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Biblioteca Bainha: Já Matei Por Menos

24/03/2013

Como vocês – que eu imagino que sejam antenados – já devem ter lido em várias matérias, o blog super legal da jornalista Juliana Cunha, o Já Matei Por Menos, virou um livro. É o segundo lançado por ela, que estreou no mundo literário com o Gaveta de Bolso (leia sobre neste post).

Dessa vez, ela se uniu à nova da editora Lote 42, que traz como sua proposta principal lançar livros que criam conexões com o mundo digital e lançam mão de diversas plataformas, são multimídias. Sendo assim, a obra entra neste conceito da editora não apenas por ser uma reunião de 70 posts do blog, como também por ter versões impressa e em ebook, conteúdo extra disponível em um site e histórias do seu bastidor compartilhados nas redes sociais.

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O critério usado para selecionar os textos publicados foi a relevância – ou seja – aqueles que sacudiram mais os comentários com boas discussões. Eu imagino como deva ser difícil fazer isso no meio de tanta coisa bacana (e polêmica). Sou fã do blog, que lia antes mesmo de conhecer a Juliana pessoalmente, quando ela trabalhava com as meninas do Oficina de Estilo.

O que me fez gostar do Já Matei Por Menos foi justamente a coragem em dizer sua opinião sobre as coisas de uma maneira inteligente, muito bem escrita e com humor. Ela criou algumas polêmicas sim, mas eu amo polêmica bem feita porque é assim que o mundo gira. Minha identificação foi imediata e a admiração pela sua escrita também, mesmo que não tenha concordado com sua visão inúmeras vezes (nem sempre entrei no debate nos comentários, mas debatia comigo mesma, hahaha).

Mas é isso que as pessoas não conseguem entender na vida: que admiração não tem nada a ver com a concordância nos mesmos assuntos, ficam ofendidas com a discordância, com a opinião contrária, como adolescentes mimados.  Abrir nossa opinião para o mundo pode ser muito mais expositivo que esplalhar nossos sentimentos mais íntimos aos sete ventos ou ficar narrando a vida no Facebook. Mas desculpem, se isso é se expor, então eu sempre serei um livro totalmente aberto. Já me estrepei muito por causa disso e continuo me estrepando, mas não ligo porque não consigo mudar minha personalidade reflexiva e crítica sobre as coisas, e minha vontade incontrolável de trocar essas ideias com as pessoas – e imagino que a Juliana também. O que incomoda é a dificuldade das pessoas em ouvir opinião contrária. Se sua opinião gerar um debate, que bom porque discordâncias inteligentes não são barracos. Barraco é baixaria, é falta de argumento!

Ok, ok, eu divaguei muito agora, mas tudo para dizer que espero que esses ótimos textos reflexivos ganhem ainda mais leitores com o lançamento do livro. Que venham muitos!

Para quem ficou curioso, o livro é vendido na loja Endossa do Centro Cultural São Paulo e no site da editora: lote42.com.br.

Ps.: a ilustração da capa é assinada pelo artista Laurindo Feliciano, cujo trabalho achei tão legal que vai virar o próximo post.

Exposição Marcia X.

18/03/2013

Fui ao MAM na semana passada aproveitar os últimos dias da exposição da Adriana Varejão e tive uma boa surpresa: a mostra Marcia X. - Arquivo X. Não sou nenhuma especialista em arte e não conhecia a artista, que morreu em 2005. A exposição traz um panorama de sua obra, que é muito irreverente, engraçada e às vezes chocante para nosso olhar (ainda cheio) de tabus.

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Usando coisas do dia a dia e com estilo bem kitsch, a minha xará fazia críticas bem humoradas, com discurso sobre questões de gênero e feminismo, sagrado e profano… tudo com muito sarcasmo e irreverência.

Por causa da exposição, fui buscar saber mais sobre a artista, que se formou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e fez parte da “Geração 80″ de artistas plásticos de vanguarda brasileiros, mas se diferenciando de muitos de seus contemporâneos por se aprofundar mais em performances e instalações do que em outras manifestações “em voga” na época, como a pintura.

