A pequena tirana e Os Mutantes

Quando eu era pequena, tinha dois vizinhos que ficaram meus amigos no meu aniversário de 5 anos. Nessa época, meus únicos amigos, que eu me lembre, eram dois primos da mesma idade. Eu era uma pequena tiranazinha, a filha MUITO caçula de pais mais velhos. A “temporã”. Eu tinha um gênio complicado e era muito brava. Era não, sou. Mas um episódio me fez ter pavor desse meu defeito. Senta que lá vem a história:

Sintam a minha vibe infantil
Sintam a minha vibe infantil

Como eu não era acostumada a ter que a me adaptar ao jeito dos outros brincarem, aquele casal de irmãos me irritava demais. Eles me contrariavam? Eu berrava com eles e expulsava de casa no maior estilo vilã de novela.

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Eu, pequena bronquinha

Um dia, minha mãe – que é igualmente brava e a Rainha da Justiça – disse que eles não voltariam mais lá em casa porque eu os tratava muito mal. Lembro dela falando, com a dureza sincera e necessária de mãe escorpiana, que se eu tratasse mal as pessoas, ninguém iria gostar de mim. Obviamente, eu peitei ela e disse que não me importava. Desconfio que ela combinou com a mãe deles que eles ficariam sem ir lá até eu pedir desculpas. Só sei que eles ficaram muito tempo sem aparecer, meses.

Eu era uma criança solitária, com irmãos adultos. Quando eu não aguentava mais brincar de Playmobil sozinha e ver 20.000 vezes “A Noviça Rebelde”, perguntei pra minha mãe como fazer pra eles voltarem e ela explicou que eu tinha que pedir desculpas e não trata-los mais assim. Vencido meu orgulho, reatei a amizade. Eles foram companheiros de muita diversão por anos e anos. Hoje em dia, seguimos nossas vidas em cidades diferentes, mas ainda nos falamos.

Essa historinha toda foi para falar que o nosso jeito vai definir muito como somos vistos pelas pessoas. Por comodidade, fingimos não nos importar muito com isso porque, em geral, temos aquele círculo de parentes ou amigos que não se importam com nossas malices. Mas não podemos sentar em nossos defeitos. A eterna avaliação e consciência das nossas atitudes é um exercício doloroso, mas indispensável para o nosso bem-estar e o dos outros.

Eu ainda sou a pequena mimada e muito brava, mas eu luto todo santo dia para não ser assim porque não quero afugentar as pessoas, ser conhecida por ser desagradável. Eu sou grosseira e quase morro quando esse meu lado fica descontrolado. Quando sou impaciente com as pessoas que eu amo (meus pais, irmãos, sobrinhos, primos, tios, amigos…), quando sou crítica demais com os outros, quando fico sarcástica e implicante por me sentir rejeitada.

É sempre muito difícil pra mim, até porque o meu oposto para a grosseria é a piada – o que não ajuda em nada, na maioria das vezes. Mas, nunca é tarde para mudar em busca de algo melhor. Eu não quero ser o motivo para o choro alheio. É piegas, eu sei. Mas é um bem que fazemos aos outros e a nós. Se eu não tivesse mudado na infância, teria tido uma infância tão legal como tive?

A lição da minha mãe pode ter sido dura pra uma menina de 6 anos. Mas foi muito eficaz. Se a gente não se importa com o que fazemos com as outras pessoas, elas se afastam de nós. E a solução pra isso não é achar pessoas que não se importam em ser mal tratadas. Ou pior!!! Achar quem te maltrate ainda mais, para acabar com seu ego. Mas sim mudar o jeito – ou pelo menos tentar. Admitir os defeitos, aceita-los, mas não nos acostumarmos com eles, nem achar que os outros podem lidar com eles sem chateação.

Sou longe de ser um modelo, uma pessoa iluminada. Mas eu tento melhorar, eu juro!

A velha desculpa de gênio difícil e esquisitice não seria um bloqueio emocional para afastar quem vê o nosso lado bom, e não esse tal monstrinho interno? Não sei. Só queria mesmo levantar essa bola – ainda mais nesses nossos dias de brigas e intolerâncias de eleição, corações partidos e pela falta de empatia.

E a palavra mudança combina com: humildade, “eu errei”, desculpa. Né não?

