Bainha de Fita-Crepe


Esquentando os tamborins
07/02/2010, 10:08
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O Pierrot apaixonado que vivia só cantando
Por causa de uma Colombina, acabou chorando, acabou chorando

Começo este post citando essa marchinha do Noel Rosa para entrar no ritmo do Carnaval, minha festa preferida NO MUNDO! Já é de praxe, na história deste humilde blog, fazer posts carnavalescos como o do ano passado, onde contei o processo de feitura das minhas fantasias. Por isso hoje vou contar a historinha da minha fantasia de Colombina, que fiz ontem à noite (super vida social agitada, sabem como é).

Desde pequena, morro de vontade de me fantasiar de Colombina. Depois da baiana no estilo Carmen Miranda, é a figura feminina mais carnavalesca, eu acho. E sua imagem mais clássica vem lááá do carnaval de Veneza: o preto e o branco, pompons, losangos, e o estilo da roupa de mulheres de classes mais baixas do século XV, mas com elementos teatrais como a máscara. A ideia que eu tinha era como esta ilustração fofíssima da Jana Magalhães:

A Colombina veio da Commedia dell’arte, estilo popular de se fazer teatro que nasceu na Itália no século XV e foi tomando força ao longo dos séculos seguintes e  em outros países da Europa, como a França. Os artistas se apresentavam na rua e o estilo era burlesco, festivo – bem diferente das peças eruditas dos teatros oficiais. A Colombina era uma mocinha espevitada que se apaixona pelo Arlequim (que na verdade é um safado bon vivant) e quebra o coração do pobre Pierrot, um artista sensível e que não consegue conquistá-la. Esse triângulo amoroso povoa o imaginário coletivo (inclusive a arte de se apaixonar pelo cara mais mané perdura até os dias atuais) e já ganhou inúmeras músicas, como esta do Noel e até a do Los Hermanos (que os fãs pediam insistentemente a cada show e eram ignorados pela banda em 80% do tempo hahahah).

Outras imagens que me serviram de inspiração:

Bom, voltando à minha fantasia, eu não queria comprar nem gastar muito dinheiro com ela. Afinal, são 4 dias de Carnaval e cada um é um tema, portanto ainda teria mais 3 fantasias para arranjar. Um dia, saí do trabalho e passei no brechó Varal do Beco, na Cardeal Arcoverde (SP). Nunca tinha ido e pirei lá dentro, fiquei horas dando trabalho pra coitada da vendedora. Mas acabei achando uma saia linda, com um tecido brilhoso que não sei o que é, uma espécie de cetim – só que áspero, com “textura” - e com um forro de tule. Bem rodada. Perfeita pra essa e pra qualquer outra fantasia mais meninota.

Cheguei em casa, revirei o armário e achei uma blusa de malha que não usava faz tempo, branca e com o decote canoa bem grande, caindo nos ombros. Perfeita também. Com uma meia arastão e uma sapatilha preta: pronto! Faltavam os adereços para dar a cara de Colombina. Fui na 25 e comprei um cordão de pompons, como se fosse um boá e alguns pompons avulsos rosa neon. E também uma fita de cetim preta de uns 5cm de largura pra fazer o adereço de cabeça.

Fiquei na dúvida se colava ou costurava os pompons na blusa e na fita. Ontem, depois de algumas experiências, achei melhor costurar. Não sou um grande talento com agulhas e linhas, mas até que deu certo. Só falta costurar os pompons na sapatilha. Vejam os resultados:

Atualizado! Foto da saia (amadora total feelings)

E aviso de praga: quem copiar vai torcer o pé pulando carnaval, hein? =)



Textura é o novo preto

Sabe aquela coisa que você escuta uma vez, não lembra quem disse, em que contexto, mas grava? Pois é, eu gravei o que algum profeta da moda (pessoas que pensam nas tendências antes de todo mundo) disse: no momento atual e no futuro próximo, as inovações têxteis serão muito mais importantes na moda do que as inovações da forma, comprimentos, etc – até porque nestes a moda já deu o que tinha pra dar (será?)