Infelizmente, pela caretice da Internet, não posso postar suas obras mais legais (e fálicas) aqui, mas vocês podem procurar referências no Google. A exposição dela fica no MAM do Rio até 14 de abril!

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a  Márcia X, 1995 Os kamasutrinhas  1 - instalação Col Gilberto Chateaubriand2 recomenda-exposicao-abre

 

Sobre viver com pouco

13/03/2013

Nesta semana, vi nas redes sociais da vida um texto de um cara chamado Graham Hill no New York Times. Hill conta como ele se livrou de toda uma tralha comprada após virar um novo milionário da Internet nos EUA e passou a viver em um pequeno apartamento, apenas com o “essencial”. E, ao final, convida todos a pensarem no assunto e fazer o mesmo: ter menos para viver mais.

Eu comecei lendo o texto achando fosse concordar em gênero, número e grau porque venho sentido que – dentro de um cenário quase utópico – uma boa “solução” para a vida dos nossos tatatataranetos seria uma vida menos cheia de tralhas.

Mas, sei lá, do meio pro final do texto, foi me dando um incômodo que – na correria do tempo cheio de coisas e compromissos – eu não consegui parar e pensar o que era. Mas aí, um amigo me indicou este outro texto que critica a coluna do NYT. Segundo o autor, o problema não é a mensagem (que não precisamos, realmente, de tantas coisas), mas sim o mensageiro. O tal do Graham Hill vive com pouco sim, mas é muito provável que sua conta bancária continue a mesma.

original[Foto do Graham Hill  no seu "humilde" ap de desapegado via Gizmodo/ Vimeo]

Ora, rapaz! Mas que poser!

Daí fica parecendo que o cara só focou o dinheiro dele em outro lugar. As pessoas esquecem que experiências também são uma forma de consumo. Viajar É consumir SIM. Comer bem nessas viagens também. Me deu a impressão que ele continua torrando uma grande quantidade de dinheiro sendo um jet-setter mundial. Cara, cada um gasta o dinheiro do jeito que quiser, mas não venha me falar – pra mim, classe média, pequena burguesa – para comprar menos e sair viajando porque, com o que eu ganho, eu não compro em excesso nem tenho dinheiro para sair viajando pelo mundo.

Não estou pregando nada politicamente, mas muito fácil dizer: “vamos viver com menos COISAS! Mas continuo com mais dinheiro que muita gente no mundo, inclusive muitos de meus leitores”.

Ele é o tipo de cara que, se chegasse aqui em casa (um ap de menos de 40m²), ia rir da minha TV de tubo, do meu notebook de 2008 (não é Apple), do meu ar condicionado velho e do meu sofá capenga de segunda mão.

Impressionante mesmo é o Vincent Moon, o cineasta nômade que comentei neste post. O cara não tem casa, fica na casa de amigos que faz no mundo todo e, nessa palestra que eu fui, ele disse que não tem problema com isso, porque não tem nada. Deve ganhar o suficiente pra se manter nos lugares, pagar suas passagens e equipamentos de trabalho.

Desprendimento e desapego é isso. O outro cara é poser, tipo esses fashionistas que acham mendigos estilosos.

Minha dica pra essa galera é: vai lavar um tanque de roupa suja, vai!

Os neo-românticos. Ou românticos líquidos

11/03/2013

Um dos filmes mais tristes e bonitos – principalmente no sentido estético – que vi nos últimos anos é O Brilho de Uma Paixão, que conta a história da paixão impossível do poeta inglês John Keats e da jovem Fanny Brawne. Por causa de uma série de fatores, mas principalmente por causa das convenções sociais da época que dificultavam a liberdade na escolha dos casamentos, eles não conseguem dar vazão à paixão que sentem um pelo outro.

brilho de uma paixão

Keats viveu no início do século XIX e foi um dos representantes do Romantismo inglês. Sua história mostra muito como era o espírito romântico da época.