Termino com a Tulipa Ruiz. Ela diz “cuida bem da tua forma de ser. Amanhã o dia vai ser diferente doutro dia”. Acho que ela não nos manda ser sempre do mesmo jeito, mas sim cuidar muito de como somos. Manter e valorizar aquilo que é bom, tentar melhorar os defeitos. Porque nunca sabemos o dia de amanhã. “E no fundo, bem no fundo, você sabe como isso é legal: ter alguém que entenda essa sua transição”.

Vamos transitar, transmutar, transmitir, transformar. Tipo mutante! Porque como ensina o mestre de todas as horas Lulu Santos, “tudo muda o tempo todo no mundo. Não adianta fugir, nem mentir pra si mesmo. Agora, há tanta vida lá fora”. Bora viver de boa?

Biblioteca Bainha: “Parc Royal – Um magazine na Belle Époque carioca”

Como comentei na fanpage do Bainha no Facebook (não curtiu ainda? clique aqui!), no início de agosto eu fui à Reunião Brasileira de Antropologia, congresso que reúne antropólogos e pesquisadores do Brasil todo, e onde apresentei um trabalho sobre minha pesquisa (em andamento) sobre o Pinterest que realizo no Mestrado. No meu Grupo de Trabalho na RBA, conheci a Marissa Gorberg e sua pesquisa muuuuito legal sobre o Parc Royal, loja de departamentos que existiu no Rio de Janeiro entre final do Século XIX e início do XX. Assim como eu, ela também apresentou no GT sua pesquisa que, no caso, realizou para o Mestrado em História, Política e Bens Culturais, do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), da Fundação Getúlio Vargas. Durante a sua apresentação, eu e os outros participantes do GT ficamos encantados com as inúmeras fotografias da época e material publicitário que ela nos mostrou.

Como o tempo das apresentações é curto, imagino que o que ela nos mostrou não seja nem 1/3 de todo o material que ela reuniu. Só o que vi e a história que ela contou já me bastaram para ficar maravilhada. Mas para quem ficou curioso como eu, a boa notícia é que a dissertação deu origem a um livro,  “Parc Royal – Um magazine na Belle Époque carioca”, lançado pela editora G. Ermakoff Casa Editorial. 

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A Parc Royal foi inaugurada em 1873 e loja mais expressiva foi o grande magazine que ocupava um quarteirão no Largo de São Francisco, no centro do Rio. Em 1943, um incêndio a destruiu completamente. A loja não foi a primeira a trazer o modelo de departamentos para a cidade – a pioneira foi a Notre Dame de Paris. Mas a Parc Royal foi maior e mais luxosa e, além da grande loja do Lgo. de São Francisco, possuía uma filial na Av. Central (atual Rio Branco), e duas outras, em Belo Horizonte e Juiz de Fora (MG). Esse tipo de comércio surgiu no final do Século XIX e já era muito popular na Europa, com nomes que até hoje existem como a Harrods e a Selfridges (esta inaugurada em 1909) em Londres, e a Printemps em Paris.

Loja do Largo de São Francisco
Loja do Largo de São Francisco
Seção de chapéus femininos da Parc Royal
Seção de chapéus femininos da Parc Royal
Anúncio da loja
Anúncio da loja

Ainda não li o livro, mas pela sua apresentação, a história do magazine contextualiza uma reflexão sobre aspectos da cultura da época, como as mudanças que aconteciam no Rio na época, a indumentária do período, diferentes formas de consumo que surgem na época, o papel da mulher, publicidades e imprensa da época, etc. Achei super relevante até porque desconhecia a história da loja. Infelizmente, quando estudamos Moda no Brasil, raramente se fala de forma aprofundada dessas lojas – na maioria das vezes são apenas mencionadas (Sears, Mapin, etc). O foco fica nas tecelagens e estilistas, mas o varejo também foi importante para a história da moda e – mais ainda – do consumo no Brasil. Não só isso, mas, como Marissa mostra no seu livro, serve de pano de fundo ou de exemplo muito rico para contar diversas histórias de uma cidade, de uma época. Parabéns pela pesquisa!