Pois parece que esse profeta que eu esqueci o nome estava certo, se formos pensar nos últimos desfiles brasileiros. A Ana Cristina Reis, em sua coluna no Caderno Ela, do Globo, até comentou que o que mais se ouvia dos estilistas era a palavra “textura”. Novos tecidos com as novas (e tão faladas) texturas, mistura delas, tecnologia, ousadia, brilho, fosco, áspero. São muitas palavras que podemos usar.

Alguns tecidos e suas texturas que apareceram que nem água nos desfiles, nós sabemos o nome. Veludo molhado, lurex, couro, camurça, lã. Outras, truques pros nossos olhos, o chamado  ”tromp l’oeil”. Outras, as novidades, não conhecemos ainda. Se a moda caminhar mesmo pra esta direção de inovações incríveis na área têxtil, vai ficar cada vez mais difícil ver desfiles de longe ou sem poder tocar nas roupas. As fotos de detalhes que alguns sites disponibilizam ajudam, mas podem enganar os olhos dos leigos e até mesmo dos especialistas.

Abaixo, algumas texturas e misturas delas (novas ou óbvias) que achei legais e  roubei do site FFW (que coloca os detalhes, para a alegria dos espectadores distantes!):

             Animale

     Juliana Jabour

Lino Villaventura (mas no caso dele, as texturas diferentes e suas misturas não são novidade, é estilo)

 Melk Z Da, outro que também sempre trabalha explorando texturas

      Reserva. Seria isso um tromp l’oeil ou um tricô pintado depois de ter sido tricotado?

       Ronaldo Fraga



Obrigada!!!!
22/01/2010, 09:08
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Gente, obrigada por passarem os contatos, na semana que vem eu mando o questionário!

Adorei a mobilização, obrigada mesmo!!!! Agora têm que responder, se não não vale hehehehe

ATENÇÃO: fechei o post anterior para comentários porque já tinha emails de mais para a pesquisa e eu teria um trabalho descomunal. Obrigada a todos que responderam. Mas só para esclarecer. Meu trabalho final da pós NÃO É a pesquisa em si. A pesquisa faz parte do projeto, para justificar o público alvo do meu trabalho final.



Pesquisa Bainha: Ajudinha dos leitores
19/01/2010, 10:14
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Pessoas,

estou fazendo meu projeto final da pós-graduação em Moda da Santa Marcelina e preciso fazer uma pesquisa sobre comportamento dos leitores de blogs/sites de moda e gostaria de contar com a ajuda de vocês. Para isso, preciso montar um mailing para enviar o pequeno questionário.

Peço que todo mundo que leia e visite o blog (mesmo que pela primeira vez, ou mesmo que nunca tenha comentado aqui, ou mesmo que leia em segredo) deixe um comentário, preencha o campo email com o endereço certo e, no texto dos comentários, coloque o nome (aqueles que tenham perfil com nome do blog ou email com algo tipo lindinha89).

Pleaaase, ajudem!

To esperando o comentário de vocês, hein?



Beirut, Cantão, Herchcovitch e o leste
18/01/2010, 22:18
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Hoje quero me expressar apenas através da linguagem não-verbal das imagens e da música. Minha interpretação livre dos dois desfiles que me agradaram muito e que têm vários elementos e inspirações bem próximos.

Ouçam as músicas destes vídeos do Beirut enquanto olham para estas imagens que andei pesquisando pela internet (de ciganos e da Turquia) e que acho que teriam ligação com as coleções da Cantão e do Alexandre Herchcovitch:

fotos de desfiles: Uol Moda e Agência Fotosite

PS.: reparei agora que a maquiagem dos desfiles é exatamente o contrário: a da Cantão é laranja em cima e com uma linha azul embaixo. E a do Herchcovitch é azul escura na pálpebra superior e com um risco laranja na inferior! Ambas são lindas



Na moda, nada se cria?