O Romantismo com letra maíscula não é levar flores, foi um movimento onde artistas de várias áreas (literatura, música, artes plásticas, etc) tinham como questão central de suas obras o indivíduo. Eles voltavam para si próprios, mostrando questões sobre a condição humana em tom dramático, ideais utópicos, escapismo, morbidez, e amores impossíveis.

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Nesse último quesito, relatavam paixões platônicas por mulheres idealizadas e impossíveis – muitas vezes eram mesmo, mas por isso, esses artistas criavam imagens errôneas para suas musas, carregadas de perfeição que ninguém tem. Era bonito sofrer, era inspiração para a arte e poesias.

Conto tudo isso para dizer que tenho percebido que essas características dos artistas do Romantismo em ALGUNS caras da minha geração. São coleções de histórias (algumas autobiográficas, outras que escuto das dezenas de amigas solteiras incríveis, e até mesmo de amigos que se sentem assim) que vêm me mostrando isso. Até mesmo um amigão meu vem reparando isso em seus amigos e seus causos amorosos.

Alguns caras estão românticos demais – não no sentido mimimi que fazemos do romantismo, volto a dizer. Mas sim românticos no sentido de criarem uma ideia absolutamente idealizada das mulheres e dos relacionamentos. Meu mestre e guru Xico Sá diria que são os homens frouxos de hoje. E alguns são mesmo. Mas acho que vai além de frouxidão.

O colunista da revista Época Ivan Martins disse exatamente isso neste seu texto (leia aqui, muito bom). Ele conta que muitos amigos dele colecionam casinhos com muitas meninas, ao mesmo tempo e etc. O famoso “rodar pratinho”. Mas não se sentem felizes com isso, estão em busca de uma coisa bacana, mais duradoura.

Mas, por que não conseguem, se têm tantas opções? Porque idealizam um tipo de menina e um tipo de sensação ao encontrá-la que, na maioria das vezes não acontece. Quantos casos de amor arrebatador, assim, de cara, vocês conhecem? E quantos taaaantos outros casos nasceram de situações comuns e de sentimentos que foram crescendo com o tempo?

Assim, quando estão com uma menina, sempre acham que lá no meio da multidão poderiam encontrar outra mais bacana – mesmo que inconscientemente – e ficam numa experimentação eterna.

E não, não é o mesmo que galinhar por esporte porque esses meninos sentem uma certa angústia. Como disse Martins no texto citado, “Da parte dos caras, a queixa é outra. “Eu não me envolvo”, eles reclamam. Sai moça, entra moça, e fica o mesmo vazio”. Por isso, se você está lá conversando com um bofe conquistador e ele diz que quer se apaixonar, não duvide, mesmo que você fique sabendo de mais dois novos casos dele a cada dia.

Alguns deles não ultrapassam a barreira de um ou dois encontros porque, por mais incrível que a menina seja, eles não sentiram nada de “mágico”, com cara de cena de encontro de filme de comédia romântica mal feita. Juro para vocês que acredito que esses meninos, tão descolados e pegadores, acreditam com veemência em amor à primeira vista. Que quando eles beijarem A princesinha de suas vidas, vão sentir uma coisa no peito… Parece até que foram eles que cresceram vendo Cinderela, Branca de Neve, etc. Chegam a dispensar as pretendentes mesmo antes de “finalizarem” a situação. Já não se fazem cafajestes como antigamente…

Por isso, muitas vezes, vão encontrar essa “magia” em situações que alimentam esse gosto pelo impossível e idealizado, como relacionamentos à longa distância (muito fácil se apaixonar por alguém enlouquecidamente , mas que não vai estar todo dia “pentelhando”, né?) ou com mulheres comprometidas ou “proibidas”, tipo a namoradinha de um amigo seu.