Amores distímicos

Um tempo atrás, escrevi esse texto sobre pessoas da minha geração que – apesar da modernidade das relações – acabavam tendo uma visão muito romantizada da vida amorosa/sexual. Elas pulam de galho em galho, mas apesar da variedade e movimentação de dates, sentem um certo vazio “inexplicável”. 

Hoje, uma amiga veio me mostrar esse outro texto de um rapaz. Gostei do blog dele e adoro homens que se prestam a falar da vida amorosa com sinceridade. Adoro ver o lado deles porque acho que estamos todos no mesmo barco. Nele, o rapaz pergunta onde estão as pessoas interessantes? Diz que vem passando por um limbo de desinteresse para se abrir para novas pessoas, do velhinho do ônibus às meninas que tem saído ultimamente. Apesar de reconhecer que anda desanimado, ele se pergunta onde estão as pessoas interessantes e interessadas “em se conectar de verdade”. 

Quando li esse texto, lembrei imediatamente desse meu, onde cito um outro do Ivan Martins, da Época e fiz esse debate de nós três na minha cabeça. O rapaz do site é um caso – a meu ver – desses que está esperando pelo o que nunca virá. Não consigo imaginar como é possível que entre as 10 meninas que ele disse que saiu NENHUMA tenha despertado o interesse dele. Será que andamos tão desinteressantes assim ou sim desinteressados nos outros?

Opções de mais?

Aproveito para citar um comentário do texto de uma das leitoras que disse exatamente o que pensei e gostaria de falar para esse amigo desanimado. Ela diz:

“Já pensou no tanto de gente interessante q perde o interesse por quem anda nessa apatia? Eu tô nessa… Conheci um cara mto interessante, mas q tá num momento em q por mais q eu puxe, ele não sai desse limbo. Talvez eu não seja interessante pra ele ou talvez ninguém o seja… Parece q as pessoas esperam sempre q a próxima história já chegue arrebatando, virando tudo de cabeça pra baixo, qndo na verdade tudo é uma questão de se permitir conhecer e ser conhecido além da primeira impressão de um Tinder da vida”.

Guardem essa informação para a minha exposição depois. Guardem e juntem com mais esta: Há um tempinho atrás, as amigas queridas do GWS escreveram um texto nos moldes “Ele não está a fim de você”, incentivando nós meninas a desencanar daquele bofe que não tá nem aí pra gente.

Temos o post do menino + comentário + post do GWS e agora guardem mais essa: o filme “Elizabethtown”. AMO esse filme porque sempre me identifiquei muito com a Claire, personagem feminino principal. Eu e meia mundo de meninas. Sou muito sincera e falante, como a Claire. É um defeito, aliás, que acaba assustando muita gente. Mas sou legal pra caralh… ok????

Mas aqui quero falar do personagem do Orlando Bloom. Ele é um cara no limbo amoroso. Distímico é pouco, ele quer se matar porque se acha um fracasso. E encontra uma menina como a Claire. Já viram? Então vejam.

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Bom, voltando ao post do GWS, na época, comentei no texto das meninas que é importante marcar e ressaltar que tem muita gente por aí que não quer nada nem com você, nem com ninguém. Estão perdidos, não sabem o que querem, não se satisfazem com nada. Parecem que vivem uma distimia amorosa – uma insatisfação crônica. E sofrem! Podem não admitir e fingir que não, mas sofrem.

A solução é tentar puxar o outro do limbo? Como disse a menina do comentário que citei, por mais que tentamos puxar a pessoa, nem sempre a pessoa quer. Aliás, esse puxão pode ser interpretado como mala, desespero, carência, incômodo! 

Assim, vamos desperdiçando gente legal de bobeira. Como ela disse também, a vida vai parecendo o Tinder, que com uma passada de dedo, você bota a galera para escanteio. Mas é culpa do Tinder ou ele apenas captou um comportamento já presente na sociedade? Isso é papo pra pesquisa que não quero tratar aqui.

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Junto com esse limbo, com esse humor amoroso distímico, existe a (falsa?) sensação de que há muitos peixes aí no mar dando bobeira e disponíveis para nós. O cara ou a menina até podem sair com uma pessoa legal pra caramba, papo bom, beijo bom, gosto parecido, sexo excelente…. Mas o cara (ou a menina) pode pensar: “poxa, postei uma foto no meu Instagram e 40 meninas(os) curtiram! To por cima da carne seca! Por que concentrar a atenção naquela menina legal, se posso testar as outras e ver se tem uma ainda mais legal?”. Temos aí a famosa rodada de prato.

