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High School em 1969

Uma amiga postou no Facebook um link para imagens da revista norte-americana Life feitas numa escola americana em 1969. Não sei dizer se eram fotos espontâneas ou um editorial de moda porque algumas fotos ou pessoas, como a menina com traços indígenas, me deram a impressão de serem “montadas”, mas enfim, posso estar enganada. Mas, como o próprio texto que a revista coloca em seu site junto com as fotos diz, retrata muito bem uma época em que a moda foi apropriada pela cultura jovem que floresceu nos anos 60, fazendo parte de um conjunto de mudanças culturais que surgiram nessa década. Recomendo a leitura!

Selecionei algumas imagens:

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And we love Paul

A previsão do tempo era de um baita chuvão, o que me fez comprar uma capa de chuva no caminho – mas ela só vai se juntar às outras muitas capas que já comprei em shows e não usei. No lugar do aguaceiro, uma lua cheia gigante também veio assistir ao show do ex-Beatle Paul McCartney, ou Macca, pros íntimos. 

A lua amarelona foi só parte do melhor aniversário que já tive na vida! Sim amigos, ontem, dia 21, eu completei 26 anos ao som de um dos meus maiores ídolos (se não o maior vivo). 

Foi tudo lindo: a presença de palco incrível de Sir Paul, que sempre teve seu talento para showman destacado, ainda na época da beatlemania; o setlist cheio de clássicos; a banda animaaaaaaaaaaaal que o acompanha (amei o baterista); a vitalidade assustadora de alguém com quase 70 anos; os 64 mil pessoas que contribuíram para o clima “all you need is love”; e os meus amigos queridos que estiveram comigo durante o show e os que eu não consegui encontrar, mas sei que estavam compartilhando esse momentão.

Mas acho que a hora mais “vou desidratar” foi a homenagem a George. Eu já tinha visto vídeos no Youtube, mas o efeito ao vivo de Something é de cortar o coração. Na hora que a banda entra na música (no início, apenas Paul canta acompanhador de um ukelele) e as fotos do ex-beatle, que morreu de câncer há alguns anos, aparecem no telão, morremos de chorar. Blackbird também me emocionou – mas aí é porque a letra me diz coisas importantes.

Bom, já que – supostamente! – este blog é de moda, vamos falar um pouco dela? Um amigo deu uma ideia ótima, pena que o insight foi depois do show. Muitos fãs foram ao show com camisetas muito legais dos Beatles – nada de obviedades e clichês, mas coisas legais e divertidas, como esta dos Playmobeatles que eu mostrei aqui uma vez. Poderia ter fotografado algumas que vimos e usado num post aqui. Bom, já era!

Já o cantor, entrou no palco com um blazer azul-roberto-carlos. Brincamos que o brasileiro deve ter emprestado a peça ehehehe. Depois, com o calor e a animação, ele ficou só de camisa, calça preta e suspensórios.

Mas nem sempre o “beatle bonitinho” foi tão básico. Durante a época mais psicodélica da banda, principalmente, seu estilo era bem exótico para nossos padrões atuais. Não era muito diferente dos artistas e homens mais modernos da época – usavam elementos que hoje achamos que só cabem às mulheres. Uma pena…

(obs.: já falei um pouquinho sobre o estilo dos Beatles aqui e aqui)

Selecionei algumas imagens que achei nesse Flickr incrível , e do meu arquivo googleimagenístico pra ilustrar:

“And in the end, the love you take is equal to the love you make”

Astrid Kirchherr: a mentora estética dos jovens Beatles

Primeiro, gostaria de pedir desculpas para quem me acompanha pelo sumiço. Como comentei no post sobre o John Lennon, estou de férias. Na verdade, estou num mês sabático e querendo fugir de qualquer tipo de compromisso ou responsabilidade.

Aproveitando os dias à toa, comecei a ler a biografia dos Beatles do Bob Spitz, um tijolo (mesmo) de quase 1.000 páginas. Não conseguiria lê-la em outra época se não esta de marasmo total. Mesmo sendo gigantesco (com letras pequenas e poucas imagens – é texto puro e só para quem gosta meeesmo da banda) estou aprendendo várias coisas que não sabia sobre o grupo.

Uma das descobertas foi uma figura primordial na história dos Beatles: a fotógrafa alemã Astrid Kirchherr (é o Myspace dela, 72 anos e ainda moderna!).