Mas epa, não somos nós que fomos criadas para um romance de conto de fadas? Acho que são tipos diferentes de idealizações. Nós podemos fazer leituras erradas das situações e pensamos mais do que deveríamos. Mas repito: é diferente. Nós damos chances aos moiçolos mais ariscos só para ver qualé. Como diz Ivan Martins:

Olhe em volta: diante de um cara apaixonado, bacana, determinado a ficar com elas, boa parte das mulheres sossega. O cara pode não ser perfeito, mas se torna “o cara”. Há nisso um pragmatismo que muitos homens perderam. Enquanto as mulheres escolhem de maneira apaixonada, mas com os pés no chão, eles parecem viver nas nuvens, sonhando com a mulher perfeita. 

Claro que isso não é também uma questão de gênero somente porque também conheço mulheres que são esses românticos líquidos – mas entre umas 30 histórias de homens assim, conheço de 1 mulher apenas. Mas veja o caso da personagem Hannah, do seriado Girls. No oitavo episódio da 2ª temporada  podemos ver um exemplo desse fenômeno (não vou falar o que é para não ser spoiler).

É uma pena tudo isso porque coisas bacanas poderiam acontecer pra todo mundo, mas não parece haver disponibilidade para tentar. Movimentos como aquele do “Mais Amor Por Favor” soam falsos e utópicos – olha aí a utopia romântica novamente. Todo mundo quer ser amado, tudo é no eu, nessa era ultra individualista. Mas amor que é bom ninguém quer dar!

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Esses caras, que gritam aos sete ventos que querem se apaixonar, que se sentem sozinhos, etc; deveriam sofrer por algo real, não pelo vazio do excesso.

Parece que fogem a qualquer sinal de interesse de uma menina bacana que poderia ameaçar esse moto contínuo de dificuldade tipicamente romântica, esse draminha tolo. Não é? Ou seria um medo danado de provar do próprio veneno da rejeição? Uma desculpa muito comum é “você vai acabar se apaixonando por mim e vai se machucar”. Virou vidente agora? Já decide que a menina vai se apaixonar E que ele vai sacaneá-la? Não seria, no fundo, um medo do cara?

Calma gente, gente legal não morde! Pode ser namoro, pode não ser. Pode dar certo ou não! Não dá certo tentar adivinhar no que vai dar uma história antes de vivê-la. É como diz esse cartaz:

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Fecho o post com as palavras geniais do mestre Lulu Santos, que sempre tem algo a dizer. NÃO, não é o “Último Romântico” e sim “Tempos Modernos” (o título deveria ser tempo atemporal, já que a letra é sempre atual hahaha):

Outono/Inverno 2013 ou 1300, 1400, 1500…

06/03/2013

Que a moda é cíclica, acho que todos já perceberam, mesmo que você seja apenas uma consumidora e admiradora de coisas bonitas. Antigos elementos de roupas passadas volta e meia acabam aparecendo novamente como releituras, com novas aplicações, contextos, elementos “atualizadores”.

Mas, de uns tempos pra cá, venho percebido uma volta mais a fundo nas décadas da história da indumentária humana. Mais precisamente nos períodos da Idade Média e do Renascimento. Antes até mesmo do período Barroco, na crista da onda da moda atualmente. E mais: nas passarelas internacionais, pelo menos, a releitura é quase literal, dando às roupas um ar muito mais alegórico, de fantasia, do que uma ideia próxima de “ready-to-wear”, pronto para usa, para ir para as lojas em formas adaptadas e daí para as ruas.

Na coleção de pre-fall, a Chanel fez uma homenagem à Escócia e a sua antiga e polêmica rainha Mary Stuart, como comentei nesse post. Coleção beeem literal. Já agora, na coleção de outono/inverno, a marca foi mais pé no chão, mas outras “colegas” não seguiram seu exemplo.

Acho curioso esse fenômeno que volta e meia acontece: em tempos de dificuldade econômica, um boom de luxo. Pelo menos dessa vez, na minha parca análise, o luxo ainda divide espaço com marcas mais realistas.