Alguns se satisfazem com essa variedade, querem pegar todo mundo mesmo. E tão no direito deles, né gente? Homens e mulheres. Mas nem todo mundo é assim. Tem gente que procura a conexão, que o garoto do post diz. Mas precisamos estar abertos pra ela, né?

Esse limbo pode ser decorrente de várias decepções seguidas. É difícil andar por esse terreno bizarro das relações hoje em dia, seríamos nós uma geração em transição e, por isso, perdida? Não sei, se alguém souber, ajuda.

O que eu sei é que sempre acredito em duas coisas:

1- Não fazer com o outro aquilo que não quer que façam com você. Sejamos honestos e respeitosos. PRINCIPALMENTE na hora de dar um fora. 

2- Tô com o Lulu Santos SEMPRE.Sou gente fina, elegante e sincera, com habilidade pra dizer mais sim do que não. Vamos nos permitir, gente. Porque hoje o tempo voa. O avião voa, cai, a gente morre. A vida passa, gente legal passa e nem sempre a fotinha que vem depois no Tinder vai ser tão legal. E a pessoa descartada pode nunca mais voltar :-)

Aprendemos com Claire e Drew de Elizabethtown!

Vamos conectar, de date ao casamento, o que importa é estar aberto pras coisas boas!

PS.: Para o menino que escreveu o post, caso ele leia o meu, tenho zilhões de amigas solteiras interessantes PRA CARAMBA. Confia!

PS2.: Esse post é dedicado ao último filho do limbo que me conheceu, mas me deixou passar. Lamento :-)

Como deixar a franja crescer – sem sofrer?

Em 2007, cortei minha franja reta e curta, bem ao estilo Françoise Hardy, Jane Birkin e Zooey Deschanel, etc. Eu amo esse visual, mas desde então, NUNCA MAIS consegui deixar a franja crescer. É bom variar, né?

O máximo que ela já chegou foi até 2 dedos abaixo dos olhos. Meu “hair designer” amado, o mesmo desde essa época ,até ri quando eu chego lá para cortar cabelo. Ele sempre pergunta: “E aí, ainda está deixando a franja crescer?”. Porque ele sabe que eu falo pra não cortar e meses depois eu chego #chatiada porque eu mesma me arrisquei a cortar e “deu ruim”.

Só que 2014 é um ano desafiante e me propus a mais este: deixar a franja crescer. Agora é pra valer, amigos!

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Como nada nessa vida é fácil e temos que conquistar metas aos poucos, impus uma primeira: deixar até o nariz com o cabelo seco (porque ele molhado fica bem maior, mesmo sendo liso). Mas olha gente, como diria a Kátia, “não está sendo fácil”.

Quem tem franjinha sabe o quão difícil é fazer a bicha crescer. Chega um momento em que ela entra num limbo do visagismo, um comprimento que não é nem franjinha nem franjão, não fica atrás da sua orelha, não fica boa virada para lugar nenhum nem dividida ao meio. Me encontro nesse ponto. O desespero é tanto que decidi dividir o drama com vocês.

Digitei no Oráculo de Delfos moderno, o Google: “how to grow bangs” ou “como deixar a franja crescer”. Vi várias reportagens de revistas ensinando penteados mirabolantes com tranças laterais que obviamente foram feitas por pessoas que NUNCA TIVERAM FRANJINHA. Porque quem tem franjinha NÃO TEM CABELO SUFICIENTE PRA FAZER UMA TRANÇA COM ELA, POMBAS! (momento de raiva).

A melhor matéria no assunto foi esse post do blog The Beauty Department, que ainda mostra uma evolução do crescimento da franja da Sienna Miller.  Como eles dizem no post, o jeito é administrar esse pedaço de cabelo com vida própria usando acessórios para o cabelo e criatividade (recomendo a leitura para quem sofre):

SIENNA-MILLER-BANGSFoto: The Beauty Department

Mas as tentações são muitas. Além do desespero de não saber mais o que fazer com a franja, não ter o cabelo nem a beleza da Sienna Miller (nem seu ex-marido, Jude Law), voltimeia bate aquela dúvida: mas eu fico melhor com ou sem franja? Será que corro o risco de ficar irreconhecível, como a Zooey Deschanel nesta foto:

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Como tem aaanos que eu não tenho franja longa e como meu cabelo mudou radicalmente dessa época para agora, eu realmente não sei! E quando vejo alguém de franjinha, alguma foto minha antiga ou mesmo um grafite de uma mulher de franja que tem na minha rua; bate aquela tentação de passar a tesoura.

