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Me add no Whatsapp?

Outro dia, estava no ônibus do Rio para Niterói quando sentou um menino bonitão do meu lado. O trajeto duraria, normalmente, 30 minutos, mas o trânsito fez durar mais. A bateria do meu celular acabou, eu estava sem livro pra ler… acabei por… dar aquela espichada de olho no que o menino tanto cutucava no touch do seu celular. Ele tava numa janela do Whatspapp com uma menina, a tela ainda branca, mostrando que a conversa entre os dois tinha se iniciado por ali.

Ok, me distraí na paisagem e, quando olhei de novo, a foto da menina era outra, mais uma janela de conversa ainda por começar. Ele respondeu algo rápido. Fechou, foi para aquela lista de conversas, só fotos de meninas. Rolou a barra com o dedo, ia abrindo conversa, mandando algo, fechando, partindo pra outra conversa. Nessa, contei umas 15 conversas diferentes.

Fiquei impressionada com a capacidade do cérebro desse cara. Como ele consegue guardar os nomes, o que falou, com qual já saiu, qual já deu uns pegas mais fortes? Fiquei pensando na minha dificuldade de guardar, na minha pesquisa de mestrado, quais interlocutores eu já entrevistei por email, quais já entrevistei ao vivo, etc. Quando trabalhava como assessora de imprensa então, pior ainda. Tinha que fazer uma tabela de “follow” para saber com qual jornalista já tinha falado, o que ele tinha respondido…

Agora, este rapaz, numa viagem de 1h30 conversou com 15 meninas diferentes. Se não fosse expor minha loucura, teria perguntado se existe alguma técnica para coordenar tantos assuntos, tantos contatos. E a agenda? Esse menino consegue encaixar tanta pretendente assim em 1 mês, pelo menos, pra conseguir efetivamente sair com alguma delas?

Mas aí é erro meu de julgamento. Nem sempre as pessoas querem sair com os papos de whatsapp. Algum amigo antropólogo do ciberespaço precisa estudar esse fenômeno! Estou deveras impregnada com essa questão no plano pessoal para estuda-la. Mas fica aí essa dica.

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Todo dia ouço histórias de relações que acontecem só no Whatsapp, Tinder ou chat do Facebook. Uma moça comentou toda orgulhosa que estava falando com uns 6 caras no Tinder. Os papos iam ficando mais animados, duravam meses. Aí perguntei, na minha inocência, se já tinha ficado com algum. Não, nem tinham se encontrado. Com nenhum dos seis. Mas a onda dela não era essa, era cortejar e ser cortejada.

Fui contar para um amigo o caso do menino do ônibus e ele não viu surpresa. “Eu faço isso direto. Na maior parte das vezes, nem rola nada demais, ou só uma vez… Isso irrita umas, que passam a ficar chatas”. Eu comentei que achava que ficaria igualmente chata na situação e perguntei se ele me achava chata. “Não, po!”. Mas isso é porque ele é meu amigo de beber cerveja no bar. Respondi que quem semeia vento, colhe tempestade. Mas ele não entendeu minha piadinha.

Embora eu tenha sempre vivido conectada em canais de comunicação online desde que meu pai colocou internet discada lá em casa, e tenha tido inúmeros amigos virtuais, eu prefiro sempre as conversas ao vivo. A agência da máquina não funciona bem comigo para relações interpessoais. Ou seja, as características dos programas de chat, as redes sociais, desse tipo de comunicação, podem ajudar a aumentar os casos de mal entendidos, interpretações errôneas.

Eu sou verborrágica nonsense quando escrevo por escrever. Escrever é o meu ganha-pão e, nesses casos, ele é super bem treinado para ficar controladinho. Mas, ao mesmo tempo, na vida normal, escrever é meu lado mais subjetivo saindo sem controle, sem o controle do superego. Uma Clarice Lispector menos talentosa do Whatsapp. Já imaginaram o estrago?

Além disso, todo o aparato para a paranoia que eles criam, como os dois tiques azuis do Whatsapp, só colocam lenha na fogueira. Acabam por dar margem para lados seus que nem sempre aparecem no dia a dia virem à tona. Só serve para semear a discórdia.

Falando ao vivo, a linguagem verbal não é a única forma de comunicação que temos. Vai além dos emojis (que também carregam 20 mil interpretações), das mensagens de voz. A conversa flui sem intervalos estranhos, no tempo do encontro. Se o assunto não render, provavelmente mais nada vai render depois, então ninguém perde seu tempo com papinho. Ninguém semeia vento, nem colhe tempestade.

