Bainha de Fita-Crepe


Eternamente responsável por aquilo que escreves

Depois que blogueiros internacionais foram convidados para os desfiles lá fora e alguns até sentaram no lugar de honra do reino da moda – a primeira fila – os donos de blogs nacionais começaram a reivindicar uma atenção maior por parte das marcas e suas assessorias. Enquanto os gringos são valorizados, aqui nós blogueiros não conseguimos nem mesmo credencial para cobrir as semanas de moda – que dirá convite para ver os desfiles.

Pelo nome dos blogs: Jak an Jil, Garance Doré e Sartorialist na primeira fila

Eu concordo com esta revolta dos blogueiros e acho que marcas que não estão atentas para o poder desta nova mídia estão comendo mosca. Não apenas quanto a desfiles, mas incluí-los no mailing de divulgação de releases, como estão as revistas e sites de moda – ou até mesmo criando novas ações de divulgação que não fujam dos padrões éticos da publicidade e do jornalismo (MUITO importante esta parte).

MAS, eu acho que os blogs precisam fazer por onde. Blog nasceu como uma válvula de escape para poder se expressar e acabou virando algo muito grande, muito acessado e seguido. O blogueiro precisa ter noção deste poder que suas palavras vão ter e da responsabilidade que ele adquiriu. Palavra é que nem filho – depois que você coloca no mundo, você tem pouquíssimo poder sobre ela.

Quando você diz alguma coisa, você não consegue controlar ou adivinhar o que as pessoas vão entender – cada um tem a sua percepção. Com a palavra escrita, essa falta de controle é ainda maior porque ela não tem a entonação da fala, os gestos, as expressões faciais. Quem nunca fez uma brincadeira por email ou em alguma rede social e foi mal entendido?

Por isso, todo o cuidado é pouco na hora de escrever um texto para o blog. Quanto mais objetivo e direto for, mais claro para os outros entenderem. Outro ponto importantíssimo, caso um blogueiro queira ser valorizado como uma forma séria de mídia, é confirmar tudo o que publica para evitar erros de apuração, como chamamos no jornalismo. É preciso MUITO cuidado para não publicar coisas erradas, mentiras – a Internet já está cheia de baboseiras, não seja mais uma!

Eu mesma já cometi um monte de equívocos e quis enfiar minha cara num buraco de tanta vergonha!

Para ser blogueiro não precisa ser jornalista – nem para ser jornalista você precisa mais do diploma, mas acho que quem quer fazer de seu blog um veículo de informação deve procurar estudar – até por conta própria mesmo – estes princípios da comunicação. Assim seu trabalho será valorizado!

Além disso, você não será vítima de agências de comunicação espertinhas que se aproveitam do amadorismo – porém com muito ibope – dos blogueiros para práticas publicitárias questionáveis e que acabam enganando o leitor!

Vamos fazer direito e bonito, galere! Blogs (bons) unidos, jamais serão vencidos =)



Somenthing in their style that shows me
15/11/2009, 21:41
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Estou aproveitando a onda Beatlemaníaca que acometeu 2009: CD’s remasterizados, Beatles Rockband, muitas revistas especiais nas bancas. Fiquei encucada: por que essa febre repentina? Daí me lembrei que, na verdade, o fim da maior banda de todos os tempos está fazendo 40 anos!

Comprei a Rolling Stone e a Bravo! Especial dos Beatles. Esta última tem fotos que eu nunca tinha visto, muito legais e por isso fiz o post, para partilhar algumas com vocês. Na revista, também li uma matéria sobre a influência do quarteto sobre a cultura da época, principalmente na moda e na indústria do consumo.

Os Beatles não foram inventores de nada em moda. Eles apenas adotavam logo o estilo que as vanguardas da época adotavam e, com seu poder de influência no mundo todo, disseminavam entre seus fãs. Mesmo quando eram vestidos pelo empresário, já eram bem diferentes dos rapazes da época. Os cabelos, ao contrário do corte militar da época, eram cheios, com franjões. Por eles e por outros ícones da época, como a Twiggy, os cabelos lisos viraram obrigatórios (quem aí não tem um parente que passava à ferro?).

