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Processos criativos de Helen Rödel

Quando eu comecei o Bainha, em 2007, fiquei conhecendo via web uma marca muito bacana vinda lá do sul, a Rodel LA, que mostrava suas criações pelo Flickr em editoriais muito bacanas. Daí, essa semana, vi um post no Don’t Touch com um documentário sobre a Helen Rödel e esse nome ficou martelando na minha cabeça, de onde eu conhecia? Mexendo nos meus favoritos no Flickr, encontrei a resposta.

O vídeo é muito bacana – quem ama investigar processos de desenvolvimento de coleções como eu vai amar ainda mais. Achei muito poético e intimista. Fica a dica:

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Everything is a Remix (até esse post)

O Gema fez um post sobre esse assunto – que foi lido pelo Luigi do About Fashion – que foi lido por mim e agora faço este aqui que vocês estão lendo. Na vida, nada se cria, tudo se transforma e essa máxima nunca foi tão verdadeira. O mix de referências faz parte da nossa era pós-moderna, mas não é exclusividade dela.

Este é um assunto que muito me interessa e, por isso, amei a série Everything is a Remix que o cineasta Kirby Ferguson está produzindo. Ainda falta o episódio 4 e o cineasta aceita doações para ajudá-lo a finalizar o projeto (se eu tivesse com verba sobrando, ajudava. Mas ajudo aqui divulgando!).

Curiosamente, ele ainda não citou a moda – que é feita basicamente de remix. Tadinha, ninguém nunca lembra dela!

Mas enfim… Com pesquisa e edição primorosas, os vídeos são realmente incríveis, vejam só:



E pra quem quer ler mais sobre o assunto ligado ao mundo da moda aqui, aqui, aqui e aqui. E também quando falei dessas macrotendências do WGSN (a marco Jpeg Gen).

Biblioteca: Cecil Beaton – The Art of the Scrapbook

No dia 22 de novembro, chega no mercado gringo o livro Cecil Beaton: The Art of the Scrapbook, obra que reúne os scrapbooks pessoais deste que foi um dos principais nomes da fotografia (principalmente da fotografia de moda), que trabalhou em revistas como Vogue e Vanity Fair (fico devendo um post sobre ele).

Como scrapbook hoje é sinônimo daqueles álbuns de fotos super produzidos, com folhas fofas e capas caríssimas, explico melhor a proposta do livro. No caso, são cadernos que Beaton fazia com imagens suas e recortes que fazia em revistas, jornais, etc; que serviam de inspiração. Como costuma acontecer com pessoas que trabalham com criação, os scrapbooks funcionam como “story boards” de seus processos até chegarem à obra final. São pré-ideias, caminhos, estudos.

Como sempre comento aqui, adoro ver painéis de referências, diários e outras formas documentar processos criativos – não só de profissionais da moda. Às vezes, gosto mais dos caminhos do que dos resultados. Por isso, esse livro é tipo um sonho de consumo, será que chega no Brasil?

Título: Cecil Beaton: The Art of the Scrapbook
Autor: James Danziger
Editora: Assouline (editora dos EUA)

Mil sapatilhas lufuchs

Bom, quem acompanha o blog, sabe que eu adoro acompanhar e ver processos criativos – como alguma coisa é desenvolvida, quais caminhos um artista percorre até chegar no produto final, e até como esse produto é melhorado com o tempo, numa eterna mutação. Pude acompanhar todo o processo da marca lufuchs, já que sua criadora é minha amiga, Luciana, que conheci na pós de Moda e Criação da Santa Marcelina.

Luciana é designer e sempre gostou de customizar roupas e acessórios como hobby. Com alguns de seus tênis e canetas para tecido, começou com uma nova ideia. Os desenhos que fazia tinham a ver com seus gostos pessoais, ideias vindas do imaginário urbano: graffiti, Tim Burton, tatuagens. Da customização dos tênis nasceu a ideia de pintar sapatilhas. E tcharan!

    Esta foi a que eu escolhi, meu pavão misterioso! (ainda não tinha amarrado as fitinhas)

Desta vez, além de pintar os calçados, Luciana ainda dá a opção para escolhermos como vamos decorar as sapatilhas com fitas de cetim:

Quem quiser saber mais sobre as sapatilhas, pode perguntar pra Lu: lufuchs@gmail.com

Concurso Elle UK + processos criativos

Li hoje no Style Bubble um post sobre um concurso que a Elle UK, que vai premiar shopgirls e shopboys com uma vaga de stylist na revista. Bom, pelo o que eu entendi, pelo post da Susie, o que eles chamam de shopgirl são pessoas que trabalham em lojas de moda – vendedoras, vitrinistas, estoquistas, sei lá. Alguém me corrija se estiver errada!

Susie Bubble conta que foi escolhida para assistir a apresentação de algumas das pessoas escolhidas e que elas tiveram que apresentar um painel de referências para um editorial de moda outono/inverno, com as propostas para roupas, acessórios, modelos, cabelo, maquiagem e, claro, a coordenação desses elementos.