Mas essa é minha opinião pessoal, cada um com seus usos, como diria meu eu-antropóloga. No mais, queria apenas pedir desculpas para todos que foram inundados pela minha verborragia. Não fui eu, foi meu eu-whatsappiano. Meu eu-materializado é bem mais de boa! 🙂

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A pequena tirana e Os Mutantes

Quando eu era pequena, tinha dois vizinhos que ficaram meus amigos no meu aniversário de 5 anos. Nessa época, meus únicos amigos, que eu me lembre, eram dois primos da mesma idade. Eu era uma pequena tiranazinha, a filha MUITO caçula de pais mais velhos. A “temporã”. Eu tinha um gênio complicado e era muito brava. Era não, sou. Mas um episódio me fez ter pavor desse meu defeito. Senta que lá vem a história:

Sintam a minha vibe infantil
Sintam a minha vibe infantil

Como eu não era acostumada a ter que a me adaptar ao jeito dos outros brincarem, aquele casal de irmãos me irritava demais. Eles me contrariavam? Eu berrava com eles e expulsava de casa no maior estilo vilã de novela.

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Eu, pequena bronquinha

Um dia, minha mãe – que é igualmente brava e a Rainha da Justiça – disse que eles não voltariam mais lá em casa porque eu os tratava muito mal. Lembro dela falando, com a dureza sincera e necessária de mãe escorpiana, que se eu tratasse mal as pessoas, ninguém iria gostar de mim. Obviamente, eu peitei ela e disse que não me importava. Desconfio que ela combinou com a mãe deles que eles ficariam sem ir lá até eu pedir desculpas. Só sei que eles ficaram muito tempo sem aparecer, meses.

Eu era uma criança solitária, com irmãos adultos. Quando eu não aguentava mais brincar de Playmobil sozinha e ver 20.000 vezes “A Noviça Rebelde”, perguntei pra minha mãe como fazer pra eles voltarem e ela explicou que eu tinha que pedir desculpas e não trata-los mais assim. Vencido meu orgulho, reatei a amizade. Eles foram companheiros de muita diversão por anos e anos. Hoje em dia, seguimos nossas vidas em cidades diferentes, mas ainda nos falamos.

Essa historinha toda foi para falar que o nosso jeito vai definir muito como somos vistos pelas pessoas. Por comodidade, fingimos não nos importar muito com isso porque, em geral, temos aquele círculo de parentes ou amigos que não se importam com nossas malices. Mas não podemos sentar em nossos defeitos. A eterna avaliação e consciência das nossas atitudes é um exercício doloroso, mas indispensável para o nosso bem-estar e o dos outros.

Eu ainda sou a pequena mimada e muito brava, mas eu luto todo santo dia para não ser assim porque não quero afugentar as pessoas, ser conhecida por ser desagradável. Eu sou grosseira e quase morro quando esse meu lado fica descontrolado. Quando sou impaciente com as pessoas que eu amo (meus pais, irmãos, sobrinhos, primos, tios, amigos…), quando sou crítica demais com os outros, quando fico sarcástica e implicante por me sentir rejeitada.

É sempre muito difícil pra mim, até porque o meu oposto para a grosseria é a piada – o que não ajuda em nada, na maioria das vezes. Mas, nunca é tarde para mudar em busca de algo melhor. Eu não quero ser o motivo para o choro alheio. É piegas, eu sei. Mas é um bem que fazemos aos outros e a nós. Se eu não tivesse mudado na infância, teria tido uma infância tão legal como tive?

A lição da minha mãe pode ter sido dura pra uma menina de 6 anos. Mas foi muito eficaz. Se a gente não se importa com o que fazemos com as outras pessoas, elas se afastam de nós. E a solução pra isso não é achar pessoas que não se importam em ser mal tratadas. Ou pior!!! Achar quem te maltrate ainda mais, para acabar com seu ego. Mas sim mudar o jeito – ou pelo menos tentar. Admitir os defeitos, aceita-los, mas não nos acostumarmos com eles, nem achar que os outros podem lidar com eles sem chateação.

Sou longe de ser um modelo, uma pessoa iluminada. Mas eu tento melhorar, eu juro!

A velha desculpa de gênio difícil e esquisitice não seria um bloqueio emocional para afastar quem vê o nosso lado bom, e não esse tal monstrinho interno? Não sei. Só queria mesmo levantar essa bola – ainda mais nesses nossos dias de brigas e intolerâncias de eleição, corações partidos e pela falta de empatia.

E a palavra mudança combina com: humildade, “eu errei”, desculpa. Né não?