Ao longo dos anos, a música foi se tornando mais experimental, psicodélica, e o estilo de se vestir também. A influência da cultura indiana também fez parte do figurino do fab4. Interessante perceber como eles entraram na onda hippie de androgenia, da roupa unissex: muita estampa floral, roupa rosa, lenços, casacos de pele aparentemente femininos.

Reparem vocês mesmos destas fotos da Bravo e outras que guardo no meu computador:

beatles early

Foto acima: no início do início, ainda sem o Ringo e com influência no estilo dos jovens rebeldes americanos: couro e topetes

bealtes comecinho

beatlescapabravo

beatles_60

roupas beatles

beatles india 02

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beatles 01

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beatles rooftop

(Reparem que no show do telhado da Apple, John e George estavam de All Star!)



Fica a dica!
13/11/2009, 10:19
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Blogueiras do meu Brasil Varonil, deem uma olhada:

http://oavessodoespelho.wordpress.com/2009/11/13/acorda-fia/#comment-706

E quem tá de saco cheio da pasmaceira fashion como eu, sintam-se acolhidos.



Desculpa gente!
05/11/2009, 13:30
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Joan Crawford Mildred Pierce

Estou bem feliz com os comentários super legais que tenho recebido por causa dos meus posts filosóficos (como brincou meu pai, outro leitor do blog) e gostaria de comentar todos e trocar mais ideias, mas estou muito atolada com trabalho + pós, então fico devendo!!!

E sobre o tênis, ainda não consegui ir à Augusta para comprar – e também não decidi, hehehe. Mas posto a escolha para dar satisfações.

Enquanto isso, minha dica é o www.pensemoda.com.br, que vocês podem acompanhar em tempo real no www.lojasrenner.com.br. Mas correm que o último dia é hoje!



Egocentricamente estilosos

Se formos traçar uma linha do tempo, a história dos blogs de estilo pessoal, arrisco dizer que o primeiro e mais conhecido foi o Wardrobe Remix que, na verdade, nem era blog e sim um grupo do Flickr. As participantes do grupo postavam o look do dia, comentavam das outras, etc.

Logo esta fórmula chegou aos blogs de moda e virou febre. As blogueiras postam seus looks partilhando inspirações, gostos, e o estilo pessoal – claro. Se pensarmos, hoje os blogueiros que viraram celebridades e nomes considerados importantes para a moda são quase que 80% donos deste tipo de blog. Querem ver a lista? Quem não conhece o Style Bubble, Le Blog de Betty, The Cherry Blossom Girl, Sea of Shoes, Style Rookie, e taaantos outros mais? Entre os brasileiros, o mais famoso é o Hoje Vou Assim (adoro!).

estilopessoal
Betty, Cherry Blossom Girl, Susie Bubble e Tavi – blogueiras e seus estilos

Na outra porcentagem de blogueiros famosos estão incluídos os donos de blogs de moda de rua: Sartorialist, Garance Doré, Jak and Jil, Face Hunter, etc. Eles fotografam pessoas estilosas pelas ruas (hoje em dia muito mais nas portas dos desfiles e outros eventos de moda do que propriamente nas ruas, uma pena). Quer dizer: o estilo das pessoas é hoje o grande atrativo da moda, sinal da época individualista que vivemos (quer coisa mais individual que blog?). A unidade de cada um destes fotografados influencia a moda – que é padronização. Estes elementos são apropriados e reformulados por estes trend-setters e assim a coisa vai rodando.

Mas o que eu acho muito curioso no fenômeno dos blogs de estilo pessoal é que, na verdade, é um grande exercício de exibicionismo. Pelo amor de Deus, não me entendam mal, não estou criticando – até porque acompanho a maioria dos blogs e adoro, me inspiro também. Mas não é curioso você se produzir todos os dias, fazer inúmeras poses, se expor na rede, na Internet? Soltar no vento algo tão seu, sem saber o que vão fazer com suas fotos, onde elas vão parar, o que vão pensar de você…

Claro, saímos nas ruas vestidos, todo mundo vê a roupa que está usando. Mas é como se eu fosse parando cada transeunte que passasse por mim e falasse: ei, olha minha roupa!