Celebridades sempre dão aquela inspirada, mas também duros golpes. A Alexa Chung estava com a dela bem longa ultimamente, mas uma foto no Instagram mostrou que ela cortou nesta semana. Poxa Alexa, não quebra o movimento!

Por enquanto a minha está assim (foto abaixo. Não reparem na textura do cabelo, estava bagunçando de propósito). Sigo na luta. Em breve dou notícias!

SE ALGUÉM TIVER TRUQUE, DICA, MACUMBA, FEITIÇO, SIMPATIA, POR FAVOR, COMENTE AQUI OU NA FANPAGE DO BAINHA!!!!!

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A milésima volta do Bainha

Tem alguém sumido aí?

Criei o Bainha em 2007 e, desde então já sumi e abandonei o blog inúmeras vezes. Talvez por isso ele nunca tenha virado fonte de renda ou famoso, mas é porque a vida demanda muitas coisas da gente, né?

Dessa vez, foi o Mestrado e a vida acadêmica em geral que me fez afastar. Como pesquiso Consumo e Internet no curso de Mestrado em Antropologia que faço, entrei com uma paranoia que escrever aqui poderia me trazer problemas. Poderiam confundir o que falo aqui com alguma pretensão de artigo acadêmico, etc. Daí fui ficando com medo de escrever, foi me tolhendo as ideias, a liberdade. E blog é para ser livre, né? Pelo menos na sua origem, era. Mas sempre bom dizer, NADA AQUI é acadêmico, é científico, pelamordedeus!

Além disso, o tempo foi ficando cada vez mais escasso, a quantidade de coisas para ler e fazer maior.

Mas não aguentei de saudade. Voltei! Alguém ainda me lê?

Para fazer as pazes com a blogolândia, resolvi trazer o que me tomou as ideias para cá e também quebrar a paranoia com o mundo acadêmico x blog e abordar justamente o assunto que pesquiso, que é o Pinterest. Já falei dele várias vezes aqui, antes e depois do Mestrado. Não quero falar sobre as coisas que pesquiso por lá, o que já descobri, nada. Socorro, já faço isso escrevendo artigos, papers para congressos, etc.

Mas, por conta disso, muita gente vem me falar que tem perfil, mas não sabe usar o site – apesar de ter vontade. Então para ajudar quem tem vontade de usar o site, mas não sabe como, um breve GUIA DO PINTEREST!

GUIA PARA USAR O PINTEREST ATIVAMENTE:

1- Você precisa de um perfil: quando você entra no Pinterest pela primeira vez, a primeira tela que vai ver é esta abaixo. Eu criei o meu perfil a partir do Facebook. Ele vai puxar seus contatos lá e você pode escolher se vai seguir o Pinterest deles ou não. Mas no Pinterest, o lance é seguir perfis que postam imagens que você gosta, não precisa ser amigo da pessoa na “vida real”. Dos 233 perfis que eu sigo, imagino que só 10% deve ser de amigos “reais”.

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O site criou esse vídeo abaixo para explicar o que ele é. Como pesquisadora, vejo que eles focam muito os usos do site na sua parte prática, como um lugar para buscar inspiração para projetos, compras, viagens. Mas o vídeo é bacaninha:

2- Criando painéis (ou boards): Depois de criar o perfil, o Pinterest vai fazer um tour com você mostrando como é o site. Explicam, por exemplo, o que é um pinPin é o que é postado nos perfis do Pinterest. São imagens que você escolhe para estar ali. Elas são guardadas no seu perfil em painéis que você cria de acordo com suas preferências. O Pinterest sugere alguns temas de painéis para você criar:

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Mas você pode criar o painel que quiser. Tem perfis, como alguns que acompanho, que possuem mais de 200 painéis. Sim, duzentos! Faça quantas categorias sua imaginação mandar. Mas se você criar muitos painéis, com temas muuuito próximos e específicos, pode ser que, na hora de navegar pela sua timelineonde aparecem os pins dos perfis que segue, você tenha alguma dificuldade de classificar as imagens que queira pinar.