Termino com a Tulipa Ruiz. Ela diz “cuida bem da tua forma de ser. Amanhã o dia vai ser diferente doutro dia”. Acho que ela não nos manda ser sempre do mesmo jeito, mas sim cuidar muito de como somos. Manter e valorizar aquilo que é bom, tentar melhorar os defeitos. Porque nunca sabemos o dia de amanhã. “E no fundo, bem no fundo, você sabe como isso é legal: ter alguém que entenda essa sua transição”.

Vamos transitar, transmutar, transmitir, transformar. Tipo mutante! Porque como ensina o mestre de todas as horas Lulu Santos, “tudo muda o tempo todo no mundo. Não adianta fugir, nem mentir pra si mesmo. Agora, há tanta vida lá fora”. Bora viver de boa?

Amores distímicos

Um tempo atrás, escrevi esse texto sobre pessoas da minha geração que – apesar da modernidade das relações – acabavam tendo uma visão muito romantizada da vida amorosa/sexual. Elas pulam de galho em galho, mas apesar da variedade e movimentação de dates, sentem um certo vazio “inexplicável”. 

Hoje, uma amiga veio me mostrar esse outro texto de um rapaz. Gostei do blog dele e adoro homens que se prestam a falar da vida amorosa com sinceridade. Adoro ver o lado deles porque acho que estamos todos no mesmo barco. Nele, o rapaz pergunta onde estão as pessoas interessantes? Diz que vem passando por um limbo de desinteresse para se abrir para novas pessoas, do velhinho do ônibus às meninas que tem saído ultimamente. Apesar de reconhecer que anda desanimado, ele se pergunta onde estão as pessoas interessantes e interessadas “em se conectar de verdade”. 

Quando li esse texto, lembrei imediatamente desse meu, onde cito um outro do Ivan Martins, da Época e fiz esse debate de nós três na minha cabeça. O rapaz do site é um caso – a meu ver – desses que está esperando pelo o que nunca virá. Não consigo imaginar como é possível que entre as 10 meninas que ele disse que saiu NENHUMA tenha despertado o interesse dele. Será que andamos tão desinteressantes assim ou sim desinteressados nos outros?

Opções de mais?

Aproveito para citar um comentário do texto de uma das leitoras que disse exatamente o que pensei e gostaria de falar para esse amigo desanimado. Ela diz:

“Já pensou no tanto de gente interessante q perde o interesse por quem anda nessa apatia? Eu tô nessa… Conheci um cara mto interessante, mas q tá num momento em q por mais q eu puxe, ele não sai desse limbo. Talvez eu não seja interessante pra ele ou talvez ninguém o seja… Parece q as pessoas esperam sempre q a próxima história já chegue arrebatando, virando tudo de cabeça pra baixo, qndo na verdade tudo é uma questão de se permitir conhecer e ser conhecido além da primeira impressão de um Tinder da vida”.

Guardem essa informação para a minha exposição depois. Guardem e juntem com mais esta: Há um tempinho atrás, as amigas queridas do GWS escreveram um texto nos moldes “Ele não está a fim de você”, incentivando nós meninas a desencanar daquele bofe que não tá nem aí pra gente.

Temos o post do menino + comentário + post do GWS e agora guardem mais essa: o filme “Elizabethtown”. AMO esse filme porque sempre me identifiquei muito com a Claire, personagem feminino principal. Eu e meia mundo de meninas. Sou muito sincera e falante, como a Claire. É um defeito, aliás, que acaba assustando muita gente. Mas sou legal pra caralh… ok????

Mas aqui quero falar do personagem do Orlando Bloom. Ele é um cara no limbo amoroso. Distímico é pouco, ele quer se matar porque se acha um fracasso. E encontra uma menina como a Claire. Já viram? Então vejam.

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Bom, voltando ao post do GWS, na época, comentei no texto das meninas que é importante marcar e ressaltar que tem muita gente por aí que não quer nada nem com você, nem com ninguém. Estão perdidos, não sabem o que querem, não se satisfazem com nada. Parecem que vivem uma distimia amorosa – uma insatisfação crônica. E sofrem! Podem não admitir e fingir que não, mas sofrem.

A solução é tentar puxar o outro do limbo? Como disse a menina do comentário que citei, por mais que tentamos puxar a pessoa, nem sempre a pessoa quer. Aliás, esse puxão pode ser interpretado como mala, desespero, carência, incômodo! 