Nos blogs de moda de rua, há a edição do dono do blog: a opinião dele sobre seu look vai determinar se você vai entrar ou não – ou seja, se você é “estiloso” o suficiente. No blog de estilo pessoal, é um chute do blogueiro: ele gostou do próprio look, publica e – será que a audiência também vai? Deve ser uma pressão um pouco grande na hora de vestir, não? Eu fico pensando por mim, ficaria arrasada se lesse muitos comentários gongadores.

Aliás, eu nunca faria um porque morro de medo de invejosos – e eu acredito que eles estão na internet também e estão atrás do sucesso alheio para secar! Saravá!

De qualquer forma, gosto muito de alguns blogs, como os que não postam apenas seus looks, como é o caso da Susie Bubble e daquela pirralhinha da Tavi (do Style Rookie). Gente, eu acho crianças prodígio estranhas, mas esta menina é muito inteligente e com um estilo bem particular. Tanto a Susie como a Tavi têm esta característica: elas são mais excêntricas e experimentam mais, por isso acho mais interessante como treino para meu olhar.

Já outras são mais apegadas às tendências. E outras chegam a algumas fronteiras do surrealismo de se expor – na minha humilde opinião. É o caso da menina de Sea of Shoes. Só entrei algumas vezes neste, acho meio “agressivo”. Primeiro, tenho nervoso do nível de exposição que a menina se coloca. Fico pensando: celebridades (as sérias) fazem de tudo para publicidade e ela expõe tudo de sua vida para o mundo todo! Além de ser um nível de ostentação de riqueza meio over… Acho meio louco os closes nas jóias, nos sapatos, nas fotos do closet, da casa dela… Sem contar que é um prato cheio para a publicidade camuflada de conteúdo de blog (não to afirmando que os posts são pagos, estou apenas comentando, hein!). Não sei, acho a menina linda e com um senso de estilo legal (até linha de sapatos já criou!), mas não consigo entender como alguém pode se expor tanto, sem noção do perigo.

seaofshoes

Acessórios e closet de sapatos da dona do Sea of Shoes

Junção de coisas bem loucas e que eu bato a cabeça pra entender: os mundos da internet e da moda.



A vida efêmera

A moda está dominando a nossa vida?

Chamamos de Moda o sistema que faz com que produtos viram ou deixam de virar tendências no mercado, vulgarmente explicando. Moda não é apenas roupa, são bens de consumo. Uma moda nasce já fadada à morte – como nós, a única certeza da vida é que ela acaba. Uma moda pode até voltar, mas não será mais a mesma, será repaginada, uma releitura, porque seu tempo já passou. Moda está estruturalmente ligada ao tempo presente, pertence a ele.

Esse sistema efêmero, que antes ficava muito mais restrito ao mercado dos bens de consumo, está dominando outras esferas da nossa vida e por isso faço a pergunta inicial. Minha memória falha, mas algum professor da Pós nos falou sobre isso em suas aulas, citando Gilles Lipovetsky. Segundo este professor, o autor de O Império do Efêmero fala algo do tipo (sobre o tempo da moda ter virado o tempo da nossa vida, em todas as suas esferas) no livro Tempos Hipermodernos. Apesar de não lembrar corretamente as referências (vou atrás disso!) concordo ple-na-mente!

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Reflitam comigo, o que dura hoje em dia? Vocês não se sentem angustiados, com a impressão de quem tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, e se você não aproveitar, vai acabar rapidinho?

Vou começar com a moda em si: quantas coleções uma marca tem que lançar todo ano? Várias pequenas coleções, há uma correria louca, o consumidor quer novidade, novidade, novidade. Uma roupa desfilada ontem em Paris, amanhã já estará no Bom Retiro.

Da moda para a vida e da vida para a moda, já que ela é o reflexo do seu tempo. Angústia de não se perder em meio ao turbilhão do efêmero, esse medo de ficar obsoleto.  Alguns exemplos:

Trabalho: Meu pai passou 30 anos de sua vida trabalhando na mesma empresa, talvez na mesma sala. O meu máximo foi quase três anos numa empresa e as pessoas da minha idade ainda acham isso um recorde.

Educação: você se aprofundou de verdade em algum assunto até hoje? Mergulhou de cabeça, sabe absolutamente tudo e elaborou reflexões profundas E relevantes sobre algo?