No início dos anos 60, quando ainda eram desconhecidos, a banda foi tocar em Hamburgo, na Alemanha. Era muito comum grupos ingleses (de Liverpool, na verdade) irem tocar em inferninhos (não é eufemismo) da cidade e os Beatles foram um deles. Na época, Pete Best ainda era o baterista e eram cinco integrantes: o 5º Beatle era Stuart Stucliffe, melhor amigo de Lennon – ele meio que foi convencido por John a tocar baixo (Stuart era uma promessa como pintor e não tinha muito jeito pra música – não no nível de John, Paul e George, pelo menos).

Astrid começou a frequentar os shows dos rapazes com seus amigos Klaus Voormann e Jürgen Vollmer e ficaram hipnotizados. Mas a hipnose foi recíproca: eles formavam um grupo muito diferente (apelidados de exis, por causa dos Existencialistas franceses – foto abaixo) e que chamou a atenção, principalmente de Stuart. Para resumir, ele e Astrid se apaixonaram e suas ideias estéticas acabaram influenciando o namorado e, por consequência, os outros Beatles.

Antes de falar da influência dela no visual dos Beatles, vamos falar de suas fotos da banda. Atrid (que estudou na Meisterschule für Mode, Textil, Graphik und Werbung, porcamente traduzindo, uma faculdade de moda e design em Hamburgo) fez fotos da banda deste início da amizade até o lançamento de Sgt Peppers (se não me engano). Segundo Bob Spitz, o conceito que fez nas primeiras fotos foi revolucionário para a época no formato de retratar bandas de rock. Demonstravam atitude rebelde, com composições interessantes, cenário inusitado:

 Da esq p/dir: Pete, George, John, Paul e Stuart

O biógrafo está certo, poderíamos dizer que este formato ainda é usado hoje em fotos de divulgação de bandas.

Mas, voltando ao look da banda, poderíamos dizer que Atrid foi a It Girl dos Beatles. Influenciada pelos nomes da Nouvelle Vague e pela cultura francesa em geral, ela e seus amigos tinham um visual considerado estranho e muito moderno para a época (e, principalmente, para garotos ingleses provincianos cujos ídolos eram Teddy boys como Elvis Presley). Ela tinha o cabelo igual ao da Jean Seberg (de Acossado) e se vestida sempre de preto e usava muito, muito couro.

 Stu e Astrid

Seu estúdio era decorado de maneira exótica, em estilo gótico. Ainda de acordo com Bob Spitz, o estilo “juventude transviada” dos Beatles na época não agradava muito o trio alemão. Talvez por isso, ela tenha convencido Stuart a cortar o cabelo no mesmo estilo de Klaus, com franja caída pro lado. Em princípio, os outros da banda odiaram o novo visual, mas George logo aderiu e os outros o seguiram.

Logo depois, com o estouro da banda, esse estilo de corte marcou e chamava a atenção por diferenciar os Beatles dos outros grupos de rock.

Em seguida, Stuart deixou a banda e se dedicou à namorada (agora noiva) e á pintura, mas morreu precocemente de complicações por causa de uma lesão no cérebro (acho que era um aneurisma). Morreu nos braços de Astrid (a foto abaixo foi feita no estúdio onde ele pintava, quando os Beatles voltaram à Hamburgo e souberam da morte do amigo):

Mas Astrid continuou amiga da banda e continuou a parceria, inclusive fazendo imagens do filme A Hard Day’s Night. Para saber mais sobre ela e esse pedacinho da história da banda, podem também assistir ao filme Os Cinco Rapazes de Liverpool (1993, em DVD).

                                                                
Foto mais atual que encontrei, de 2003

It was 70 years ago today

Post vapt-vupt porque em minutos eu viajo em férias, mas não poderia passar em branco o aniversário de John Lennon que, se estivesse vivo, completaria 70 anos hoje. Como apaixonada por Beatles e por ele (apesar do meu beatle favorito ser o Paul), gostaria de prestar essa homenagem e ressaltar o ícone também para a moda – por que não?

Segundo Bob Spitz em sua biografia sobre a banda, a partir de sua adolescência, Lennon passou a ser um contestador do “sistema” e usava o visual como parte desse discurso. Ele queria chocar os moradores de Liverpool com seu visual de teddy boy na era pré-Beatles. Apesar da banda ter adotado um visual de bons garotos no início da carreira, não era tão careta assim – os cabelos eram grandes para o padrão da época, as calças justas demais. (Já fiz um posto sobre o visual dos Beatles aqui)

No decorrer dos anos 60, principalmente com a influência crescente do psicodelismo, o visual dele (e do resto da banda) foi ficando cada vez mais ousado. Depois que conhece Yoko Ono, John ficou parecendo um mago, hehehe. Referências do movimento hippie e ícones pacifistas passaram a fazer parte de seu estilo, cuja peça marcante eram os óculos de aro redondo.

