Biblioteca Bainha: “Parc Royal – Um magazine na Belle Époque carioca”

Como comentei na fanpage do Bainha no Facebook (não curtiu ainda? clique aqui!), no início de agosto eu fui à Reunião Brasileira de Antropologia, congresso que reúne antropólogos e pesquisadores do Brasil todo, e onde apresentei um trabalho sobre minha pesquisa (em andamento) sobre o Pinterest que realizo no Mestrado. No meu Grupo de Trabalho na RBA, conheci a Marissa Gorberg e sua pesquisa muuuuito legal sobre o Parc Royal, loja de departamentos que existiu no Rio de Janeiro entre final do Século XIX e início do XX. Assim como eu, ela também apresentou no GT sua pesquisa que, no caso, realizou para o Mestrado em História, Política e Bens Culturais, do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), da Fundação Getúlio Vargas. Durante a sua apresentação, eu e os outros participantes do GT ficamos encantados com as inúmeras fotografias da época e material publicitário que ela nos mostrou.

Como o tempo das apresentações é curto, imagino que o que ela nos mostrou não seja nem 1/3 de todo o material que ela reuniu. Só o que vi e a história que ela contou já me bastaram para ficar maravilhada. Mas para quem ficou curioso como eu, a boa notícia é que a dissertação deu origem a um livro,  “Parc Royal – Um magazine na Belle Époque carioca”, lançado pela editora G. Ermakoff Casa Editorial. 

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A Parc Royal foi inaugurada em 1873 e loja mais expressiva foi o grande magazine que ocupava um quarteirão no Largo de São Francisco, no centro do Rio. Em 1943, um incêndio a destruiu completamente. A loja não foi a primeira a trazer o modelo de departamentos para a cidade – a pioneira foi a Notre Dame de Paris. Mas a Parc Royal foi maior e mais luxosa e, além da grande loja do Lgo. de São Francisco, possuía uma filial na Av. Central (atual Rio Branco), e duas outras, em Belo Horizonte e Juiz de Fora (MG). Esse tipo de comércio surgiu no final do Século XIX e já era muito popular na Europa, com nomes que até hoje existem como a Harrods e a Selfridges (esta inaugurada em 1909) em Londres, e a Printemps em Paris.

Loja do Largo de São Francisco

Loja do Largo de São Francisco

Seção de chapéus femininos da Parc Royal

Seção de chapéus femininos da Parc Royal

Anúncio da loja

Anúncio da loja

Ainda não li o livro, mas pela sua apresentação, a história do magazine contextualiza uma reflexão sobre aspectos da cultura da época, como as mudanças que aconteciam no Rio na época, a indumentária do período, diferentes formas de consumo que surgem na época, o papel da mulher, publicidades e imprensa da época, etc. Achei super relevante até porque desconhecia a história da loja. Infelizmente, quando estudamos Moda no Brasil, raramente se fala de forma aprofundada dessas lojas – na maioria das vezes são apenas mencionadas (Sears, Mapin, etc). O foco fica nas tecelagens e estilistas, mas o varejo também foi importante para a história da moda e – mais ainda – do consumo no Brasil. Não só isso, mas, como Marissa mostra no seu livro, serve de pano de fundo ou de exemplo muito rico para contar diversas histórias de uma cidade, de uma época. Parabéns pela pesquisa!