Acho esses processos de criação muito legais, não importa em que área. Quando a gente está de fora, apenas como espectador do trabalho dos profissionais/artistas, não sabemos todo o caminho percorrido até se chegar a um produto ou obra. Quando tempos acesso a processos criativos, é como se assistíssemos os ensaios de uma orquestra até a apresentação final.

Dessa forma, é possível ver que a criação não é apenas um insight, ter ideias incríveis do nada, de estalos. É preciso muitos estudos e planejamento, mesmo que seja uma atividade bem livre e lúdica. É preciso se cercar de sensações, ativar os sentidos.

Durante a pós, tive aula de Processos de Criação com a fofa da Mariana Rocha. Como eu não tenho talento para criar, desenhar ou costurar roupas, ela deixou eu pensar no conceito para um editorial de moda de uma revista especializada – mesma tarefa das concorrentes do concurso da Elle.

 

A historinha do editorial seria uma mulher de personalidade forte e boêmia, cantora de jazz, que era “flagrada” pelas lentes do fotógrafo saindo da boate depois de um show (inspirações: Edith, Chanel, Lispector, Paola Picasso, Frida, Madeleine, etc). O estilo das fotografias seria inspirado no trabalho do fotógrafo Helmut Newton, e o cenário escolhido foi a calçada da Faria Lima onde tinha um tapume com a frase “o amor é importante.porra” pintada (foto da Ivi!). A partir dessas inspirações, fiz umas colagens bem mambembes, mas que divido com vocês:

Over and over

Over and over
And over and over and over
Like a monkey with a miniature cymbal
The joy of repetition really is in you
( “Over and over” – Hot Chip)

 Algumas fotos de 4 diferentes temporadas da Balmain, sem especificar de qual semana é:

Eu sei que o fascínio que a Balmain sob o comando de Christophe Decarnin exerce não só no público, como na própria imprensa especializada, é muito grande e sua influência nas camadas inferiores da pirâmide do movimendo das modas é imperadora. Mas acho que repetir as mesmas fórumlas há quase 5 temporadas seguidas é um pouco de mais num mundo que preza pela novidade, que tem em seu âmago, vamos dizer assim, a mudança.

Numa das aulas de pós, a professora comentou que no dia-a-dia de uma marca, quando você tem que criar mini-coleções de um dia pra outro, um jeito bem rápido e inteligente de criar é pegar um modelo e acrescentar pequenas modificações: um botão diferente, um tecido, arremates – mudar os detalhes e não tanto na modelagem. Fizemos um exercício desses com um casaco que levamos de casa. Primeiro desenhamos o nosso casaco e depois criamos outros 6 modelos a partir daquele. Pois parece que este é o processo de trabalho da marca. Pegam o vestido curto, justo e marcado no ombro e fazem uma versão diferente a cada estação. Ou então a combinação de calça justa, camiseta detonada e casaco militar. Mas este processo que minha professora ensinou acontece dentro das coleçõezinhas que as marcas lançam NAS LOJAS durante uma época. Por exemplo, as de alto verão. Não para um desfile de lançamento da coleção – ainda mais na semana de moda mais importante do mundo e numa marca com aaaaanos e anos de tradição. Já deu, não?

Sem contar a parte da vulgaridade dos looks, que o Vitor Angelo tratou maravilhosamente bem neste texto dele.

 

Workshop com estilista britânica

Ano passado eu participei de uns eventos do Language Partners, representantes da University of the Arts London no Brasil, e por isso fiquei sabendo de um workshop que eles estão organizando com a estilista britânica Basia Szkutnicka, da London College of Fashion. Para quem não sabe, a University of the Arts reúne faculdades nas áreas de moda, arte, design, fotografia, comunicação, entre elas a própria London College of Fashion (LCF) e a famosa Central Saint Martins (CSM), de onde saíram John Galliano, Stella McCartney e Alexander McQueen.

Atualmente, Basia, que é formada pela CSM,  é diretora do programa de Study Abroad da LCF e viaja o mundo para conversar com alunos e profissionais de moda. O título do workshop é The Creative Design Process e será ministrado no Rio e em São Paulo, nos dias 2 e 3 de março, respectivamente. Para saberem mais sobre a palestra, horários e locais, venham aqui.  Para participar, é preciso fazer inscrições pelo telefone (11) 5083-4653 ou pelo email c.barbiere@languagepartners.co.uk.  

Na moda, nada se cria?

Existe aquele ditado que diz que na vida, nada se cria, tudo se transforma. Infelizmente, para alguns dos nossos profissionais da moda, tudo se transforma, mas não muito.

Quem acompanhou blogs e twitters de jornalistas que estava no Fashion Rio, pode ver os comentários meio chocados sobre a semelhança das coleções de algumas marcas com outras internacionais, como Balenciaga, Balmain, Givenchy e Lanvin. É fato – incentivado principalmente pela mídia – que estas quatro marcas sejam algumas das  grandes influenciadoras do mercado de moda hoje. Ditadoras de tendências – mas, como na vida nada se cria, mas se transforma, uma marca inteligente que queira parecer antenada, vai buscar referências e transformá-las porque este é o processo de criação bem feito dentro de design de moda.