Os painéis que eu criei foram os seguintes:

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3- Sigam-me os bons! Depois de decidir que tipo de foto você quer colecionar, pode escolher os perfis que vai seguir. O site vai te sugerir alguns com base no que você selecionou aí nos painéis. Nessa hora que vocês podem me seguir lá clicando aqui!

Na foto aí de cima, à direita, vocês podem ver minha foto e um balãozinho vermelho. Ali são as notificações que a gente recebe: quem repinou seus pins e quem começou a te seguir, por exemplo. Por causa da correria da pesquisa, não presto muito atenção nessa parte. Mas não se assustem, tem um monte de gente que você nunca viu na vida te acompanhando. É normal, o que importa é a troca de imagens e, além disso, o Pinterest é um território internacional, você troca fotos com gente do mundo todo (principalmente americanos).

4- Timeline e procurando imagens: Depois de decidir quem vai seguir, as fotos que essas pessoas pinam vão aparecer na sua timeline, que parece mesmo um mural de cortiça. É confuso gente, mas vocês se acostumam. Para vem uma foto maior, basta clicar nela. Quando ela abre maior, você pode no canto superior esquerdo o botão de PIN, o CURTIR e um botão que leva ao link original de onde a foto veio (o site de origem). Quando você curte uma foto, ela não vai para o seu perfil. Raramente as fotos são curtidas, o lance é pinar.

Do lado direito da foto, podemos ver ao lado direito mais imagens que a pessoa tem em seu álbum. Se rolar a barra para baixo, você verá o que o Pinterest colocou como “pins relacionados”. Cuidado, é fácil se perder nessa imensidão de imagens!!!

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De volta à sua Timeline, no canto superior esquerdo do site você vai ver  o espaço para busca e um botão que leva a um menu que vai mostrar todas as categorias de pins que o site cria. Nesse menu também tem a categoria Popular. Essa categoria, às vezes, tem fotos digamos… polêmicas. Não deveria falar isso como pesquisadora, mas somos todos humanos: às vezes aparecem fotos muito cafonas. Quase nunca utilizo esse menu. Mas utilizo muito a busca para procurar cortes de cabelo, por exemplo. A dica é escrever em inglês, já que a maior parte dos usuários ainda é americana.

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Bom, sem mais delongas e acho que ajudei a ensinar o básico de como usar o site, né?

Aproveitem e até o próximo post! (Próximo mesmo!!!! :D)

Bainha no Facebook aparecendo no seu feed :)

Esse Facebook danadinho… para dar lugar aos seus anúncios pagos nos nossos feeds de notícias, eles retiraram os posts das fanpages que eu e você curtimos. Como eu sei que todo mundo aqui curtiu a fanpage do Bainha, vou mostrar como fazer para voltar a receber as atualizações por aqui. É só ir à página e ver se o botão “Seguir”, à direita, está com um tick marcado. Se não, é só clicar e voillá!

curtir

Melhor ainda se passar o cursor em cima do botão “Curtiu”, vai abrir automaticamente uma janelinha e vocês vão clicar em “Obter notificações” e você ainda recebe uma notificação, olha que legal? :D

obter notificações

Fantasias de Carnaval com ajudinha do Pinterest

Alô povão, agora é sério!

Blog está abandonado, mas o Mestrado e afazeres profissionais me prendem o tempo. Mas voltar a alimentar regularmente o Bainha está em uma das minhas resoluções de 2014! Urra!

Já que o Mestrado está direcionando meu foco, vou juntar o assunto da minha pesquisa com uma paixão minha que nesta época fica mais aflorada: Pinterest + Carmaval! Essa rede social de coleção e troca de imagens pode ser uma boa fonte de ideias para fantasias para curtir a folia e eu tenho até história pra contar. Como quem acompanha o blog sabe e quem não sabe pode ler nos posts que vou deixar linkados no final, eu gosto muito dessa festa e adoro me fantasiar. Sempre procuro inspiração em livros que tenho em casa de história da moda, nas minhas coleções de fotos antigas e, claro, na Internet.