Assim, vamos desperdiçando gente legal de bobeira. Como ela disse também, a vida vai parecendo o Tinder, que com uma passada de dedo, você bota a galera para escanteio. Mas é culpa do Tinder ou ele apenas captou um comportamento já presente na sociedade? Isso é papo pra pesquisa que não quero tratar aqui.

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Junto com esse limbo, com esse humor amoroso distímico, existe a (falsa?) sensação de que há muitos peixes aí no mar dando bobeira e disponíveis para nós. O cara ou a menina até podem sair com uma pessoa legal pra caramba, papo bom, beijo bom, gosto parecido, sexo excelente…. Mas o cara (ou a menina) pode pensar: “poxa, postei uma foto no meu Instagram e 40 meninas(os) curtiram! To por cima da carne seca! Por que concentrar a atenção naquela menina legal, se posso testar as outras e ver se tem uma ainda mais legal?”. Temos aí a famosa rodada de prato.

Alguns se satisfazem com essa variedade, querem pegar todo mundo mesmo. E tão no direito deles, né gente? Homens e mulheres. Mas nem todo mundo é assim. Tem gente que procura a conexão, que o garoto do post diz. Mas precisamos estar abertos pra ela, né?

Esse limbo pode ser decorrente de várias decepções seguidas. É difícil andar por esse terreno bizarro das relações hoje em dia, seríamos nós uma geração em transição e, por isso, perdida? Não sei, se alguém souber, ajuda.

O que eu sei é que sempre acredito em duas coisas:

1- Não fazer com o outro aquilo que não quer que façam com você. Sejamos honestos e respeitosos. PRINCIPALMENTE na hora de dar um fora. 

2- Tô com o Lulu Santos SEMPRE.Sou gente fina, elegante e sincera, com habilidade pra dizer mais sim do que não. Vamos nos permitir, gente. Porque hoje o tempo voa. O avião voa, cai, a gente morre. A vida passa, gente legal passa e nem sempre a fotinha que vem depois no Tinder vai ser tão legal. E a pessoa descartada pode nunca mais voltar 🙂

Aprendemos com Claire e Drew de Elizabethtown!

Vamos conectar, de date ao casamento, o que importa é estar aberto pras coisas boas!

PS.: Para o menino que escreveu o post, caso ele leia o meu, tenho zilhões de amigas solteiras interessantes PRA CARAMBA. Confia!

PS2.: Esse post é dedicado ao último filho do limbo que me conheceu, mas me deixou passar. Lamento 🙂

Como deixar a franja crescer – sem sofrer?

Em 2007, cortei minha franja reta e curta, bem ao estilo Françoise Hardy, Jane Birkin e Zooey Deschanel, etc. Eu amo esse visual, mas desde então, NUNCA MAIS consegui deixar a franja crescer. É bom variar, né?

O máximo que ela já chegou foi até 2 dedos abaixo dos olhos. Meu “hair designer” amado, o mesmo desde essa época ,até ri quando eu chego lá para cortar cabelo. Ele sempre pergunta: “E aí, ainda está deixando a franja crescer?”. Porque ele sabe que eu falo pra não cortar e meses depois eu chego #chatiada porque eu mesma me arrisquei a cortar e “deu ruim”.

Só que 2014 é um ano desafiante e me propus a mais este: deixar a franja crescer. Agora é pra valer, amigos!

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Como nada nessa vida é fácil e temos que conquistar metas aos poucos, impus uma primeira: deixar até o nariz com o cabelo seco (porque ele molhado fica bem maior, mesmo sendo liso). Mas olha gente, como diria a Kátia, “não está sendo fácil”.

Quem tem franjinha sabe o quão difícil é fazer a bicha crescer. Chega um momento em que ela entra num limbo do visagismo, um comprimento que não é nem franjinha nem franjão, não fica atrás da sua orelha, não fica boa virada para lugar nenhum nem dividida ao meio. Me encontro nesse ponto. O desespero é tanto que decidi dividir o drama com vocês.

Digitei no Oráculo de Delfos moderno, o Google: “how to grow bangs” ou “como deixar a franja crescer”. Vi várias reportagens de revistas ensinando penteados mirabolantes com tranças laterais que obviamente foram feitas por pessoas que NUNCA TIVERAM FRANJINHA. Porque quem tem franjinha NÃO TEM CABELO SUFICIENTE PRA FAZER UMA TRANÇA COM ELA, POMBAS! (momento de raiva).