No entanto, muitas marcas brasileiras foram muito literais em suas referências. Se formos pensar que nós, o público (e no meu caso a mídia e público), também queremos parecer as modelos do Sartorialist, as marcas estão certas em querer satisfazer estas vontades do consumidor. Mas o estilista de uma marca que desfila na segunda semana de moda mais importante de um país que quer crescer na influência do mundo da moda não está em seu posto para satisfazer a vontade batida do público. O papel do estilista é despertar uma vontade no consumidor que ele nem sabia que tinha – assim o sistema da moda gira, trazendo uma novidade que irá substituir a moda atual.

Então por que lançar uma coleção calcada em imagens já batidas e excessivamente divulgadas na mídia? Em tempos de internet, em que o desfile do McQueen é transmitido ao vivo para o mundo todo, se calcar em marcas internacionais é uma preguiça imensa e que dispensaria uma equipe de criação treinada e bem resolvida. Não julgo marcas varejistas que atendem a um público que não é formador de opinião em moda por natureza – como uma Renner ou C&A – em se inspirar nas grandes marcas. Mas uma que se propõe a ser criadora e a desfilar para o público formador de opinião? É um tiro no pé.

Critico de forma amigável até porque temos que fazer meaculpas porque a nossa herança de colônia é muito forte nessas horas. Não são apenas as marcas e suas equipes que se moldam muito nas internacionais. Todos nós fazemos isso, principalmente os profissionais de moda e os nossos veículos.

Também entendo que a marca precisa vender para se manter, mas acho que imitar as vontades em vigência não seja o melhor caminho (a não ser que ela seja uma grande rede de varejo), porque o preço dessas roupas é MUITO ALTO para algo que vai passar em 6 meses. Se eu comprar a mesma peça balenciaguista na Renner, ela vai sair de moda pelo menos tempo, mas será mais vantajoso porque é dez vezes mais barata.

Hoje começa – aliás, já começou – o SPFW e espero que vejamos mais a cara das nossas marcas, e não espectros das imagens abaixo:  

               Balenciaga

                Balmain

              Givenchy

                      Lanvin

Sketchbook Farm

Eu acho que já falei umas millll vezes aqui no blog que eu adoro a Farm (e adoro o Adoro!) . Acho um case incrível de marca legal, que começou muito micro (uma barraca na extinta Feira Hype, no Jóckey) e hoje é uma super empresa com um trabalho incrível de criação e de comunicação – tão importante nos dias de hoje e que muitas marcas não valorizam. Eles mantém muito forte a identidade da marca e a identificação com seu público, além de terem ideias legais para criar todo um clima para a compra. A compra hoje é uma experiência, e assim geram a fidelização do consumidor.

Bla bla blas de quem já escreveu pra revista de varejo à parte, talvez por escancarar de coração mesmo meu apreço pela marca, ganhei um caderninho tipo moleskine, mas que eu chamo de sketchbook. Um pouco do processo de criação da coleção atual “É coisa nossa”, e o resultado deste processo (os looks – já falei de verão aqui) estão nesse caderno fofíssimo!!!! Eu amei os sketchs, as colagens, vou levar amanhã na Santa Marcelina para a professora ver. Além do lookbook, tem dicas de estilo, de make, pra cabelos, de acessórios, de turismo e até receita de drinks brasileiríssimos.

farm

Mas uma das coisas do caderninho que eu mais gostei foi um revival com peças preferidas da equipe de estilo retiradas de coleções passadas. Lembrei de cada estampa e de cada coleção da marca, e sei lá, lembrei de coisas da vida também – da época que morava no Rio, fazia Jornalismo na Puc e almoçava no Shopping da Gávea (na Batata Inglesa porque era mais barato ahahahah), antes de ir correndo para o estágio, mas sempre dava uma olhada na Farm que ficava em frente. Então me lembrei de um vestido que eu comprei nessa época, final de 2005, e que me deixou beeeem feliz. Tive – e ainda tenho porque ainda uso – ótimos momentos com ele. Era daquelas roupas que te dão sorte, que você se sente confiante e bonita… Sem demagogias, quem me conhece sabe que eu amo esse vestido!

farm01

No marketing esperto da Farm, não falta o olfativo, claro! Jeito bem legal de nos remeter a alguma coisa – atraindo pelo cheiro! Por isso o caderninho também tem o aroma da marca (aquele cheirinho que sentimos nas lojas). Au-la de construção de indentidade pra marca, né não?

No final do Sketchbook, ainda tem páginas em branco para eu preencher como eu quiser e, como boa amante de caderninhos e colagens que sou, vou tratar de usar!

Parabéns pra todo mundo que esteve no projeto, incrível!