Nos relacionamentos, nem se fala… Você apenas passa por pessoas. Nós nos desperdiçamos, a cada dia, esta impressão que eu tenho. Não importa o quanto a outra pessoa é interessante. Não importa o quanto você também seja… Vamos de galho em galho, mesmo quando isso não faz parte de sua personalidade (é romântico, por exemplo), porque às vezes precisa entrar no esquema da efemeridade e falta de apego para não sofrer com perdas… Fingimos que está tudo bem, nos fazemos de desapegados e sofremos pelo o que não acontece ao invés de sofrer por histórias legais que acabam, que é o caminho “natural” da vida (melhor do que sofrer pelo o que nem foi, concordam?).

No meio disso tudo, nos sentimos perdidos e, principalmente, insatisfeitos constantemente. Em pouco tempo você quer loucamente algo e de repente, não quer mais, tem algo mais interessante adiante. Ou, se não ficar com o novo, é considerado lento, antigo, ultrapassado. Se voltar para o velho, é clichê, quadrado. A quantidade de informação que recebemos diariamente é tão grande que nos sentimos desinformados.

Eu não sei vocês, mas se não desacelerar, vou pro caminho errado. A pressa é inimiga da perfeição e uma boa seleção é sempre bem vinda.

Espero que esteja dentro da próxima tendência.



Peço ajuda aos leitores!
24/10/2009, 21:44
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Estou me sentindo órfã de All Star, estou apenas com um vermelho e o branco acabado, ambos cano baixo. Estou apaixonada por o lançamento marrom de bolotas (foto abaixo) e já reservei budget pra esse. Mas queria um cano alto. Mas não consigo escolher a cor!!! Já pensei nas minhas roupas, nas possíveis combinações e nada! Então resolvi apelar e pedir a opinião dos leitores do blog. Da catiguria “post inútil egocêntrico”.

Este de bolotas é o que eu vou comprar com certeza, não incluam ele na votação, é apenas para pegarem o conceito:

allstarbolotas

Agora os participantes da seleção Bainha de Fita-Crepe – aceito opiniões nos comentários:

allstar verde escuro

allstar rosa

allstar verde claro

Fotos Loja Virus. Tá parecendo post comprado né? hahahahahahah! Juro que não ganhei nenhum tostão pra falar isso, eu sempre falo de All Star no blog.

Aguardo a opinião de vocês!



Agendinha de seminários
21/10/2009, 09:41
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Quem quiser pensar mais sobre questões de moda, arte, design, etc; tem duas opções esta semana.

 

workshopoifashionrocksPara quem mora no Rio, tem o workshop Why Fashion Rocks? do Oi Fashion Rocks no dia 23/10, das 11h às 13h, no Teatro Oi Casagrande (Shopping Leblon). Paulo Borges, Lenny Niemeyer, Jason Herbert (Diretor Criativo Fashion Rocks) e Keith Baptista (diretor e produtor de shows das principais capitais da moda internacional) participam de discussões sobre moda e entretenimento, falando também sobre os bastidores deste evento que mistura shows de música com desfiles. A mediação fica por conta da Ale Farah. Quem participar ainda concorre a convites para o Oi Fashion Rocks, que será no dia 24.  Quem quiser participar pode enviar email para workshop.oifashionrocks@oi.com.br (vagas limitadas).

 

boomspdesignPara os moradores de SP, a opção é o Boom SP Design – Fórum Internacional de Arquitetura, Design e Arte, nos dias 23 e 24 de outubro, no Shopping Iguatemi. Dentre os convidados que irão discutir as relações entre design e novas formas de consumo estão o arquiteto Ruy Othake, o fotógrafo de moda Emin Kadi, o estilista de moda masculina e mestre em Semiótica pela PUC-SP Mario Queiroz, a designer Renata Moura, entre outros. Informações e inscrições no site http://www.boomspdesign.com.br/.

Fica a dica também para quem que, como eu, não conseguiu se inscrever no Pense Moda deste ano =(



Pensamentos rapidinhos do dia

Hoje, a coluna Última Moda da Folha (Alcino mestre) entrevistou o diretor criativo da Lacoste, Christophe Lemaire. Queria partilhar duas perguntas da entrevista (ótima e grandona, página inteira), para refletirmos o atual contexto do consumo e o sistema da moda. Citando a Folha:

“Como vê a moda, hoje?