Bom, não é o caso do desfile (que eu achei deslumbrante) da Dolce & Gabbana, por exemplo, com grande inspiração nos mosaicos bizantinos de antigas catedrais. O Bizâncio foi o império romano oriental – explicando brevemente. Como diria uma antiga professora minha: riquííísssssssssssssssssimos! A imperatriz Theodora foi um ícone de elegância e poder. Por isso, muitas referências aos seus imperadores e aos primórdios do catolicismo.

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Influência na vestimenta católica também vimos em outra marca italiana, Valentino. Engraçado perceber que o Vaticano influenciou a moda mesmo antes da saída do Papa porque, ora bolas, essas coleções deviam estar sendo feitas já quando sua saída foi anunciada. Esse zeitgeist me intriga demais! Além dos elementos episcopais, também encontramos aqui referências à Idade Média e ao início do Renascimento.

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tumblr_mb31mnHLKY1qm9v46o1_500 Quadro “Garota com Unicórnio”, de raphael, que representa uma amante do Papa Alexandre VI ou Rodrigo Borgia para os íntimos. Os Bórgias eram mais babado que qualquer Vatileaks de hoje.

Bom, coincidência no mínimo curiosa. Mas esses revivals são a alegria de quem gosta de história da indumentária, então ótimo!

Fotos de desfiles: Style.com

Fashion Film?

27/02/2013

Vejam esse vídeo antes de lerem o texto abaixo, por favor:

Um amigo meu mandou e chorei de rir. Muito boa a piada com essa febre dessa linguagem etérea de fada hipster, com voz sussurrante, flores no cabelo tipo Lana Del Rey (pata apática). Ri muito da parte que fala da banda.

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Não vou falar que dessa água eu nunca bebi. Para terem ideia, em abril de 2010, fiz um post observando que em vários flickrs que eu acompanhava, a galera estava fazendo fotos no meio do mato, deitado no chão, etc. Logo depois, fiz outro cujo tema era, justamente o delicado.

Há uns 2 anos atrás, essa onda quase me pegou pedindo mais amor, por favor. Mas quanto mais se amor a galera pede, menos eu vejo fazer, sentir. Hoje essa “estética” da delicadeza, das coisas etéreas, etc; já deve estar no topo caminhando pro declínio dentro do ciclo de vida de uma “tendença”. Começamos a perceber um novo ciclo vindo aí, acho que um pouco menos sonhador. Mais descrente ou mais realista? Qual cenário futuro vai vingar?

O vestido polêmico de Anne

27/02/2013

Comentar looks de celebridades – nas ruas ou em tapetes vermelhos – nunca foi o meu forte, com exceção dos comentários ao vivo no Twitter, já que esses são em tom de deboche total. Mas não posso evitar de fazer esse post porque a história do vestido polêmico da Anne Hathaway no Oscar 2013 me lembrou duas coisas que já passei na vida:

1- Já trabalhei por um breve (graças a Deus) tempo em uma assessoria de imprensa de famosas e tive que arranjar vestidos para as moças usarem em festas de estreias de novelas, filmes, etc. É um Deus nos acuda e eu DEFINITIVAMENTE não nasci pra trabalhar nesse mundo.

Por isso, imagino a odisseia que deve ser para todo o staff por trás de uma estrela de Hollywood na hora de escolher a roupa de uma ocasião tão importante. E como deve ser horrível ter que ouvir as críticas depois. Pode ser, muito provavelmente, que a própria Anne tenha batido o pé e contrariado a orientação de todos. Mas essa história me tocou, já que sei, guardadas as devidas proporções, como a assistente da assistente da assistente possa ter se sentido.