Em 2012, recebi uma foto de uma menininha fantasiada de pavão, numa roupa totalmente Do It Yourself, ou DIY ou, no bom e velho português, Faça Você Mesmo. Me apaixonei e me inspirei naquela saia para criar uma versão adaptada para o verão carioca. A foto era essa:

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Eu, minhas amigas, minha mãe e a mãe de uma delas tivemos um mega trabalho de comprar tecidos e costurar as penas de feltro para fazer a fantasia, mas ficou lin-da! No Carnaval daquele ano, desfilávamos felizes pelo Boitatá quando vimos outro grupo de amigas com a MESMA fantasia. Morremos de rir! Elas pegaram a mesma foto como inspiração. Mas, como cada grupo fez sua releitura, a fantasia ficou relativamente diferente. Não vou colocar foto aqui porque, vocês já sabem, quem copia minhas fantasias leva uma praga imensa nas costas, hein!

Essa história me fez entrar no Pinterest (fonte da foto acima), me apaixonar e fazer dele meu lugar antropológico. Mas continua fonte de ideia carnavalesca também. Ano passado, montei uma fantasia inspirada em banhistas da década de 20, mas bem colorida porque, afinal, é Carnaval.

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Minha versão (foto anti-cópias, só no mistééério):

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*   Para pinçar alguma ideia no Pinterest, pode digitar “costumes” na busca do site. Aconselho sempre a usar o termo em inglês porque cerca de 70% dos seus usuários é dos EUA. Vejam com seus olhos: http://www.pinterest.com/search/pins/?q=costumes.

* Outra tag que tem muitas ocorrências é “halloween costumes”, ó: http://www.pinterest.com/search/pins/?q=halloween%20costumes. Porque eu acho brega brasileiro levar o Halloween pra valer, mas os gringos são bons de inventar fantasia! Só adaptar para nosso clima.

*       Ou então, caso você já tenha algo em mente, digite o que pensou na busca (de preferência traduzido, como eu disse) e vai achar um monte de de ideia legal também. Por exemplo, pavão: http://www.pinterest.com/search/pins/?q=peacock%20costume.

* Também costumo procurar ilustrações ou fotos antigas como para uma fantasia de melindrosa: http://www.pinterest.com/larissalu/20s/.

Mas, se vocês ainda não estão convencidos, peguei algumas imagens inspiradoras, ó:

Mimooous:

mimous

Os Pássaros:

the birds

Twitter:

twitter

E essa, que eu MORRI! Do filme Madeleine:

madeleine

 

**** POSTS SOBRE CARNAVAL:

Coletânea de posts sobre o assunto

Karaokê de marchinhas

High School em 1969

Uma amiga postou no Facebook um link para imagens da revista norte-americana Life feitas numa escola americana em 1969. Não sei dizer se eram fotos espontâneas ou um editorial de moda porque algumas fotos ou pessoas, como a menina com traços indígenas, me deram a impressão de serem “montadas”, mas enfim, posso estar enganada. Mas, como o próprio texto que a revista coloca em seu site junto com as fotos diz, retrata muito bem uma época em que a moda foi apropriada pela cultura jovem que floresceu nos anos 60, fazendo parte de um conjunto de mudanças culturais que surgiram nessa década. Recomendo a leitura!

Selecionei algumas imagens:

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“Frances Ha” ou Por que eu não concordo com o tal texto dos GYPSY infelizes?

Um monte de amigos meus nas redes sociais replicaram um texto sobre a geração Y que o autor americano chama de Gypsy. Saio publicamente para dizer que achei esse texto ruim e implicante com essa tal geração que todos parecem se descabelar por ela como com todas aquelas teorias apocalípticas de destruição das diferenças pela globalização, ou perda de identidades “verdadeiras” provocada pelo anonimato da Internet, etc.

Pode ser que nos EUA seja assim, que todo mundo se ache maravilhoso e pouco aproveitado, mas o que vejo aqui no Brasil são pessoas muito mais insatisfeitas com as condições absurdas de trabalho que algumas áreas possuem (principalmente as da tal Indústria Cultural), do que uma falsa impressão de que trabalho é só alegrias. Na minha opinião, esse texto, ao invés de propor uma reflexão que busca entender os motivos de tamanha insatisfação com a vida profissional com esses jovens nascidos na década de 80 (convenhamos, nem somos mais tão jovens assim), reforça os padrões antigos, aconselhando a personagem fictícia a se adaptar.