Existe aquele ditado que diz que na vida, nada se cria, tudo se transforma. Infelizmente, para alguns dos nossos profissionais da moda, tudo se transforma, mas não muito.

Quem acompanhou blogs e twitters de jornalistas que estava no Fashion Rio, pode ver os comentários meio chocados sobre a semelhança das coleções de algumas marcas com outras internacionais, como Balenciaga, Balmain, Givenchy e Lanvin. É fato – incentivado principalmente pela mídia – que estas quatro marcas sejam algumas das  grandes influenciadoras do mercado de moda hoje. Ditadoras de tendências – mas, como na vida nada se cria, mas se transforma, uma marca inteligente que queira parecer antenada, vai buscar referências e transformá-las porque este é o processo de criação bem feito dentro de design de moda.

No entanto, muitas marcas brasileiras foram muito literais em suas referências. Se formos pensar que nós, o público (e no meu caso a mídia e público), também queremos parecer as modelos do Sartorialist, as marcas estão certas em querer satisfazer estas vontades do consumidor. Mas o estilista de uma marca que desfila na segunda semana de moda mais importante de um país que quer crescer na influência do mundo da moda não está em seu posto para satisfazer a vontade batida do público. O papel do estilista é despertar uma vontade no consumidor que ele nem sabia que tinha – assim o sistema da moda gira, trazendo uma novidade que irá substituir a moda atual.

Então por que lançar uma coleção calcada em imagens já batidas e excessivamente divulgadas na mídia? Em tempos de internet, em que o desfile do McQueen é transmitido ao vivo para o mundo todo, se calcar em marcas internacionais é uma preguiça imensa e que dispensaria uma equipe de criação treinada e bem resolvida. Não julgo marcas varejistas que atendem a um público que não é formador de opinião em moda por natureza – como uma Renner ou C&A – em se inspirar nas grandes marcas. Mas uma que se propõe a ser criadora e a desfilar para o público formador de opinião? É um tiro no pé.

Critico de forma amigável até porque temos que fazer meaculpas porque a nossa herança de colônia é muito forte nessas horas. Não são apenas as marcas e suas equipes que se moldam muito nas internacionais. Todos nós fazemos isso, principalmente os profissionais de moda e os nossos veículos.

Também entendo que a marca precisa vender para se manter, mas acho que imitar as vontades em vigência não seja o melhor caminho (a não ser que ela seja uma grande rede de varejo), porque o preço dessas roupas é MUITO ALTO para algo que vai passar em 6 meses. Se eu comprar a mesma peça balenciaguista na Renner, ela vai sair de moda pelo menos tempo, mas será mais vantajoso porque é dez vezes mais barata.

Hoje começa – aliás, já começou – o SPFW e espero que vejamos mais a cara das nossas marcas, e não espectros das imagens abaixo:  

               Balenciaga

                Balmain

              Givenchy

                      Lanvin



Tangível ou intangível?

Sim, podem me acusar de blogueira relapsa, mas o ano começou e os afazeres profissionais (oficiais), o projeto final da pós e os afazeres domésticos estão tomando muito meu tempo, por isso eu reduzi o blog a posts rapidinhos com brincadeirinhas, e bla bla bla.  Mas bora falar de Fashion Rio?

Aprendi em aulas de Marketing de Moda na pós que as tendências de consumo podem ser divididas em dois tipos: tendências tangíveis, que são aquelas que nascem a partir da matéria-prima de que o produto é feito e de novas máquinas, tecnologias. Por exemplo: a estamparia digital foi ficando mais fácil de ser feita e mais barata e os estilistas podem usar mais. O outro tipo de tendência seria a intangível, que são aquelas inspiradas em análises socio-culturais e que “leem” as vontades dos consumidores.