A melhor matéria no assunto foi esse post do blog The Beauty Department, que ainda mostra uma evolução do crescimento da franja da Sienna Miller.  Como eles dizem no post, o jeito é administrar esse pedaço de cabelo com vida própria usando acessórios para o cabelo e criatividade (recomendo a leitura para quem sofre):

SIENNA-MILLER-BANGSFoto: The Beauty Department

Mas as tentações são muitas. Além do desespero de não saber mais o que fazer com a franja, não ter o cabelo nem a beleza da Sienna Miller (nem seu ex-marido, Jude Law), voltimeia bate aquela dúvida: mas eu fico melhor com ou sem franja? Será que corro o risco de ficar irreconhecível, como a Zooey Deschanel nesta foto:

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Como tem aaanos que eu não tenho franja longa e como meu cabelo mudou radicalmente dessa época para agora, eu realmente não sei! E quando vejo alguém de franjinha, alguma foto minha antiga ou mesmo um grafite de uma mulher de franja que tem na minha rua; bate aquela tentação de passar a tesoura.

Celebridades sempre dão aquela inspirada, mas também duros golpes. A Alexa Chung estava com a dela bem longa ultimamente, mas uma foto no Instagram mostrou que ela cortou nesta semana. Poxa Alexa, não quebra o movimento!

Por enquanto a minha está assim (foto abaixo. Não reparem na textura do cabelo, estava bagunçando de propósito). Sigo na luta. Em breve dou notícias!

SE ALGUÉM TIVER TRUQUE, DICA, MACUMBA, FEITIÇO, SIMPATIA, POR FAVOR, COMENTE AQUI OU NA FANPAGE DO BAINHA!!!!!

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Bainha no Facebook aparecendo no seu feed :)

Esse Facebook danadinho… para dar lugar aos seus anúncios pagos nos nossos feeds de notícias, eles retiraram os posts das fanpages que eu e você curtimos. Como eu sei que todo mundo aqui curtiu a fanpage do Bainha, vou mostrar como fazer para voltar a receber as atualizações por aqui. É só ir à página e ver se o botão “Seguir”, à direita, está com um tick marcado. Se não, é só clicar e voillá!

curtir

Melhor ainda se passar o cursor em cima do botão “Curtiu”, vai abrir automaticamente uma janelinha e vocês vão clicar em “Obter notificações” e você ainda recebe uma notificação, olha que legal? 😀

obter notificações

Eu queria ser amiga do Xico Sá

DSC00302Foto: Mercearia São Pedro – SP

Meu maior arrependimento na vida não foi não ter insistido para meus pais me levarem para ver os Mamonas Assassinas na cidade de Resende, vizinha da minha natal Volta Redonda. Nem ter comprado aquele casaco da Adidas caríssimo na Disney porque a Mel C. usava um igual, só que na loja só tinha 3XL (3x extra grande). Até mesmo os arrependimentos de todas as mancadas que eu já fiz com os bofes da vida – principalmente os arrependimentos do que eu deixei de fazer. Eles não são grandes o bastante.

O maior arrependimento na vida foi não ter ido falar com o Xico Sá no dia que o vi na Mercearia São Pedro, em São Paulo.

Em 2009 ou 2010, eu estava bebendo e comendo os famosos pastéis com meus poucos (e bons) amigos de lá, como fazia quase semanalmente na época em que morei na Metrópole da Melancolia, e ele estava no balcão batendo papo. Bêbada, eu até cheguei a gritar “Xico Sá, nós te amamos!”, mas esse grito foi inútil no burburinho das noites da Vila Madalena.

Eu deveria ter sido é cabra fêmea, levantado e ter falado: Xico Sá, você é meu amigo. Imaginário, mas é. Mas não, fiquei travada pelo medo, pela medorréia, como diria o antigo bispo da minha cidade. Amélie Poulain sempre.

Não estou aqui me oferecendo como uma jovem fã se declara em amor platônico todo mal intencionado para um escritor, não! Queria dizer obrigada pelos seus textos fodas, preciso de um amigo como ele.  Imaginem que amigo excelente deve ser o Xico Sá. Imagina o quanto de confusão mental, de lágrimas e de causos estranhos eu poderia ter evitado se eu tivesse um amigo como ele? Um cabra justo.

Me imagino contando as minhas burrices e levando uma chamada. Não é isso não, mulher! Não que meus amigos não sejam ótimos, amo todos eles, mas sinto que ele seria um bom mentor, uma pessoa mais experiente na vida que está aí para te dar uma orientação.  Ok, agora eu tenho uma Orientadora – e eu adoro ela. Mas ela é minha orientadora acadêmica, o Xico Sá poderia ser tipo um mestre jedi.