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Uso ”jovens” porque acho que, independente da década que você nasceu, a juventude costuma ser um grupo contestador e insatisfeito e, ao mesmo tempo, idealista e sonhador. Os baby boomers cresceram realmente tão pé no chão assim, como diz o autor do texto? Não foram eles que criaram o movimento hippie? Não foram eles que foram os punks? Não foram eles que realizaram todas as primaveras de Maio de 1968? Ora, essa frustração com a realidade é exclusiva da geração Y, então?

Por que, ao invés de apenas criticar a tal Y, não refletir sobre a falta de identificação e engajamento que esses jovens têm com seus empregos e funções, pela desvalorização de suas formações acadêmicas quando recebem salários pífios, quando vão para empresas que não assinam carteira, que não têm planos de carreira? Por que não refletir o desgosto desses mesmos ao constatar que seus chefes fecham contratos milionários com seus clientes, quando nem 5% disso vai para seus bolsos, em detrimento das horas e mais horas de trabalho que dedicam a esses projetos? Será que temos que aceitar essas formas de vida somente porque “trabalhar é assim mesmo”? Ou porque “quem não se esforça, não alcança nada”?

Por que não refletir isso tudo ao assistir ao vídeo de demissão de uma menina que virou um viral:

Por que não refletir se não estamos buscando sucesso de mais e qualidade de vida de menos? Por que não refletir se será necessária uma desaceleração gradual daqui a uns tempos? Será que essa insatisfação e busca por felicidade da tal Y não é um sinal para todo um movimento que vem encaminhando formas de vida, de pensar e agir que ultrapassam questões geracionais? Por que não rever padrões de consumo? Por que não rever padrões comportamentais que fizeram da Y tão “problemática” e que podem piorar as seguintes?

Ao invés de lerem e replicarem esse texto, deveriam assistir ao filme Frances Ha, que faz um retrato bem mais real e menos tendencioso dessa tal juventude que o autor quis descrever nos Gypsys. Esta resenha da Carta Capital é bem bacana para refletir sobre esse texto, assim como o artigo da Martha Medeiros publicado originalmente na revistado Globo.

Still from Frances Ha

Com reflexões menos tendenciosas e raivosas, cheias de implicâncias de gerações para outras, poderíamos dar um destino diferente para a Y. Ao invés de envelhecer reforçando e até piorando o mundo que tanto desgostavam – como fizeram os baby boomers, genericamente falando – poderíamos, a partir desses tantos incômodos, transformar nossas realidades não em sonhos, idealizados; nem em felicidade absoluta (tipo novela das 7), mas em lugar menos apocalíptico para cada geração próxima.

Dica Bainha: curso de tendências & consumo

Se tem uma coisa que irrita ainda mais meu humor saraiva é o uso da palavra “tendência” impunemente tanto na imprensa tradicional de moda, como nos blogs da vida. “Jeans é tendência”, “Xadrez é tendência”, “Camisa branca é tendência”, bla bla bla bla. Se você também se irrita ou se você vestiu a carapuça e também quer entender melhor as tendências e comportamentos de consumo, tenho uma indicação de curso bacana que será realizado em dezembro aqui no Rio de Janeiro:

Em Culture Lab – Tendências & Consumo, as queridas Carol Althaller e Hilaine Yaccoub vão expor formas diferentes, mas que podem se complementar (e, ao meu ver, é bom que se complementem, aliás) na hora de tentar entender como as pessoas consomem, usam e se apropriam dos objetos/serviços e tentar projetar isso para um futuro. Vão juntar coolhunting com antropologia do consumo. Carol trabalhou por muito tempo no WGSN como editora de conteúdo e hoje está trabalhando em planejamento de marketing para a Coca-Cola Company. A Hilaine é antropóloga, professora na ESPM-RJ e companheira de programa de Antropologia na UFF, onde ela é doutoranda na linha de Antropologia do Consumo.

Serão seis encontros, de 12 a 18 de dezembro, no SpazioIpanema. Quem ficou interessado, manda email pra culturelabnews@gmail.com

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