Hoje em dia, na moda, costuma-se dizer que as tendências acabaram, mas eu não concordo. É impossível ter uma indústria de moda sem tendência – tangível ou intangível. O que existe hoje é uma opção enorme de estilos e você tem a liberdade de escolher o que quiser e misturar com o que quiser. Mas não é possível ficar totalmente livre das tendências, afinal, as marcas não produzem seus próprios pigmentos, tecidos, aviamentos.

Se a indústria têxtil resolveu apostar em apresentar aos seus clientes (confecções, marcas, etc) uma gama imensa de lurex ou de tecidos com brilho na trama, provavelmente, a maioria vai adotar. E por que o lurex? Não sei, talvez tenham desenvolvido uma nova máquina, um novo tipo de fio, uma nova misutra de fios para fazer este tecido (tendência tangível). Ou então, algum bureau detectou esta vontade de brilho e esses ares de anos 70 e disse: apostem no lurex (tendência intangível). Ou a mistura dos dois fatores.

Não sei o que aconteceu, mas foi MUITO lurex no Fashion Rio. Não apenas o lurex, que seria fios de malha com fios metalizados, com brilho, mas também tecidos planos com fios brilhantes na trama, tricô, glitter, etc. Resumindo: brilho. Vamos ver como será no SPFW. Até procurei alguma marca internacional que tenha feito algo com lurex ultimamente, mas só achei um desfile de inverno da Anna Sui bem antigo, não imagino que estejam se “inspirando” nele só agora.  Por isso, sinto que, querendo ou não seguir tendências, a oferta de peças de lurex no inverno tende a ser bem grande. Vamos ver quem usou?

     Coven

    Nica Kessler

    Meias de lurex e sapato com textura parecida da Cavendish

    O desfile quase inteiro da Lanv…ops! Printing. Quase todos os tecidos usados tinham fios metalizados na trama

    O tricô belíssimo do Lucas Nascimento

    Cantão, também com fios dourados na trama desta lã fria(é o que parece, é isso mesmo?) xadrez das peças de alfaiataria

     Não é exatamente lurex, mas lã felpudinha com fios metalizados da Andrea Marques (um dos meus desfiles preferidos do Fashion Rio)

fotos: Agência Fotosite (Portal FFW)



Rapidinhas do Bainha: G1 engraçadinho
11/01/2010, 16:59
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Cliquem na foto:

Tá quente MESMO no Rio né? Repórter indignado!

Mas já peguei 43 graus em 2007, desculpa!

(Obrigada Ju Bravo e Bruna Maia!)



All Star fino no Walter Rodrigues
10/01/2010, 18:45
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Como este humilde blog nasceu em pleno Fashion Rio (lá pros idos de 2007), é bem estranho não mencionar a semana de moda. Mas acho meio cara de pau cobrir algo sem estar in locco, por isso, como sempre faço, vou comentar o que despertar realmente uma opinião minha. Afinal, cobertura vocês podem conferir no Portal FFW e no Uol Moda (os melhores, mais completos e rápidos – principalmente em fotos – na minha opinião).

Pois então, fiquei super feliz em ver vários All Star (ainda não descobri qual é o plural menos feio e estranho de All Star) no desfile do Walter Rodrigues. O estilista passou boa parte de sua carreira focado em moda festa, mas de uns tempos pra cá vem dado uma “casualizada” nas suas coleções, como vimos no Fashion Rio passado (desfile todo em preto e branco, com “básicos”).

Mas, sair da festa não significa capengar na qualidade e criatividade – mesmo por foto você consegue ver a qualidade do trabalho da marca, dos tecidos, dos trabalhos de modelagem, etc. E me surpreendir em ver todas as modelos usando o tênis (forrados com tecidos de quimonos japoneses). Lindos! Me deu até coragem de usar um em alguma festa na vida. Como diria Clarice: “tenho coragem? Por enquanto estou tendo”.

Fotos Agência Fotosite



Rapidinha do Bainha: moda inclusiva
07/01/2010, 15:40
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HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

amo erros de photoshop:

Teria sido Voldemort quem cortou a perna da Hermione?