava maravilhosa! Branco ia ficar melhor que rosa-camisola de noite de núpcias. Vejam (esqueçam os modelos, foquem nas cores):

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Anne-Hathaway-red-carpet-looks-e1346108368773 (ps: eu acho esse penúltimo, meio dourado, meio apagado nela)

anne-hathaway-oscars-2008-05 E esse tom de vermelho, que coisa absurda?

RESUMINDO: Sei que é bobagem perder meu tempo fazendo esse post sobre uma coisa tão besta. Mas uso o ditado de que o tapete vermelho de hoje é a história da moda de amanhã. E a história do que os homens vestem é importante para este blog!

A mulher raspou o cabelo e perdeu mil quilos pra ganhar esse maldito Oscar nesse vestido caído, pagando os tubos para uma equipe ajudá-la, recebendo mil sugestões porque é rica e famosa. Não vamos nos sentir mal por achar que não temos roupas na hora de ir praquela festinha.

PS.: se alguém que realmente saiba como funciona a Teoria das Estações quiser fazer alguma observação ou correção, POR FAVOR, fique à vontade!

ADENDO: ANNE PEDIU DESCULPAS! Ela usaria um vestido Valentino – a empresa chegou a divulgar isso na imprensa. Olha a sacanagem com o assessor! Hahahahaha. Mas, pelo menos ela é educada e esperta e pediu desculpas publicamente para não ficar queimada com a marca.

Fiquei curiosa para saber como seria o vestido que ela usaria. Mais explicações na matéria do Globo.

Cores de Inverno 13 por Paul Smith

Li algumas críticas não muito positivas ao último desfile do Paul Smith na London Fashion Week, mas gostei muito de algumas cores de sua cartela e das coordenações propostas no styling do show.

Me empolguei tanto que montei até uma cartelinha com as preferidas – montar cartela de cores é um vício estranho meu, não se assustem;

paul smith fall 13

Dica Bainha: BubbleGum Acessórios

Como podem ver na minha mini biografia aqui, nasci em Volta Redonda, cidade no interior do estado do Rio. Não gosto de lá. Tenho uma certa mágoa de caboclo por causa de uma adolescência entediante e deslocada. Acho uma cidade cinza demais, mas dessa feiura arquitetônica e poluída saem coisas bacanas que quero dividir com vocês (abrindo uma exceção na minha regrinha própria de tentar evitar falar em marcas).

Descobri no Facebook uma marca voltaredondense, a BubbleGum. A designer Thais Carlini cria acessórios super coloridos e que trazem os principais hits com jeito próprio, fugindo das febres padronizadas e cópias literais de outras marcas. Também achei bem bacanas as fotos do lookbook de alto verão/carnaval, bem festivas, coloridas. As peças são versáteis e cambiáveis: cordão vira pulseira, cinto vira cordão, etc. Checa só:

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(PS.: antes que falem, isso não é publipost e eu nem conheço a Thais! Lá em Volta Redonda, eu era uma ET esquisita, só conhecia 4 categorias de pessoas: família, pessoal do colégio, pessoal do violino e umas pessoas que foram na mesma excursão pra Disney que eu – hahahahaha. E a Thais não estava entre elas. E tem 10 anos que vim morar no Rio, então não conheço MESMO. Vi a marca no perfil da mãe de uma amiga e fã aqui do blog, a querida Lilica , que por sua vez, conhece a Thais. Portanto, não to favorecendo ninguém, só achei legal a marca da terrinha hehehe)