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Miuccia Prada e sua equipe que me perdoem, mas o modelo do vestido de Anne no Oscar era péssimo – pelo menos pra ela e naquele momento. Fora a questão dos mamilos em evidência, ele era reto e sem charme, com umas costas tão polêmicas quanto os mamilos. Parecia um avental esticado. Para quem está MUITO magra como Anne (que teve que ficar esquelética para o papel e parece não ter recuperado o corpo “normal” até agora), o vestido não favoreceu nada e ainda virou inspiração para ótimas piadas no Tumblr Anne Palmitoway

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Mas o modelo só não era o motivo do desgosto. Vamos à cor:

2- Há aaaanos atrás, cobri uma palestra de duas consultoras de imagem americanas para uma revista onde era repórter freela. Fiquei impressionada com uma técnica que elas apresentaram: a Teoria das Estações. Através dessa técnica, os personal stylists podem indicar quais cores ficam melhor no cliente de acordo com uma classificação que foi criada usando como inspiração as estações do ano.

Vou tentar explicar brevemente, mas nesse blog achei uma explicação bacana para quem se interessar. Quem tem tons de pele, olhos e cabelos mais frios é Verão ou Inverno. Quem tem tons mais quentes, Outono ou Primavera. Quem tem cabelos, olhos mais escuros é Inverno ou Outono, e olhos e cabelos mais claros, Verão ou Primavera. Mas, dentro de cada estação, essa classificação ainda recebe 3 níveis: clear, cool e dark (os nomes variam).

Eu e Anne Hathaway temos uma coisa em comum: somos dark ou deep winter. Temos cabelos pretos ou castanhos muito escuros, peles brancas (pode ser levemente rosada), olhos castanhos, azuis ou verdes escuros, acinzentados. Segundo essa teoria, nós ficamos bem em tons com azul na sua base (porque temos cores frias em nós) e bem vívidas.

Não sou estrela de Hollywood, mas sei que tons bebê me deixam apagada. Acho até que para o dia a dia, OK, mas não para uma noite importante onde o meu objetivo é aparecer. Para uma festa importante, nunca escolhi nada parecido. Olha, eu sou a Márcia, não sou famosa, nem rica.

deep winter Explicação do site Cardigan Empire

Me admira que, para uma cerimônia TÃO importante como o Oscar, a personal stylist da Anne não tenha pensado que aquele rosinha apagado fosse levar junto seu brilho. Usando essa teoria, uma breve busca no Google mostra algumas cores que ela poderia ter escolhido pro vestido (além dessas na tabela acima):

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Viram que cores mais claras até aparecem na cartela, mas se você pode usar um vermelhão, um azulão, por que escolher uma fuen? WHY WHY WHY?

A própria atriz já usou várias delas em outras cerimônias e estava maravilhosa! Branco ia ficar melhor que rosa-camisola de noite de núpcias. Vejam (esqueçam os modelos, foquem nas cores):

anne oscar dresses No ano em que apresentou o Oscar

Anne-Hathaway-red-carpet-looks-e1346108368773 (ps: eu acho esse penúltimo, meio dourado, meio apagado nela)

anne-hathaway-oscars-2008-05 E esse tom de vermelho, que coisa absurda?

RESUMINDO: Sei que é bobagem perder meu tempo fazendo esse post sobre uma coisa tão besta. Mas uso o ditado de que o tapete vermelho de hoje é a história da moda de amanhã. E a história do que os homens vestem é importante para este blog!

A mulher raspou o cabelo e perdeu mil quilos pra ganhar esse maldito Oscar nesse vestido caído, pagando os tubos para uma equipe ajudá-la, recebendo mil sugestões porque é rica e famosa. Não vamos nos sentir mal por achar que não temos roupas na hora de ir praquela festinha.

PS.: se alguém que realmente saiba como funciona a Teoria das Estações quiser fazer alguma observação ou correção, POR FAVOR, fique à vontade!

ADENDO: ANNE PEDIU DESCULPAS! Ela usaria um vestido Valentino – a empresa chegou a divulgar isso na imprensa. Olha a sacanagem com o assessor! Hahahahaha. Mas, pelo menos ela é educada e esperta e pediu desculpas publicamente para não ficar queimada com a marca.

Fiquei curiosa para saber como seria o vestido que ela usaria. Mais explicações na matéria do Globo.

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