Lemaire – O que sempre me irrita na moda é esta espécie de histeria, de condicionamento midiático e comercial que consiste em dizer que você deve mudar suas roupas em todas as estações, que precisa ter sempre alguma coisa dita nova. Acho que a elegância não tem nada a ver com isso. Aliás, prefiro o estilo à moda.

Qual a diferença?

Lemaire – A moda hoje não tem nada a ver com sensibilidade, mas com a informação. As pessoas acreditam que ter informação é ter poder. Não é muito complicado passar o seu tempo vendo blogs, lendo a imprensa, mas penso que é inútil. Para mim, bom e enriquecedor é aprender a me conhecer, descobrir meu corpo, qual é a minha personalidade, quais são os meus valores. A moda faz parte da cultura, no sentido forte do termo. Decidir o que quero ler e comer, como eu quero viver e me vestir – para mim, tudo isso faz parte da mesma coisa. Essa ideia de que estar na moda é comprar guarda-roupa novo a cada temporada nunca me interessou.”

lacosteads1lacosteads2lacosteads3                    Campanhas pulantes da Lacoste

“Pode parecer paradoxal” um estilista de uma marca imensa como a Lacoste ter esta opinião, assim como eu, jornalista e blogueira, querer refletir porque, de certa forma concordo com ele. Mas, a reflexão fica para o próximo post porque preciso de embasamento teórico, aguardem!



Avolumando-se

Em pleno Século XXI, acho que já foram feitas tantas coisas na moda que é difícil revolucionar algo ou inventar uma “nova roda”. O futuro está nos tecidos tecnológicos – as verdadeiras “novas inovações” (sic) do mundo da moda, segundo especialistas. Outro elemento da roupa – que podem até ser referências de modas passadas – mas que dão uma cara nova, é o volume.

Na pós, tivemos poucos estudos de volumetria (dizem as más línguas que uma das professoras deveria ter dado isso em sua matéria, mas não deu). Mas, graças a bons mestres como a Mariana Rocha e a Renata Zaganin que, mesmo não tendo este assunto na ementa, nos deram uma pequena noção.

Talvez, o mais difícil da criação esteja em sair da “atmosfera” em torno das formas do corpo e extrapolá-la, brincar com o tecido, explorar seu caimento em volumes que desafiam os pobre-coitados que terão que planificar (criar os moldes em papel, desses que vem em revistas – para os leigos), e até mesmo a gravidade.

Acredito que um dos mestres desta experimentação da forma foi Cristobal Balenciaga, o couturier criador da maison que teve algumas de suas criações revisitadas pelo atual diretor de criação da marca, Nicolas Ghesquière. Ele criava volumes nas peças inusitados para a época, mas, ao mesmo tempo, sem perder o ar clássico, aristocrático. (fotos abaixo, peças do estilista do acervo do MET):

BalenciagaCristobalBalenciagaCristobalEveningCoat1959

Pois agora, além de estar com mania de cores, reparo muito nas propostas que os estilistas atuais pensam para o volume das coleções – o “shape” predominante e o trabalho de formas. Como esta última temporada foi rica em drapeados diversos, tive trabalho em olhar tudo. A maioria dos desfiles eu só dei aquela olhada básica, mas por enquanto, dos que eu vi mais de uma vez, compartilho com vocês meu gosto pelo sempre ótimo Alber Elbaz na Lanvin e Rei Kawakubo na Comme des Garçons (fotos Style):

lanvin               O “panejamento” lindo da Lanvin

commecomme detalhes          Rei Kawakubo é reconhecida por sua experimentação e seus estudos de forma são uma característica. Nesta coleção, achei até bem comportada, o patch de tecidos é até mais “usável” (se é que uma criação do nível dela precisa levar esse emblema) do que o que ela costuma fazer. Mas reparem que ainda assim, é um volume que vai além do nosso, das nossas partes do corpo.

Não poderia falar de volumes nesta última semana de moda se não comentar Viktor & Rolf. Loucura né? Fiquei pensando como as partes de tule cortadas no meio ficavam em pé, incrível mesmo! Coleção ilusionista, né?

viktor&rolf