Minha breve e pequena homenagem, e algums imagens do ídolo:

A woman left lonely

Apesar de estar de “férias”, deixei passar os 40 anos da morte de Janis Joplin, completados agora dia 04. Mais por esquecimento do que por descaso, porque eu AMO de paixão. Faz parte das minhas top divas cantoras que traduzem nossos sentimentos (principalmente os de solidão, cá entre nós).

Mas, mesmo que dois dias atrasada, vamos falar de Janis, que mesmo com sua passagem rápida entre nós, encurtada pelo uso destrutivo de álcool e drogas, marcou a cultura ocidental – na música e – por que não? – na moda.

Sim, ela cantava rock, mas era em um dos “pais” do ritmo que ela brilhava mais – o blues. A voz rasgada maravilhosa e sem comparativos combinava com sua interpretação e letras intensas (pra ouvir se rasgando também). Refletiam a figura da mulher independente (“Don’t you know that you’re nothing more than one night stand?”) que começava a ganhar força na época de revolução de costumes, mas que se sente sozinha (“She’ll do crazy things on lonely occasions“). Aliás, muuuuuitas músicas delas, apesar da liberdade pregada na época, fala da busca de um cara legal para aplacar a solidão, como as maravilhosas One Good Man, I Need a Man to Love e Me and Bobby McGee. Não é curiosa essa (nossa) contradição?

Na História da Moda (ou melhor dizendo, indumentária?), Janis também virou referência para seu período e quando o assunto é o movimento hippie. Nas imagens que ficaram documentadas, vemos a cantora com muitas peças típicas da época e dessa cultura flower Power como batas; microvestidos; calças coloridas de boca de sino; coletes de crochê ou de paetê; muito veludo molhado e tie dye; muitas referências folks (meio escandinavas como as peças de pele) e orientais. Uma de suas marcas registradas eram as milhares pulseiras nos braços, os óculos imensos e redondos e os boás de penas no cabelo.

Garimpei algumas fotos nesse Google de meu Deus, pra gente se inspirar:

 

Um passeio na Galeria do Rock

Este sábado, fui passear pelo centro antigo, um dos meus lugares preferidos de São Paulo. Um monte de prédio bonito misturado com cortiços e gente maluca de tudo na rua. Lojas populares ótimas, lojas de shopping também… a 25, o prédio velho do Banespa, aquela filial do Salve Jorge do lado, o Anhangabaú, o Viaduto do Chá… Enfim, acho um lugar muito legal, embora muita gente discorde.

Resolvi dar um pulinho na Galeria do Rock, tinha muito tempo que não ia. E que susto – ela foi tomada pela febre colorida do Restart. Que desgosto… Até mesmo os góticos que circulavam por lá, sumiram. Só se vê emo, emo, emo, emo, emo – ou melhor, coloridos, como os emos agora se chamam.

Ainda se vê um cabeludo aqui, um punk acolá… Mas são raros. As lojas entraram no esquema do mercadão e só vendem o que essa galera colorida quer. Até os All Star praticamente sumiram.

Mas, claro, ainda tem a resistência. As lojas mais dark ainda estão lá, as de disco, as de hip hop, skate e grafite. Graças à Deus!

Existem exceções no meio de tanta imitação de Nike, Reebok e Adidas em tons neon e imitações de Wayfare coloridos. Uma loja que eu nunca tinha visto e achei louquíssima é a Kozmic Blues, com roupas inspiradas nos anos 60 e 70. Toda lilás e decorada com quadros da Janis Joplin, Hendrix e Jim Morrison. As roupas parecem ter saído da capa de um CD os primórdios do Pink Floyd. Legal e diferente. Vejam as fotos:

Mesmo que a maioria das lojas se renda à moda que a banda da vez faz, ainda vale muito a pena passear por lá, ver as figuras que só se vê nas Grandes Galerias, sua arquitetura incrível, suas camisetas legais, vinis e tênis.

Lady Gaga, who?

Nos últimos posts, tenho demonstrado um certo saraivismo e posição às vezes leveeeemente antipática com a moda, né? Bom, nunca escondi que era Saraiva!!! hehehehehe! Sou bem bronquinha mesmo, mas não sou do contra à toa – tudo tem seu fundamento.