Seria bom poder contar com o Xico Sá (porque, mesmo com a vontade de ser sua amiga, sou igual o Tim Maia e algumas pessoas merecem ser chamadas pelo nome e sobrenome). Tomar um chopp no Lamas, ele poderia ir nos jantares na casa da Carol (uma das minhas amigas), nos churrascos do Salgado (outro super amigo)… Mas não dá, naquele dia, lááá em 2009, sei lá, na Vila Madalena, eu não fui falar com ele. ficamos só no blog – já tá pra lá de bom!

Mas, se interessar, estamos aí! Garanto que seria uma ótima padawan!

O peso da culpa no abandono de um blog

Oi, alguém ainda me lê?

Uma vez, alguém me perguntou porque o Bainha nunca virou um blog famoso e rentável. Eu respondi que era porque eu não tinha isso como objetivo, que era péssima nos negócios e meu foco principal não era ele.

Tá, mas também não precisava abandoná-lo sempre que minha vida desse uma guinada que virasse junto o meu foco, né?

Pois é gente, mais uma vez – para quem acompanha o blog desde 2007, minha vida mudou um cadinho: estou fazendo Mestrado em Antropologia (oooooooooh! hahaha vou pesquisar sobre consumo e internet) e, depois de entrar para a vida acadêmica, além de não ter muito tempo, não consigo mais confabular sobre certos assuntos inocentemente. Será que serei julgada? Enfim, ainda não consigo conciliar as duas personas.

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Mas o pior é que eu me sinto culpada. Essa culpa católica que me faz me achar grosseira ao não responder uma ligação, um convite, uma mensagem ou um comentário aqui ou no Facebook. E me faz achar sacana ou grosseiro ou que está nem aí quem não faz isso.

Então, abandonar o Bainha é um ato de desamor pra mim. Mas eu voltei, voltei para ficar.

Prometo!

Os neo-românticos

Um dos filmes mais tristes e bonitos – principalmente no sentido estético – que vi nos últimos anos é O Brilho de Uma Paixão, que conta a história da paixão impossível do poeta inglês John Keats e da jovem Fanny Brawne. Por causa de uma série de fatores, mas principalmente por causa das convenções sociais da época que dificultavam a liberdade na escolha dos casamentos, eles não conseguem dar vazão à paixão que sentem um pelo outro.

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Keats viveu no início do século XIX e foi um dos representantes do Romantismo inglês. Sua história mostra muito como era o espírito romântico da época.

O Romantismo com letra maíscula não é levar flores, foi um movimento onde artistas de várias áreas (literatura, música, artes plásticas, etc) tinham como questão central de suas obras o indivíduo. Eles voltavam para si próprios, mostrando questões sobre a condição humana em tom dramático, ideais utópicos, escapismo, morbidez, e amores impossíveis.

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Nesse último quesito, relatavam paixões platônicas por mulheres idealizadas e impossíveis – muitas vezes eram mesmo, mas por isso, esses artistas criavam imagens errôneas para suas musas, carregadas de perfeição que ninguém tem. Era bonito sofrer, era inspiração para a arte e poesias.

Conto tudo isso para dizer que tenho percebido que essas características dos artistas do Romantismo em ALGUNS caras da minha geração. São coleções de histórias (algumas autobiográficas, outras que escuto das dezenas de amigas solteiras incríveis, e até mesmo de amigos que se sentem assim) que vêm me mostrando isso. Até mesmo um amigão meu vem reparando isso em seus amigos e seus causos amorosos.

Alguns caras estão românticos demais – não no sentido mimimi que fazemos do romantismo, volto a dizer. Mas sim românticos no sentido de criarem uma ideia absolutamente idealizada das mulheres e dos relacionamentos. Meu mestre e guru Xico Sá diria que são os homens frouxos de hoje. E alguns são mesmo. Mas acho que vai além de frouxidão.

O colunista da revista Época Ivan Martins disse exatamente isso neste seu texto (leia aqui, muito bom). Ele conta que muitos amigos dele colecionam casinhos com muitas meninas, ao mesmo tempo e etc. O famoso “rodar pratinho”. Mas não se sentem felizes com isso, estão em busca de uma coisa bacana, mais duradoura.

Mas, por que não conseguem, se têm tantas opções? Porque idealizam um tipo de menina e um tipo de sensação ao encontrá-la que, na maioria das vezes não acontece. Quantos casos de amor arrebatador, assim, de cara, vocês conhecem? E quantos taaaantos outros casos nasceram de situações comuns e de sentimentos que foram crescendo com o tempo?

Assim, quando estão com uma menina, sempre acham que lá no meio da multidão poderiam encontrar outra mais bacana – mesmo que inconscientemente – e ficam numa experimentação eterna.

