Amores distímicos

Um tempo atrás, escrevi esse texto sobre pessoas da minha geração que – apesar da modernidade das relações – acabavam tendo uma visão muito romantizada da vida amorosa/sexual. Elas pulam de galho em galho, mas apesar da variedade e movimentação de dates, sentem um certo vazio “inexplicável”. 

Hoje, uma amiga veio me mostrar esse outro texto de um rapaz. Gostei do blog dele e adoro homens que se prestam a falar da vida amorosa com sinceridade. Adoro ver o lado deles porque acho que estamos todos no mesmo barco. Nele, o rapaz pergunta onde estão as pessoas interessantes? Diz que vem passando por um limbo de desinteresse para se abrir para novas pessoas, do velhinho do ônibus às meninas que tem saído ultimamente. Apesar de reconhecer que anda desanimado, ele se pergunta onde estão as pessoas interessantes e interessadas “em se conectar de verdade”. 

Quando li esse texto, lembrei imediatamente desse meu, onde cito um outro do Ivan Martins, da Época e fiz esse debate de nós três na minha cabeça. O rapaz do site é um caso – a meu ver – desses que está esperando pelo o que nunca virá. Não consigo imaginar como é possível que entre as 10 meninas que ele disse que saiu NENHUMA tenha despertado o interesse dele. Será que andamos tão desinteressantes assim ou sim desinteressados nos outros?

Opções de mais?

Aproveito para citar um comentário do texto de uma das leitoras que disse exatamente o que pensei e gostaria de falar para esse amigo desanimado. Ela diz:

“Já pensou no tanto de gente interessante q perde o interesse por quem anda nessa apatia? Eu tô nessa… Conheci um cara mto interessante, mas q tá num momento em q por mais q eu puxe, ele não sai desse limbo. Talvez eu não seja interessante pra ele ou talvez ninguém o seja… Parece q as pessoas esperam sempre q a próxima história já chegue arrebatando, virando tudo de cabeça pra baixo, qndo na verdade tudo é uma questão de se permitir conhecer e ser conhecido além da primeira impressão de um Tinder da vida”.

Guardem essa informação para a minha exposição depois. Guardem e juntem com mais esta: Há um tempinho atrás, as amigas queridas do GWS escreveram um texto nos moldes “Ele não está a fim de você”, incentivando nós meninas a desencanar daquele bofe que não tá nem aí pra gente.

Temos o post do menino + comentário + post do GWS e agora guardem mais essa: o filme “Elizabethtown”. AMO esse filme porque sempre me identifiquei muito com a Claire, personagem feminino principal. Eu e meia mundo de meninas. Sou muito sincera e falante, como a Claire. É um defeito, aliás, que acaba assustando muita gente. Mas sou legal pra caralh… ok????

Mas aqui quero falar do personagem do Orlando Bloom. Ele é um cara no limbo amoroso. Distímico é pouco, ele quer se matar porque se acha um fracasso. E encontra uma menina como a Claire. Já viram? Então vejam.

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Bom, voltando ao post do GWS, na época, comentei no texto das meninas que é importante marcar e ressaltar que tem muita gente por aí que não quer nada nem com você, nem com ninguém. Estão perdidos, não sabem o que querem, não se satisfazem com nada. Parecem que vivem uma distimia amorosa – uma insatisfação crônica. E sofrem! Podem não admitir e fingir que não, mas sofrem.

A solução é tentar puxar o outro do limbo? Como disse a menina do comentário que citei, por mais que tentamos puxar a pessoa, nem sempre a pessoa quer. Aliás, esse puxão pode ser interpretado como mala, desespero, carência, incômodo! 

Assim, vamos desperdiçando gente legal de bobeira. Como ela disse também, a vida vai parecendo o Tinder, que com uma passada de dedo, você bota a galera para escanteio. Mas é culpa do Tinder ou ele apenas captou um comportamento já presente na sociedade? Isso é papo pra pesquisa que não quero tratar aqui.

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Junto com esse limbo, com esse humor amoroso distímico, existe a (falsa?) sensação de que há muitos peixes aí no mar dando bobeira e disponíveis para nós. O cara ou a menina até podem sair com uma pessoa legal pra caramba, papo bom, beijo bom, gosto parecido, sexo excelente…. Mas o cara (ou a menina) pode pensar: “poxa, postei uma foto no meu Instagram e 40 meninas(os) curtiram! To por cima da carne seca! Por que concentrar a atenção naquela menina legal, se posso testar as outras e ver se tem uma ainda mais legal?”. Temos aí a famosa rodada de prato.

Alguns se satisfazem com essa variedade, querem pegar todo mundo mesmo. E tão no direito deles, né gente? Homens e mulheres. Mas nem todo mundo é assim. Tem gente que procura a conexão, que o garoto do post diz. Mas precisamos estar abertos pra ela, né?

Esse limbo pode ser decorrente de várias decepções seguidas. É difícil andar por esse terreno bizarro das relações hoje em dia, seríamos nós uma geração em transição e, por isso, perdida? Não sei, se alguém souber, ajuda.

O que eu sei é que sempre acredito em duas coisas:

1- Não fazer com o outro aquilo que não quer que façam com você. Sejamos honestos e respeitosos. PRINCIPALMENTE na hora de dar um fora. 

2- Tô com o Lulu Santos SEMPRE.Sou gente fina, elegante e sincera, com habilidade pra dizer mais sim do que não. Vamos nos permitir, gente. Porque hoje o tempo voa. O avião voa, cai, a gente morre. A vida passa, gente legal passa e nem sempre a fotinha que vem depois no Tinder vai ser tão legal. E a pessoa descartada pode nunca mais voltar :-)

Aprendemos com Claire e Drew de Elizabethtown!

Vamos conectar, de date ao casamento, o que importa é estar aberto pras coisas boas!

PS.: Para o menino que escreveu o post, caso ele leia o meu, tenho zilhões de amigas solteiras interessantes PRA CARAMBA. Confia!

PS2.: Esse post é dedicado ao último filho do limbo que me conheceu, mas me deixou passar. Lamento :-)