Uma das minhas implicâncias é com a Lady Gaga. Coitada, deixa ela ser feliz, mas não vejo nada de genial nela, porque não acho que montação seja algo inédito no showbizz e porque é quase evidente que ela é um produto da gravadora – quem já viu fotos dela antiga pôde perceber a mudança gradativa de uma Alanis Morisette dos teclados para uma Bjork sem originalidade. Sim, eu to ácida! Me deixa que eu to de bode!

Querem ver como na história da música brasileira (não precisamos ir muito longe…) podemos encontrar figuras bem excêntricas?

Carmen Miranda, vou colocar aqui como nossa primeira figura exótica – mas levando em consideração o período antes de virar estrela de Hollywood, porque lá ela não criava seus figurinos e chegou a um nível de exuberância kitsch. Da época do filme Banana da Terra até a hora em que embarcou para algumas apresentações em terras yankees, Carmen, que antes se vestia de mandeira “normal” nos shows, passou a se vestir com a famosa fantasia de baiana, com frutas na cabeça e cheia de balangandãs.

Achei esta foto na Bravo! especial dos Beatles e achei maaaaravilhosa, as cores, o contraste. Em technicolor! Os Mutantes, além das experimentações musicais e das letras irreverentes, causavam com seus figurinos de show. Rita Lee chocou o Brasil careta (e sua própria mãe, segundo o livro A Divina Comédia dos Mutantes) ao aparecer em um Festival da Canção vestida de noiva grávida (barriga cênica, claro!). Eles se apresentavam de menestréis medievais e com outros figurinos estranhos.

A própria Rita, na sua carreira fora dos Mutantes e até hoje, é bem ousadinha no quesito figurino (e em tudo né? ÍDOLA, RAINHA, DIVAAAA!), como podemos ver nesta foto de 78.

Depois que voltaram do exílio em Londres, Caetano e Gil vieram cheios de idéias estéticas mudernosas que podemos ver no figurino beeeeeeeeeeeeeeem estranho que usavam nas apresentações do Doces Bárbaros. Quando eu vi esta foto, achei que o Caetano fosse o de branco, JURO! Mas ele é o de amarelo. Androgenia + índio + África + futurismo + misturada da Bahia… adoooro!

Acho que um dos fenômenos da nossa música mais sui generis foi o Secos e Molhados. Tem coisa mais moderna que homens pintados, com roupas absurdas e com o Ney Matogrosso (deus!) cantando com voz de falsete e rebolando sensualmente?

Gente, o Brasil estava sob uma ditadura militar, como estes artistas (menos a Carmen, mas se bem que ela pegou a época da ditadura do Estado Novo) acima conseguiram fazer algo tão incrível e nós, absolutamente livres, não produzimos mais nada de novo, de inusitado, de “divinomaravilhoso”?

Talvez porque estamos ligados de mais em Ladies Gagas da vida… não?

Somenthing in their style that shows me

Estou aproveitando a onda Beatlemaníaca que acometeu 2009: CD’s remasterizados, Beatles Rockband, muitas revistas especiais nas bancas. Fiquei encucada: por que essa febre repentina? Daí me lembrei que, na verdade, o fim da maior banda de todos os tempos está fazendo 40 anos!

Comprei a Rolling Stone e a Bravo! Especial dos Beatles. Esta última tem fotos que eu nunca tinha visto, muito legais e por isso fiz o post, para partilhar algumas com vocês. Na revista, também li uma matéria sobre a influência do quarteto sobre a cultura da época, principalmente na moda e na indústria do consumo.

Os Beatles não foram inventores de nada em moda. Eles apenas adotavam logo o estilo que as vanguardas da época adotavam e, com seu poder de influência no mundo todo, disseminavam entre seus fãs. Mesmo quando eram vestidos pelo empresário, já eram bem diferentes dos rapazes da época. Os cabelos, ao contrário do corte militar da época, eram cheios, com franjões. Por eles e por outros ícones da época, como a Twiggy, os cabelos lisos viraram obrigatórios (quem aí não tem um parente que passava à ferro?).

Ao longo dos anos, a música foi se tornando mais experimental, psicodélica, e o estilo de se vestir também. A influência da cultura indiana também fez parte do figurino do fab4. Interessante perceber como eles entraram na onda hippie de androgenia, da roupa unissex: muita estampa floral, roupa rosa, lenços, casacos de pele aparentemente femininos.

Reparem vocês mesmos destas fotos da Bravo e outras que guardo no meu computador:

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Foto acima: no início do início, ainda sem o Ringo e com influência no estilo dos jovens rebeldes americanos: couro e topetes

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roupas beatles

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(Reparem que no show do telhado da Apple, John e George estavam de All Star!)