E não, não é o mesmo que galinhar por esporte porque esses meninos sentem uma certa angústia. Como disse Martins no texto citado, “Da parte dos caras, a queixa é outra. “Eu não me envolvo”, eles reclamam. Sai moça, entra moça, e fica o mesmo vazio”. Por isso, se você está lá conversando com um bofe conquistador e ele diz que quer se apaixonar, não duvide, mesmo que você fique sabendo de mais dois novos casos dele a cada dia.

Alguns deles não ultrapassam a barreira de um ou dois encontros porque, por mais incrível que a menina seja, eles não sentiram nada de “mágico”, com cara de cena de encontro de filme de comédia romântica mal feita. Juro para vocês que acredito que esses meninos, tão descolados e pegadores, acreditam com veemência em amor à primeira vista. Que quando eles beijarem A princesinha de suas vidas, vão sentir uma coisa no peito… Parece até que foram eles que cresceram vendo Cinderela, Branca de Neve, etc. Chegam a dispensar as pretendentes mesmo antes de “finalizarem” a situação. Já não se fazem cafajestes como antigamente…

Por isso, muitas vezes, vão encontrar essa “magia” em situações que alimentam esse gosto pelo impossível e idealizado, como relacionamentos à longa distância (muito fácil se apaixonar por alguém enlouquecidamente , mas que não vai estar todo dia “pentelhando”, né?) ou com mulheres comprometidas ou “proibidas”, tipo a namoradinha de um amigo seu.

Mas epa, não somos nós que fomos criadas para um romance de conto de fadas? Acho que são tipos diferentes de idealizações. Nós podemos fazer leituras erradas das situações e pensamos mais do que deveríamos. Mas repito: é diferente. Nós damos chances aos moiçolos mais ariscos só para ver qualé. Como diz Ivan Martins:

Olhe em volta: diante de um cara apaixonado, bacana, determinado a ficar com elas, boa parte das mulheres sossega. O cara pode não ser perfeito, mas se torna “o cara”. Há nisso um pragmatismo que muitos homens perderam. Enquanto as mulheres escolhem de maneira apaixonada, mas com os pés no chão, eles parecem viver nas nuvens, sonhando com a mulher perfeita. 

Claro que isso não é também uma questão de gênero somente porque também conheço mulheres que são esses românticos – mas entre umas 30 histórias de homens assim, conheço de 1 mulher apenas. Mas veja o caso da personagem Hannah, do seriado Girls. No oitavo episódio da 2ª temporada  podemos ver um exemplo desse fenômeno (não vou falar o que é para não ser spoiler).

É uma pena tudo isso porque coisas bacanas poderiam acontecer pra todo mundo, mas não parece haver disponibilidade para tentar. Movimentos como aquele do “Mais Amor Por Favor” soam falsos e utópicos – olha aí a utopia romântica novamente. Todo mundo quer ser amado, tudo é no eu, nessa era ultra individualista. Mas amor que é bom ninguém quer dar!

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Esses caras, que gritam aos sete ventos que querem se apaixonar, que se sentem sozinhos, etc; deveriam sofrer por algo real, não pelo vazio do excesso.

Parece que fogem a qualquer sinal de interesse de uma menina bacana que poderia ameaçar esse moto contínuo de dificuldade tipicamente romântica, esse draminha tolo. Não é? Ou seria um medo danado de provar do próprio veneno da rejeição? Uma desculpa muito comum é “você vai acabar se apaixonando por mim e vai se machucar”. Virou vidente agora? Já decide que a menina vai se apaixonar E que ele vai sacaneá-la? Não seria, no fundo, um medo do cara?

Calma gente, gente legal não morde! Pode ser namoro, pode não ser. Pode dar certo ou não! Não dá certo tentar adivinhar no que vai dar uma história antes de vivê-la. É como diz esse cartaz:

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Fecho o post com as palavras geniais do mestre Lulu Santos, que sempre tem algo a dizer. NÃO, não é o “Último Romântico” e sim “Tempos Modernos” (o título deveria ser tempo atemporal, já que a letra é sempre atual hahaha):

Engraçadinha

Os monges de O Nome da Rosa, do Umberto Eco, tinham razão ao esconder os pergaminhos do texto de Aristóteles sobre o riso. É uma cilada, um perigo! Hide your wives, hide your kids!

O riso é perigoso principalmente para quem o provoca – nós, os ridículos engraçados.

Vocês podem até achar que eu estou sendo convencida em me auto-declarar engraçada, mas é porque eu sou mesmo. Infelizmente. Não necessariamente eu vejo isso como uma vantagem, é uma maldição que carrego desde pequena. Tem algo em mim tão ridículo, misturado com ironia crônica, que me torna engraçada. Fora do eixo. Foi difícil assumir minha mente nonsense para a sociedade, mas consegui. E, pior: nem ganho dinheiro com isso.

IMG_6103 Eu, paranoid android, creep – mas engraçadinha

Claro que é um prazer imenso ver as pessoas rindo do que você diz, das histórias que você conta, das coisas que escreve. Mas, como todo prazer, ele é perigoso. Pode viciar, pode te colocar em situações embaraçosas, pode ser mal interpretado. E mais: as pessoas podem estar rindo DE você, não da sua piada.

Porque a fronteira entre o engraçado e o idiota é muito tênue. É um terreno perigoso para se aventurar.

Não acreditam? Pois vou listar os principais problemas dos engraçados:

1- O vício em piadas: o meu personagem preferido de Friends era o Chandler. Identificação TOTAL. Cheio de paranoias e com uma vida amorosa e profissional desastrosas, ele era viciado em piadas. Ele sempre as usava nos piores momentos e tinha seu humor ácido como forma de se auto-zuar o tempo todo. Também não poupava ninguém. Ironia e sarcasmos crônicos.

Além disso, quanto mais nervoso e desconfortável um viciado em piadas fica, mais ele faz. É incontrolável! Sofro demais com isso, são momentos de atrofia do lobo frontal (parte do cérebro responsável pela censura). Resultado desse primeiro aspecto: você pode conquistar inimigos, ficar com fama de idiota e/ou sem graça metido a engraçado.

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2- Diferentes ou falta de senso de humor: tem aquela frase clichê de que “nem Jesus agradou a todos”. Nem sempre suas piadas vão agradar. Acredito que existam vários tipos de senso de humor. Pode ser que o seu não agrade a maioria. Você pode subir num pedestal e dizer que não o alcançam. Mas o efeito final é o mesmo: você solta aquela piada que faz sucesso num grupo e todos te olham pensando: “imbecil”. Ou então, tem aquele amigo que sempre te faz pagar mico. Tipo a minha irmã, que ri de tudo que eu falo e me faz repetir na frente dos outros. Em 90% dos casos, ninguém ri. Bacaninha…

E tem também aquelas pessoas sem o menor senso de humor. Com essas, eu prefiro não lidar, nem quando estou falando sério.

3- Perda de credibilidade: De tanto fazer brincadeiras, os engraçados têm dificuldades de provar que estão falando sério. Até mesmo provar que estão tristes, ou que tal assunto é tão ruim para nós que é melhor não brincar com isso. Se ele for escorpiano, como eu então… ferrou-se. De bonachão ele passa a carrasco e sai dando patada em todo mundo.

Também tem a perda de credibilidade quando o assunto é o flerte. Como, em geral, o jeito do engraçado flertar é fazendo piada, o tiro pode sair pela culatra e a cantada pode não ser levada a sério. Mas isso é também introdução para o quarto ponto.

4- Os homens preferem as sérias? Além das suas flertadas serem interpretadas como piada, tenho cá pra mim que os homens não encaram como uma qualidade de uma mulher atraente o fato dela ser engraçada, divertida. Acredito que a palhacinha da turma é muito mais vista como a amiga do que como possível pretendente dos rapazes. Basta fazer uma piadinha num date que você corre o risco de ir para a Friend Zone. O mesmo não acontece com as meninas – quantos caras conseguem ficar com uma menina fazendo ela rir? Agora, pergunta se algum cara já ficou com uma menina porque ela o fez rir?

Mesmo que não seja bonito, ele ganha. Agora a mulher, mesmo que ela seja bonita, se ela faz piadas tão boas quanto as dos homens, ela perde pontos perto de uma outra igualmente bonita, porém mais quietinha. A mulher engraçada tem um quê de ridículo e o homem um quê de esperteza.

esq-1-tina-fey-lipstick-0410-lg Tina Fey, um ícone de mulher engraçada

Mas, na verdade, apesar de achar que ser engraçado traga alguns problemas, prefiro mil vezes ser uma palhaça, vendo a vida como um grande filme nonsense do Monty Python, do que levar tudo a sério, na base da amargura.

Este post mesmo, é uma grande piada sobre coisas que acontecem comigo. A vida é uma grande piada e se você não conseguir rir, só resta provocar uma inundação de choro.

Ficar como? #chatiada!

He he he 🙂